Wavves from TERROREYES.TV on Vimeo.
Música nova do Wavves à sair num novo disco. Essa música é mais reta e sem muito experimentalismo. Quando o Wavves toca assim, me agrada mais.
sábado, 22 de agosto de 2009
Wavves - New song
terça-feira, 18 de agosto de 2009
La URSS - punk ochentero nos anos 2000
O URSS é um grupo espanhol, da Andaluzia, que faz punk rock ao gosto dos anos 80. Ochentero, como dizem por lá. Reunindo influências de bandas como Eskorbuto e do punk de décadas atrás. Porém feito por "chicos" entre 22 e 24 anos. São eles: Áfrico nos vocais, Jorge na guitarra, Miguel no baixo e Pablo na bateria. O timbre da voz de Áfrico lembra o de uma menina. Agradam-me muito as bandas novas que vão buscar inspiração no punk original de fins dos 70 e começo dos 80. Parece que é uma necessidade desses anos 00's, depois que passou o punk dos anos 90, que em quase nada lembrava as raízaes do gênero. O grupo possui um split, de 2006, com o Coprolitos, de Madrid, um single e um Lp chamado Producto, editado pelo selo Bowery em 2009 . Em julho de 2008 foram entrevistados pela MaximumRockandroll, que, quer queiram ou não, ainda é uma referência mundial para o punk rock. Em julho de 2009 saíram em turnê pela Europa tocando pela França, Alemanha, Polônia e República Tcheca. Nesse vídeo eles tocam duas músicas "Felices dias en Fuengirola" e "Todo sobre tu Hija". No myspace da banda você confere mais sons do punk ochentero do URSS. segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Wavves - Wavves, Wavvves
O Wavves na verdade é Nathan Williams, um jovem de San Diego, Califórnia. Ele gastava seu tempo livre andando de skate e escrevendo sobre rap no seu blog. Um dia o rapaz se armou com um gravador de cassetes dos anos 80, o Tascam, e com o software Garage Band. Se trancou no quarto por um mês e compôs tanto material que rendeu dois discos. Aos poucos ele foi disponibilizando para download em dois 7", uma casssete e um EP. O DIY também acompanhou Nathan na produção da arte de seus lançamentos, com o rapaz desenhando e "scanneando" fotos para as capas. O primeiro álbum, self title, foi feito no mesmo gravador de quatro canais e saiu primeiro em cassete. Depois foi lançado em cd e lp, com cópias limitadas, pelo selo Woodsist em setembro de 2008. O segundo foi chamado Wavvves, com um "v" a mais que o primeiro disco. E foi lançado em fevereiro de 2009 pela Fat Possum Records, com produção do próprio Nathan. 
A sonoridade do Wavves é bastante crua, mas repleta de melodias e alguns experimentos. Já disseram que é Buzzcocks com Beach Boys. E já chamaram até de no-fi e shit-gaze, tamanha é a bagaceira das gravações. Na verdade, o som é uma espécie de punk low fi, bem na linha das gravações da In The Red Records. Se você já escutou bandas como Cheap Time, Lovvers, No Age, Times New Vinkings ou até coisas um pouco mais antigas como Pussy Galore, dá para imaginar o som do Wavves. As músicas são batizadas com títulos imprevisíveis como "California Goths", "Summer Goths", "Killr Punx, Scary Demons", "Surf Goths" e "Beach Goths". As gravações caseiras foram tão bem vindas que o Wavves chegou a ser considerado "the next big thing" por alguns críticos e blogs. O Wavves escurcionou pelos EUA e foi chamado para uma turnê na Europa. Para acompanhá-lo ao vivo, Nathan chamou o baterista Ryan Ulsh. Nesse ano em Barcelona, no Primavera Sound Festival, Nathan teve uma briga no palco com Ryan e acabou insultando o público espanhol, que respondeu jogando garrafas e sapatos nele. O resultado disso foi a turnê européia cancelada. Depois, Nathan se desculpou publicamente dizendo que seu comportamento teria sido causado por um coquetel de ecstasy, valium e xanax. O Wavves continua tocando pelos EUA, para conferir sua agenda visite a página da banda no myspace.
