quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O original e a versão: Police on my back
sábado, 11 de setembro de 2010
Honra e glória a Joe Strummer
Versão de Joe Strummer and The Mescaleros para Redemption Song" de Bob Marley.
"Mas minha mão foi feita forte
Pela mão do Todo-Poderoso
Nós avançamos nessa geração
Triunfantemente
Você não vai ajudar a cantar
Essas canções de liberdade?
Porque tudo que eu tenho sempre
canções de redenção
canções de redenção"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Killed By Glam - 16 UK junk shop glam rarities from the 1970's
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Dr. Feelgood - She does it right (1975)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Obscure Power Pop & Punk Rock
Fast Cars é uma banda do final dos anos 70, original de Manchester, que acabou no começo dos 80. Eles acompanharam o The Jam em turnês e tocaram com XTC, The Buzzcocks, Joy Division, The Fall e The Rezillos, só gente boa que deveria se esforçar para manter o mesmo nível de energia que o Fast Cars esbanjava nas suas apresentações. Ao que parece lançaram apenas um single, que hoje vale a bagatela de 150,00 libras no mercado de colecionadores de power pop. Para fazer a alegria dos mortais a Detour Records, especializada em reedições de power pop, trouxe da obscuridade, além do single, várias músicas nunca antes lançadas e colocaram no mercado um cd/LP com 17 faixas chamado "Coming... Ready or Not" em 2001. Se você entende daquela energia pop em alta voltagem dos Buzzcocks você irá gostar do Fast Cars.
The Go foi uma banda novaiorquina original do subúrbio de Yonkers surgida no meio daquela explosão power pop do final dos 70 e começo dos 80. Fizeram sua primeira apresentação no lendário CBGB'S. Na ativa lançaram apenas um ep com quatro sons, dos quais um deles é "Instant Reaction" que você confere nesse vídeo de 1980. Esse ano é também a data de gravação e lançamento do ep, prensado em apenas 1.000 cópias pela Titlewave Productions. O ep foi produzido por Rob Freeman, o mesmo cara que produziu o primeiro dos Ramones e os dois primeiros do Blondie. Em 2004 o selo japônes Wizzard In Vinyl lançou um cd contendo o ep mais 17 outras faixas. Em 2006 o selo italiano Rave Up Records lançou também um LP resgatando a obra do The Go.
Esse vídeo é uma apresentação do The Rattlers tocando "On the Beach" no programa de TV The Uncle Floyd Show. Uma curiosidade sobre a banda é que ela conta com o irmão de Joey Ramone nos vacais e guitarra. Confira o vídeo e perceba o tom de voz bem parecido com o do irmão.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Punk galego e Power pop britânico
Novedades Carminha é uma banda da região da Galiza, pertecente a administração do Estado espanhol, apesar da cultura e lingua diferenciada. O grupo lançou uma demo cassete no ano passado com o nome de "Grandes Éxitos". Participaram da compilação Matado por la Muerte e esse ano lançaram seu primeiro LP com o nome de "Te Vas con Cualquiera" pelo selo espanhol Bowery Records. Aqui você confere o clip de "Yo no Uso Codón", canção do recente LP.
The Fans é uma banda inglesa, de Briston, do final dos anos 70. A música que você confere aqui no vídeo é do seu primeiro single, lançado em 1979 pela Fried Egg Records. Power Pop dos bons.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)

Garage Punk da Última Hora Com os Vigários
(Atendendo a pedidos vindos da Paraíba e abrindo o leque Lixo Jovem para os anos 2000, aqui vai o primeiro disco dos Vicars)
Os Vicars é formado por Mike Whittaker, Chris Langeland , Marcus Volkert e Will Pattenden. Na verdade eles são um bando de moleques com idade entre 17 e 19 anos, vindos de Bury St Edmunds em Suffolk, localizada no leste da Inglaterra. Possuem uma demo, dois singles e no final de 2008 lançaram seu primeiro álbum pela Dirty Water Records.
Com muitas apresentações ao vivo o grupo tocou em todos os meses do ano passado, inclusive abrindo no retorno dos Mummies em Valencia na Espanha.
Back On The Streets abre com uma introdução demoníaca e logo depois vem a faixa título que lembra Night of The Phantom de Larry and The Blue Notes. Daí você já tira todo o clima Back From The Grave no qual estão imersos esses rapazes. Os vocais em faixas como Don't Try to Tell Me também vão lhe fazer lembrar dos Mummies, os auto-intitulados reis do budget rock, aliás, uma das faixas do disco leva esse nome. Já em canções como You Better Watch Out e I Don't Wanna be Like You dá pra sentir um pouco do veneno de 1977 nos caras.