sábado, 15 de agosto de 2009
The Zeros - Pioneiros de Los Angeles
Los Angeles foi um dos grandes centros urbanos gestores do punk, assim como Londres e arredores, Nova Iorque e São Paulo. Me lembro agora de uma cena do documentário Botinada. Nela o Clemente fala que se o Ramones não tivesse criado o punk na Big Apple, o pessoal da Carolina teria feito isso pelos americanos. Pois os paulistas também escutavam os discos dos Stooges e New York Dolls, andavam com camiseta listrada, jeans apertado e jaqueta preta. Guardada as devidas proporções do que o Clemente falou, parece que o punk era algo que estava no ar, só esperando alguém captar aquele espírito e jogá-lo numa canção de três acordes. Os Ramones com certeza foram os pioneiros, definindo o essêncial da linguagem punk. Mas parece que mesmo que se eles não tivessem dado o ponta pé inicial, alguém teria dado. Penso que foi uma questão de tempo para o punk se generalizar e virar a linguagem dos roqueiros mais jovens e rebeldes do meio dos anos 70. Nesse interím, lá em Los Angles surgia o The Zeros. Formado em 1976, com o nome incial de Main Street Brats, por Javier Escovedo (v,g), Robert Lopez (g), Hector Peñalosa (b) e Baba Chenelle (d). Os sobrenomes não escondem a ascendência chicana dos Zeros, por isso eram conhecidos como os "Ramones mexicanos". A banda tocou pela costa oeste com gente como Dils, Avengers, X, Plugz, Nerves, Wipers e Weirdos. E abriram o primeiro show do Germs em 1977. Em 1980 tocaram em Austin, Texas, junto com o Middle Class. Ainda fizeram apresentações em Nova Iorque em clubes como CBGB's, Max Kansas City, UK Club e Danceteria. Mas a vida do Zeros foi curta e o grupo se desfez em 1981. Nos anos noventa voltaram, com line up reformado, para alguns shows esporádicos e lançaram o álbum "Right Now!". Canções do grupo ganharam covers por diversas bandas do globo, como La Secta (Espanha) e Hoodoo Gurus (Austrália). Artistas de renome como Tom Waits, Patti Smith e o Damned adimiraram o trabalho dos Zeros. Eles foram um dos pioneiros da cena de Los Angeles e pavimentaram o caminho para Black Flag, Circle Jerks e X. Seus membros continuaram com outras bandas. O guitarrista Robert Lopez tocou no Catholic Discipline, que aparece na primeira parte do documentário The Decline of The West Civilization, e depois se tornou o El Vez, uma espécie de Elvis latino que fez um certo sucesso. Esse vídeo é uma apresentação de 1977 para um programa de tv de San Diego. Ele abre com o grupo tocando "Don't Push me Around" e encerra com uma rápida entrevista com a banda, onde perguntam se eles aceitam a definição de punk rock e o que significa punk rock. O disco "Don't Push me Around", lançado pela Bomp Records em 1992, é uma boa pedida para conhecer os primeiros trabalhos da banda, datados do final dos anos 70.
1. Don't Push Me Around
2. Wimp
3. Main Street Brat
4. Handgrenade Heart
5. Beat Your Heart Out
6. Wild Weekend
7. Comestic Couple
8. Rico Amour
9. Beat Your Heart Out
10. Getting Nowhere Fast
11. She's Just a Girl On the Block
12. They Say That (Everything's Alright)
13. Comestic Couple/Shannon Said/Talkin'/Out of Place/Wild Weekend
Download
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Nuggets Commercial
Comercial gringo da época do lançamento do Box set da Nuggets. Meio tosquinho, mas vale a pena ver e ouvir alguns trechos dos clássicos da garagem americana. A banda que aparece no vídeo é o Fee Foe 5, da Virgínia e que durou de 1998 à 2002. Engraçado é no final o Music Machine cantando Talk Talk e aparecendo o número do telefone para comprar os cds.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Trash News: Documentário sobre o Death e turnê em setembro
Detroit's own DEATH -Where Do We Go From Here? Documentary - Tour 2009 Promo from Howlermano on Vimeo.
Desde a redescoberta das master tapes do Death que a banda vem despertando a curiosidade de muita gente. Viemos acompanhando aqui pelo blog desde o pré-lançamento do albúm até a sua disponibilização em mp3 para nossos leitores. E mais notícias vem por ai. Não bastasse a lançamento do Lp pela Drag City Records, contendo material inédito mais as músicas do compacto de 1974, um documentário sobre a banda está sendo produzido. É isso mesmo. Um documentário com os integrantes da banda, que sobreviveram, contando sua história. Ele se chama "Where Do We Go From Here". Depois de quase serem esquecidos pela História o Death parece que vem com tudo. Não bastassem o Lp e o documentário, eles ainda vão entrar em turnê. É isso mesmo uma turnê! Mas nada muito grande. Cerca de três shows entre 25 e 27 de setembro em Detroid, Illinois e Cleveland. Para matar a curiosidade, aqui vai um trecho do documentário. Para se manter atualizado sobre o processo de produção clique aqui.
Enjoy!
Os Incríveis me fizeram voltar a pé
Nunca entre numa loja de discos quando você tiver pouco dinheiro. A menos que você seja uma daquelas pessoas controladas. O que não é meu caso. Dei o que tinha nesse compacto dos Incríveis, até o dinheiro do ônibus. O resultado é que tive que voltar pra casa a pé. Mas valeu cada centavo. Só o prazer de escutar "Vai, Meu Bem" no orginal já é recompensador. A escutei pela primeira vez na coletânea virtual Brazilian Nuggets e já gostei de cara. Esse compacto duplo é de 1968 e está imerso no clima hippie da época, misturado ainda com o típico romantismo jovem guarda. No lada A temos "Mundo Louco", que é uma versão para "Even The Bad Times Are Good". E fala que é doce viver nesse mundo, apesar dele ser louco, com a humanidade se desentendendo a toda hora, provocando confusão e perdendo a razão. Adicione ai bombas e espiões. E você tem o típico coquetel Guerra Fria & James Bond. "Molambo" é sobre o cara que aceita a mulher voltar pra ele, apesar de tudo que ela fez anteirormente. E apesar da reprovação do outros com essa reconciliação. No final o cara gosta, porque assim ele não enloqueceria de saudade e não acabaria virando "um molambo qualquer". O lada B começa com "Se Nos Disserem", uma versão para "E Se Ci Diranno". Uma típica canção anti-guerra e anti-racista made in 68. Um bom lembrete de que nosso rock daquela época não era tão alienado, como nos querem fazer crer os apologistas da mpb. E um alerta para quem gosta de caracterizar binariamente a música brasileira dos anos 60 entre o "intelectualismo" da bossa nova e a "infantilidade juvenil" alienada da jovem guarda. Encerrando o compacto temos "Vai, Meu Bem", que começa massacrando com um riff fuzz. A canção é uma ode a descrança amorosa. Uma canção sobre disilusão só poderia ser assim mesmo, um acid punk para os corações quebrados. Esse compacto duplo de 33 rotações foi lançado pela RCA Victor com o código LCD-1197.terça-feira, 11 de agosto de 2009
MySpace Control: Toda geração deve escutar a música de seu tempo
Numa dessas noites boas de se jogar conversa fiada, depois de um dia de aula numa cidade distante, eu conversava com um amigo. A conversava sempre acabava em música. Nesse dia avaliávamos a nova geração. O que queria dizer que avaliávamos um pouco a nós mesmos. Mas como se fossemos mais velhos avaliando os novatos, o que era pura ilusão. Pois tendo nascido em 1984 ou 1994, somos todos, em diferentes níveis, parte da geração que experimentou o Lp, a fita cassete, mas acabamos todos nas garras do mp3, dos blogs e dos iPods made in Paraguai. Toda geração acha que é a última, ou pior ainda, acaha que pode avaliar a turma do cara que é cinco anos mais novo que você como se fosse um velho ancião dicernindo sobre o movimento da vida. Sendo eu um saudosista inveterado, tendo a passar meus dias escutando somente os clássicos de décadas passadas. O que não é ruim. Mas de certa forma me limita e me cega para o que está sendo feito hoje. Enquanto você baixa aquele disco bacana do Adverts de 1978 para seu mp3 player, milhares de bandas estão nascendo, gravando, e fazendo shows, as vezes nem tão distantes de sua casa. Naquela conversa com meu amigo, ele falou que toda geração devia escutar a música de seu tempo. O que foi algo brilhante de se falar, mesmo ele achando que não pertencia aos dias de hoje. Assim, dando prosseguimento à nosso MySpace Control, compartilho com vocês o que gosto de escutar da música de nossos dias, em especial o punk de nossos dias e suas variantes
#The Shitty Limits (UK)
http://www.myspace.com/theshittylimits
#Los Monjo (Mexico)
http://www.myspace.com/losmonjo
#Skate Pirata (Brazil)
http://www.myspace.com/skatepunkpirata
#Tiny Masters of Today (USA)
http://www.myspace.com/tinymasters
#Davila 666 (Porto Rico)
http://www.myspace.com/davila666
#The Cute Leppers (USA)
http://www.myspace.com/thecutelepers
#Clorox Girls (USA)
http://www.myspace.com/cloroxgirls
#Jay Reatard (USA)
http://www.myspace.com/jayreatard
#Double Negative (USA)
http://www.myspace.com/thedoublenegative
#The Dealers (Brazil)
http://www.myspace.com/dealersrock
#Bonecas da Barra (Brazil)
http://www.myspace.com/bonecasdabarra
#The Jezebels (Brazil)
http://www.myspace.com/jezebelsrock
#Reprobates (Canada)
http://www.myspace.com/reprobateshc
#Thee Vicars (UK)
http://www.myspace.com/theevicarsuk
#Lovvers (UK)
http://www.myspace.com/letscommunicate
#Wavves (USA)
http://www.myspace.com/wavves
#Modulares (Brazil)
http://www.myspace.com/modulares
#FuzzFaces (Brazil)
http://www.myspace.com/fuzzfaces
#Parallèles (Brazil)
http://www.myspace.com/lparalleles
#B.U.S.H (Brazil)
http://www.myspace.com/bushklan
#XYX (Mexico)
http://www.myspace.com/xyxs
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Speed e The SS: early japanese punk
Duas coisinhas para alegrar meu dia. Duas coisinhas japonesas.