Esses meninos poderiam está idolatranto astros da Mtv ou escutando “emo” de supermercado, mas preferiram ficar com o Billy Childish, Mummies, punk, surf e garage rock. Coisas assim não acontecem todo dia. O futuro promete.
Teen Trash
tracklist
01. Introduction to Thee Vicars
02. Back on the Streets
03. Why Have You Changed?
04. Mindless Squares
05. Budget Rock
06. Small Town Blues
07. Don't Try to Tell Me
08. Tore My Heart
09. The Dreaded Day Job
10. Gonna Make You Mine
11. They Lied to You
12. You Better Watch Out
13. I'll Hunt You Down
14. I Don't Wanna be Like You
15. Leavin' Here
16. Straight Home*
*Falta a faixa 16
Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Thee Vicars - Back On The Streets (2008)
Garage punk da última hora com Thee Vicars. A banda lançou um ótimo disco em 2008 pela Dirty Water Records. Destaque para a idade de seus integrantes, que possuem de 19 a 17 anos. Em breve disco para download aqui no blog.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
História do Northern Soul
Você mora numa cidade perdida em algum lugar do norte da Inglaterra. Centenas de fábricas ocupam o horizonte com chaminés, poluindo o céu com um vômito de fumaça cinzenta e escura. Durante a semana, em uma dessas fábricas, você trabalha numa escravidão das nove às cinco: manejando na linha de produção, varrendo o curral, removendo merda. O trabalho é ingrato, mas ele te paga o suficiente para você viver. Mais importante, ele te paga o suficiente para você sair e dançar. Porque embora a fábrica talvez seja seu trabalho, isso certamente não é a sua vida. Todos os finais de semana, você viaja para outras cidades perdidas do norte, se veste legal, se entope de drogas e dança pra valer músicas obscuras de soul music, sonhando o tempo todo com cantores de impossíveis lugares glamourosos como Detroit, Chicago e Philadelphia. Sua vestimenta é fora de moda, mas bastante prática. Das suas polos brancas da Fred Perry descendo para seus sapatos de sola de couro Ravel, tudo que você veste é para conforto e agilidade. As drogas que você toma também são práticas: um exército de anfetaminas, engolidas para o único propósito de deixar você na pista de dança até o amanhecer. Você dança discos de artistas desconhecidos, de gravadoras que ninguém conhece, cantando canções que pouquíssimas pessoas escutaram até hoje. Porém são esses discos que são seus únicos tesouros, os únicos que você gasta dezenas de pounds - as vezes até milhares - do seu magro salário para adquiri-los. Seus amigos, ainda no rock progressivo ou então descobrindo os moldes pop-glitter do glam rock e Bowie, riem de você. Eles não entendem o mundo secreto que você habita. Eles não entendem as roupas, a música e os rituais da sua existência underground. Na sua cabeça, você faz parte de um grupo fechado, você pertence a um dos mais puros e descontaminados movimentos musicais de todos os tempos. Você é um “Northern Soul boy”.
Exatos quinze anos antes da cultura rave chamar atenção para sua existência, Northern Soul apareceu com quase um plano total. Aqui havia uma cena onde garotos da classe trabalhadora saiam juntos em grande número, vindos de vários lugares e distâncias, para lugares obscuros, para tomar drogas e dançar músicas que ninguém mais se importava. Foi uma cena em que união era tudo. Foi bastante ignorada ou tratada sem respeito pelos sofisticados jornalistas musicais ou pelos clubs de Londres, permitindo que ela se desenvolvesse vastamente, sem perturbação ou observação. E, como no movimento rave (em que a “essência do movimento” divergiu do lado mais mainstream da cena na tentativa de preservar o espírito original da música), Northern Soul acabou num dramático final, assim como os DJs progresivos encontraram sua política/mente musical mais aberta, com forte oposição dos tradicionalistas, a “essência do movimento”. Northern Soul tem sido amplamente descrito como um não-influente movimento musical, mas de fato ele foi um passo muito importante para a criação da atual cultura club e também para a evolução dos DJs. Muitos dos primeiros discos que atingiram as paradas na Inglaterra decorrentes dos clubs vieram dos clubs de Northern Soul. E foram os DJs de Northern Soul que introduziram muitas das inovadoras artes ‘estilosas’ de discotecar e certamente não foi coincidência que o primeiro DJ com aptidão suficiente para tocar House veio de um passado Northern Soul. De fato, até a Disco-Music emergir em New York, graças ao Northern Soul e clubs como Catacombs e Twisted Wheel, a cultura britânica de DJ estava muito mais avançada do que na América. O que o Northern Soul trouxe ao DJ foi obsessão. Pois isso cravou uma incrível recompensa na cultura da raridade musical, fez dele um obsessivo e compulsivo colecionador de vinil. Isso ensinou à ele o valor de discotecar discos que ninguém tinha, de gastar meses, anos e milhares de pounds na procura daquela canção inédita que poderia trazer o público, a audiência sob seu domínio. Mandou o DJ atravessar oceanos para caçar em empoeirados e miúdos armazéns de discos por clássicos desconhecidos, que sua concorrência não tinha e não poderia tocar. Northern Soul mostrou ao DJ como transformar o vinil em pó de ouro.