Foda! A única coisa que consegui achar desses caras foi um vídeo no youtube. Impressionante! Eles são japoneses e o vídeo é de aproximadamente 1979. Fazem um som entre New York Dolls e Dead Boys. Inclusive, um trecho dessa música me lembra bastante "Ain't Nothin' To Do", do primeiro disco do Dead Boys. Boys I Love You é visceral, agressiva e provocadora. Amei! Se alguém conseguir achar algo desses caras, por favor me avise!
Foda²! Mr. Twist do SS é ultra nervosa para ser algo de fins do anos 70. São apenas quarenta e oito segundos. É impossível não comparar à "Out of Vogue", de 1978, do Middle Class, considerada uma das primeiras canções hardcore. É nervoso! Batita 1/1, vocal hiper rápido e uma típica estrutura do hardcore primitivo e original dos anos 80. Não consigo parar de ver o vídeo. Me empolga demais! Esse vídeo é um trecho de um documentário japônes chamado "Rockers", que eu desconheço. Nesse blog há um link, porém quebrado, para o disco ao vivo deles de 1979 chamado "The SS - Live '79". O disco possue 36 faixas em 32 minutos. Definitivamente hardcore! Essa gravação ao vivo de 79 só seria lançada em 1985 pelo selo Alchemy Records e ganharia uma versão pirata em 2002. Leia aqui uma resenha do disco.
Para quem acordou desejando comer sushi, eu estou satisfeito.
Procura-se
Speeds
The SS - Live '79
Rockers (documentary)
domingo, 9 de agosto de 2009
Set List 08.08.2009
O aniversário de 4 anos da Ultras Resistência Coral foi muito bom. A festa começou um pouco depois do horário, mas todas as bandas tocaram. Skate Pirata, Outubro e Ska Brothers mandaram bem. E entre uma banda e outra toquei algumas coisas. Aqui vai o setlist, playlist ou mixtape, como queiram, do que coloquei pra tocar.Enjoy.
Cover: Mirian Linna
01 The Damned - new rose
02 The Adverts - bored teenagers
03 Undertones - teenage kicks
04 Buzzcocks - breakdown
05 Teenage Head - picture my face
06 The Wipers - tragedy
07 Avengers - we are the one
08 Los Violadores - represion
09 Inocentes- pânico em SP
10 Polo Pepo - San Felipe es punk
11 Cheap Time - people talk
12 Nikki and The Corvettes - young & crazy
13 Clorox Gilrs - don't take your life
14 The Oppressed - all together now
15 Death - keep on knocking
16 Joy Division - warsaw
17 Angry Red Planet - curling
18 La Manada - punks de puta madre
19 The Cute Leppers - opening up
20 The Dickies - fan mail
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Agenda - Sangue, Suor e Arquibancadas
Goodbye John (RIP John Hughes)


quinta-feira, 6 de agosto de 2009
The Wild World of Hasil "Haze" Adkins

Carne, café e espírito selvagem
Hasil “The Haze” Adkins viveu até o dia 28 de abril em um trailer ao lado da mesma casa que nasceu e nunca abriu mão de tocar uma música apaixonada, agressiva e verdadeira. A causa de sua morte permanece desconhecida, mas ele deixou órfãos grupos como os Cramps, Demolition Doll Rods e Jon Spencer Blues Explosion. George Araújo desvenda o universo demente e fascinante deste intrigante senhor que mal sabia a sua idade.
Adkins compunha desde a década de 50 mas gravou poucos discos.
A história é velha e todos já devem ter conhecido alguém na mesma situação: perdido em um quarto ou em um interior qualquer dos quintos dos infernos, está simplesmente uma pessoa genial e sem instrução alguma fazendo coisas inimagináveis a partir do nada. Essa pessoa improvisa, contorce e distorce o senso comum justamente por voltar ao básico da maneira mais boba possível. É aí que reside a sua genialidade.
Hasil Adkins foi essa pessoa. Nascido e criado nas colinas americanas de Madison, West Virginia, este senhor que mal sabia a própria idade [afirmava ter 67 anos, aproximadamente], condenou todas as almas que escutaram sua música à inquietação eterna. Compondo desde a década de 1950, sabia de cor mais de nove mil canções [apenas 25% eram covers!] e executava todas elas com fúria e paixão nunca vista antes no pretensioso showbiz americano.
Enquanto caçava galinhas e animais silvestres, Hasil se divertia em inventar as mais absurdas histórias envolvendo sexo, decapitação, danças esquisitas e órgãos governamentais. Todas essas histórias aliadas aos hormônios em fúria e rock’n’roll clássico transformaram-no em uma nervosa banda-de-um-homem-só – ele cantava, tocava violão, gaita e bateria simultaneamente.
Adkins traduziu sua realidade em música. Gemia e assobiava e rosnava até para quem não quisesse ouvir. Ele aparentemente não vivenciava as coisas com uma pessoa comum e conseguia partir da mais descabida alegria para um imenso mar azul e triste – isso gritava dentro dele. Seu grito foi tão forte que causou a metamorfose do manso rockabilly em um peçonhento e ultradivertido psychobilly, mas para isso foi necessário um tempo.
Foram quase duas décadas desde o lançamento de “My Baby Loves Me”, seu primeiro single, para conseguir algum reconhecimento. Nem mesmo Richard Nixon, presidente americano na época, escapou de receber algumas fitas. A obscuridade total durou até os Cramps gravarem uma versão para “She Said”. Essa música catapultou o adulto Hasil à condição de cult e fez com que um single feito em 1964 fosse confundido como uma produção do início dos anos 80. Na velha casa da colina, porém, nada mudou e Adkins ficava alheio ao que se passava. Foi preciso que dois fãs criassem um selo para gravar seu primeiro álbum.
Nasce um selvagem
The Wild Man foi gravado em 1984 e lançado dois anos depois pela Norton Records. O álbum traz baladas sangrentas como “Turn Off a Memory” e nervos expostos do naipe de “Chicken Flop”. Provavelmente o maior problema desse disco para o grande público era a execução das músicas. Levando-se em consideração que sua carreira até então tinha sido marcada por singles mal gravados [além de viciado em café, vodca e carne crua, Hasil Adkins tinha o péssimo hábito de não cuidar de seus registros originais], comercialmente ele fora um fracasso. Mas a pedra-fundamental havia sido lançada. Partindo deste ponto, Billy Miller e Mirian Linna [primeira baterista dos Cramps e co-fundadora da Norton] selecionaram diversas músicas compostas pelo Selvagem entre 1961 e 1976 para transformar em bolachas.
Então a história mostrou mais uma vez que é cíclica. Tal qual um certo Velvet Underground, poucos compraram os discos de Hasil, mas todos que o fizeram montaram uma banda. Daí para frente, as coisas foram acontecendo de tal maneira que ele abriu um show do Public Image Limited em Nova York, ainda em 1986. Os dados sobre sua discografia divergem, mas são creditados a ele 15 álbuns, 23 singles e dois EPs.
Sua selvageria e tristeza singraram os mares e invadiram corpos de jovens espalhados por todo o globo. Na Europa, pessoas que figuram o selo übercool Voodoo Rhythm realizaram um festival apenas com bandas-de-um-integrante-só. Tal festival contou com a presença do próprio Hasil Adkins mais Margaret Doll Rod, Rev. Beatman e DM Bob, entre outros.
Açougueiro solitário
Aqui no Brasil, encontramos no paulista Marco Butcher [frontman do Thee Butchers Orchestra], que tocou no festival citado acima] as sementes da música selvagem plantada por Hasil, o homem-selvagem. Marco lançará no segundo semestre um disco como one-man-band, chamado Skull Santa In All About Girls. Segue abaixo uma pequena entrevista com o açougueiro, sobre a condição de músico solitário.