Um gênero construído do fracasso
Quando Eddie Holland, Lamont Dozier and Brian Holland ouviram o novo hit dos The Four Tops em 1965 pela Motown chamado “I Can`t Help Myself” (o primeiro havia sido “Ask The Lonely”, do ano anterior), perceberam que ele poderia ser bastante influente para uma estranha turma de DJs obcecados por soul-music no norte da Inglaterra. Da abertura com salva de bateria, baixo e piano até os grandiosos arranjos de cordas, e ressonantes e rítmicos vibrafones que serviam de base para a voz de Levi Stubbs, isso rendeu um padrão, uma forma para o Northern Soul. “I Can`t Help Myself” tinha exatamente o tipo de sonoridade que eles queriam no Twisted Wheel. Neste club simples com clima de porão, perto do centro de Manchester, por volta de 600 garotos se espremiam todos os sábados à noite e dançavam os sons mais raros do país. Dançavam até 7h30 da manhã de domingo. O Twisted Wheel abriu em novembro de 1963, localizada em 26 Brasenose Street, como um lugar que varava a madrugada, tocando um mix de blues, early-soul, bluebeat e jazz (no dia 18 de setembro de 1965 ele se mudou para uma segunda localidade, em 6 Whitworth Street). A novidade das festas que varavam a madrugada rolou por um tempo e foi sem dúvida o primeiro a alimentar esses garotos. Mas em dois anos, como o costume nos clubes mudou significantemente, o Wheel poderia se tornar um raro oásis para tal música. Em Londres e no sul, o rock underground começou a dominar. Mas nos clubs do norte, essa tendência não virou moda, não pegou. Talvez por causa que o norte, predominado pela firme classe trabalhadora, se prendeu numa tendência de sessões de soul que se estendia madrugada adentro. Talvez isso rolava simplesmente porque a cultura pop se espalhava mais devagar do que agora. As comunicações entre Londres e o resto do país eram certamente mais limitadas e as únicas revistas relevantes de música se especializaram em rock e pop. Então os “wheelites” (freqüentadores do Twisted Wheel), cheios de felicidades, não estavam cientes de que estavam se tornando um anacronismo, continuando a dançar os contagiantes discos de soul que eles tanto amavam. Havia uma boa razão para o clima rápida das músicas tocadas no Wheel. Sua clientela era presa à velocidade. Eles consumiam pastilhas inteiras de comprimidos de tarja preta, como os prellies e dexys (drinamyl, preludine e dexedrine), tanto comprados dos traficantes dentro do club ou roubados das farmácias. Não era raro freqüentadores que estavam indo para o club pararem no meio do caminho para entrar numa farmácia e roubar essas drogas, e assim conseguir seus sustento para mais uma noitada. “Esses caras ‘bad boys’ tinham que patrulhar de vários jeitos em Wigan,” lembra Ian Dewhirst, “e olhar para as lojas farmacêuticas que não tinham uma boa segurança. E não importava por onde eles entravam, você poderia quase apostar sua vida que alguma farmácia seria assaltada.” Abastecidos por essas anfetaminas, eles dançavam de várias maneiras um específico tipo de música. O tempo rítmico era tudo. Para rolar isso no Wheel, uma música tinha que ser energética o suficiente para deixar agitado os “speed-freak-dancers” - impulsionada por uma urgente e pesada batida Motown, com trompetes e instrumentos de cordas e com um melodramático vocal negro. Essa música não era funkeada, mas era rápida. As letras não falavam de sexo, mas sim sobre amor; melodias sentimentais que provia a trilha sonora da libertação da mente dos trabalhos monótonos das fábricas. “O Twisted Wheel era um lugar incomum, pequeno, com cinco ambientes e pisos de pedra”, lembra Dave Evison, que mais tarde discotecou no Casino, em Wigan. “Bicicletas estacionadas em todos os lugares que você olhava. Levei quatro semanas pra descobrir onde o DJ ficava: ele ficava escondido atrás de uma pilastra velha de metal! Como parte da dança, os garotos costumavam correr e dar pulos, e ver quão alto eles conseguiam