Você lembra ou imagina o que passou pela sua cabeça na hora que ouviu pela primeira vez uma música do falecido Hasil? E como foi tocar nesse festival em que ele participou?
Bom, ganhei um disco dele de presente do Danny Doll Rod, que sempre foi muito fã dele. Me lembro de ter achado tudo aquilo muito primitivo e cru, assim como a maioria das coisas que sempre achei legal ouvir. Afinal, a música feita por ele sempre foi supersimples e bem calcada no blues. Tocar nesse festival foi bem legal. Primeiro porque tive a chance de ver muita gente boa tocando ao vivo, depois porque é uma forma de manter a tradição do blues viva e mostrar que a musica blues não é aquela coisa chata feita por BB King ou outros que se deixaram urbanizar e perderam seu link com o primal.
Hasil Adkins teve efetivamente alguma influência na sua performance de palco ou mesmo nas composições?Não saberia dizer se tive ou não, de forma direta, alguma influência de Adkins em minha música. Acho que isso acabou acontecendo de uma forma mais ligada à atitude de estar no palco totalmente só. Ou seja, sem uma banda.
O que lhe motivou a se "tornar" uma banda-de-um-homem-só?Acho que o principal motivo é a possibilidade de estar fazendo free music. Self-expression fulltime, entende? Digo, sem uma forma ou uma ordem. Às vezes mudo a música e os refrões no ultimo segundo, de acordo com meu humor. Isso traz para minha música uma liberdade única.
Você disse em outro momento que era uma questão de atitude. Que atitude seria essa?
Bom, quando falo de atitude, eu me refiro ao lance de estar só em cima do palco. A maioria das pessoas fica em casa reclamando que não consegue montar a banda perfeita ou que ainda não encontrou aquele baixista. Eu não espero ninguém. Se tenho algo a dizer, digo. E isso é que faz o lance de ser uma one-man band. Você não depende da vontade dos outros de estar em uma banda. Acho que isso, sim, seria a coisa mais punk, saca? Tipo, você fazendo seu lance e dando a cara para bater. Sem desculpas, sem maquiagem, sem tecnologia. Só você, sua guitarra, seu bumbo e Deus: o espírito do gospel yeah yeah sound.
Como se sente em gravar um disco com essa proposta mais intimista sabendo que o Brasil não tem essa cultura de respeitar a música pela música?
Não acho que meu disco seja mais intimista do que qualquer outro que já gravei com os Butchers. Afinal, não se trata de um disco acústico, nem nada. Ele é supersujo e barulhento como os outros. Só que todo esse poder é provido por uma pessoa só e isso faz a diferença. É claro que o fato de eu estar mais voltado para o swamp blues traz climas mais escuros pra minha música, mas não chega a ser mais intimista. Todo o swing e soul necessários para um bom boogie são encontrados nesse disco. [GA]
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Trash News: Os Baobás relançados

Resenha da gravadora
OS BAOBÁS - LP - GROO0018LP - 600 COPIES
Finally the long waited reeisue of the most important band of garage 60's in Brazil. OS BAOBÁS. The original LP, together with The Beat Boys Lp, is today one of the most whanted records for the garage collectors. Unfortunely the original album have a problem in the sound. None of the pressed LP's have a good sound. Now we put together all the singles with the original album along with remastered sound. The singles included track like Bye Bye My Darling Goodbye, Down Down Down and the powerful cover of the Stones, Paint In Black (Pintada de Preto).
Os Baobás were one of the most important bands in São Paulo’s garage rock scene of the sixties, but they have remained in obscurity until now, despite their not so limited discography. The band is best remembered for having included Liminha (later on a Mutantes member and a producer) in its line-up and having played with Caetano Veloso, replacing the Beat Boys. But their most valuable treasure is the series of singles they recorded between 1966 and 1968.
The LP brings the complete discography, photos, singles covers and a bio in the back of the LP.
Exclusive Distro by Guerssen Records
sábado, 1 de agosto de 2009
Los Bestias (1967)
Apresentação datada de 1967 do obscuro grupo argentino Los Bestias no programa La Escala Musical. Nota para o exagerado mop top do vocalista que mais parece um capacete, para o ar blase do baterista e para o logo da banda na bateria imitando o dos Beatles.Ao que parece não chegaram a gravar nenhum disco. Então, aproveitem esses excelentes temas.
Mais alguns vídeos dos Bestias