pular. Foi uma coisa jovem, ansiosa. Havia um respeito pelos disc jockeys; havia um respeito pelo que ele tocava. Foi uma boa cena”. O que era extraordinário era a mobilidade dos ‘clubbers’ que começaram a ir lá. Aficionados por soul viajavam vários quilômetros para chegar no Twisted Wheel. Se você achava que ninguém tinha sido capaz de deixar sua cidade e ir dançar em outra cidade até a época das raves, pense novamente: esses garotos estavam fazendo isso não em 1989, mas em 1969. “Uma das partes da diversão era de fato viajar até lá”, relembra Carl Woodroffe, que como Farmer Carl Dene iria se tornar um dos DJs pioneiros da cena. “E as rodovias não existiam como elas são agora. A M6, por exemplo, não iniciava até que você fosse no norte de Cannock para ir para Manchester”. Cobertos por roupas normais, ‘wheelites’ como Dene faziam uma jornada até Manchester antes de se ‘transformar’ com ternos bem passados, camisas justas e gravatinhas estreitas. Este estilo, que predominava no Wheel, veio para esses clubbers oriundo dos mods do começo dos anos 60. E, sem dizer respeito ao calor do club, esse era o jeito que você tinha que ficar até voltar pra casa. “Você ficava encharcado de suor, mas tinha que ficar com o terno até sair do club” ri Dene. “Mas com o terno sempre era uma boa forma de você chegar nas garotas. Era ótimo aquilo”. O primeiro Twisted Wheel na Brasenose Street foi onde originou a sonoridade do Northern Soul. O DJ residente Roger Eagle tinha um gosto eclético pela black-music, tocando o blues do Little Walter, o jazz moderno e pesado do Art Blakey, mixando isso com Solomon Burke e o som da Motown do começo. Embora importações fossem escassas no começo dos anos 60 na Inglaterra, ele foi fazendo dinheiro importando discos em xadrez da América, e tocando esses discos desde o começo do Wheel. Entretanto, Eagle viu os ‘speed-dancers’ ditar cada vez mais o clima de seu set. Eventualmente ele ficava frustrado com a cena de anfetaminas que rolava no Wheel, forçando seu eclético playlist em direção a um único e forte clima e tempo rítmico. “Eu comecei o northern soul, mas de fato achei a música muito limitada”, ele conta, “porque nos primeiros dias eu tocava uma música da Charlie Mingus, depois mandava um hit, seguido por uma canção do Booker T., depois uma do Muddy Waters ou do Bo Diddley. Gradualmente, havia essa adoração por uma espécie de som. Quando comecei a discotecar, podia tocar o que queria. Mas depois de três ano, tinha que me limitar a um único tempo rítmico, o que é o que o northern soul é”. Claramente, na época que o Wheel se mudou para a Whitworth Street, essa música tinha se encolhido consideravelmente. Os últimos DJs residentes - Phil Saxe, Les Cokell, Rob Bellars, Brian Phillips e Paul Davies - se concentraram em ritmos mais agitados e rápidos. Naquele tempo, o Wheel era o lugar para se tocar. “Oh, era um lance meio cult no Wheel se você discotecasse lá”, conta Bellars, rindo. “Haviam pessoas implorando para fazer isso!” Embora havia uma considerável variação de estilos e rítmos, os DJs tocavam um soul muito restrito e limitado. “Nós estávamos tocando algo a mais do que era chamado de rhythm and blues, mas depois tocávamos novos lançamentos como Incredibles, Sandy Sheldon e todos os bons discos do EUA. Discotecávamos coisas importadas como “Agent Double-O Soul”, do Edwin Starr. Tocávamos coisas do Revilot e Ric-Tic. Tudo na OKeh veio do Wheel. Eles não eram necessariamente freneticamente rápidos, mas foram os precursores do que ficou conhecido como Northern Soul”. Bellars está preparado para desmentir os falsos boatos que foram espalhados sobre a música do club. “As pessoas diziam que o Wheel só tocava lançamentos britânicos”, ele diz, “mas isso era besteira”. Na verdade, ele e seus amigos caçavam por discos em todos os lugares: da influente loja Corner em Londres, de alguns lugares de Midlands e de lojas americanas, como a Randy, no Tennessee.

