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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Notas da blogosfera - Coquetel Molotov


Nessa semana foi postado no blog Velha Escola - Nova Escola uma compilação de material ao vivo dos lendários cariocas do skate punk Coquetel Molotov. Originalmente o material é uma tape lançada pelo selo Sk8 punk e compreende apresentações da banda entre 1981 e 1987, realizando assim uma bela arqueologia do punk brasileiro daquela década. Visitem o blog e baixem a tape.

domingo, 1 de agosto de 2010

Transistors, FuzzFaces e Os Haxixins

Três momentos da recente garagem paulista, possivelmente o que melhor se produziu em termos de garage rock no Brasil nos últimos 10 anos.





sábado, 17 de julho de 2010

Os Estudantes na MRR de agosto

Os cariocas do Estudantes sairão na capa da edição de agosto da Maximum Rocknroll, um dos mais antigos zines punks estadunidenses, na ativa desde o final dos anos 70. A foto que estampa a capa é do "fudido e xerocado" Mateus Mondini. Os Estudantes são responsáveis pelo mais interessante e melhor disco brasileiro de punk rock de 2009, seguidores que são da cartilha Black Flag, elevaram o punk nacional a um nível bem acima da média do que estamos acostumados a ouvir por aqui. Audição obrigatória! 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Igreja do Sexo: goth-punk entre o sombrio e a fúria

É muito gratificante quando a Web consegue lhe oferecer algo mais do que rede sociais, mensagens de 140 caracteres e spams.

Conheci a Igreja do Sexo pelo myspace quando eles tinham apenas seus arquivos de ensaio. Agora saiu um ep chamado Hall da Escória, pela Zorch Factory Records.

Depois da entrada e saída de integrantes o grupo voltou para sua formação original, um duo formado pelo casal Sonâmbulo (vocais, baixo e programação) e Rasputina (guitarra). A idéia inicial do grupo paulista era fazer um som mais punk na cena goth/dark wave e podemos dizer que em Hall da Escória eles conseguiram atingir seu objetivo. Em 2009 participaram do Brazilian Tribute To The Original TSOL, o que já deixa bem claro suas raízes no goth-punk.

Não bastasse a ousadia de "re-fundir" punk e goth, o Igreja do Sexo vai mais além e entrega para os ouvinte um surf-goth-punk em Surf Aliens, quebrando o limite das estéticas roqueiras.

Para quem tem medo de se arriscar musicalmente e criativamente, talvez a Igreja do Sexo soe punk demais para os guetos goths e gótico demais para a estreita visão de certos punks. A fusão de punk e goth quando bem feita consegue transitar seguramente na fronteira dos dois estilos e casar os elementos em comum, a fúria e o sombrio, sem perder a identidate, sem se tornar uma panacéia desconfigurada. O órgão que ambienta as músicas dá um toque especial ao som da Igreja do Sexo, o que me lembra um Los Reactors sinistro, uma espécie e killed by death do cemitério. No geral o som remonta as boas bandas punks dos 70 e ao goth original dos 80, onde UK Decay com certeza é uma referência.
 
 

quinta-feira, 25 de março de 2010

O retorno da garagem e da psicodelia em discos

Queria registrar aqui dois recentes lançamentos do selo português Groovie records. Estes lançamentos dizem respeito aos brasileiros, por se tratar do resgate de uma parte esquecida e por vezes menosprezada de nossa discografia, o rock de garagem e a psicodelia nacional. 

O primeiro é o lançamento da discografia do The Bubbles em Lp, contendo seu compacto de 1966 e temas inéditos. Raw and Unreleased traz, entre outras, uma versão para For your love do Yardbirds e a inédita Get of my land. Esse é também um duplo resgate, pois o Lp contém duas canções raras do compacto de 1971 de A Bolha, grupo que se originou do The Bubbles.

O outro lançamento diz respeito ao desenvolvimento posterior do rock de garagem, a psicodelia. Com o título de Brazilian guitar, fuzz bananas já fica indicado o direcionamento do disco, permeado pelo sincretismo moderno do tropicalismo, abrangendo o período de 1967 a 1976. 

Podemos classificar esse disco como um lançamento de luxo, pois além de ser um Lp duplo, acompanha um óculos 3D e um livro com fotos e biografia em inglês e português de todas as bandas. Na mesma linha do bom trabalho de garipagem da Groovie, o lançamento contem material raro e também inédito. Além de conter a participação de The Pops, do desbocado Sergei e do delirante Fábio, o disco resgata nomes esquecidos e raros como Loyce e os Gnomos, Banda de 7 Léguas e Marc Rybell.

Outra novidade do selo é que as compras agora poderão ser feitas através de depósito bancário pelo Banco do Brasil. Para mais informações de como adquirir seus discos, escreva para  contact@groovierecords.com.
 
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Agenda - A Grande Zoação do Rock 'n' Roll




Djs
Jonnata Doll
Bassman' 60

05/02
21:00
R$ 8,00
Mocó Estudio


OBS: para esse show poder ser um dos melhores do ano, com um apanhado geral do punk made in Fortaleza, eu acrescentaria a participação do Dago Red. Fica ai a dica para o próximo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mahatma Gangue e Renegades of Punk no DoSol



Vídeo realizado pela revista virtual O Inimigo que conta com a participação de duas bandas queridas do Lixo Jovem, Mahatma Gangue e Renegades of Punk. O vídeo contêm trechos da apresentação das bandas no DoSol Rock Bar, em Natal (RN), e entrevistas com os integrantes.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Agenda - Turnê Nordeste Velho de Câncer

05/02 - Fortaleza - CE
06/02 - Mossoró - CE
07/02 - Natal - RN
19/02 - João Pessoa - PB
20/02 - Recife - PE
21/02 - Maceió - AL
27/02 - Aracaju - SE
28/02 - Salvador - BA

www.myspace.com/velhodecancer

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os Incríveis me fizeram voltar a pé

Nunca entre numa loja de discos quando você tiver pouco dinheiro. A menos que você seja uma daquelas pessoas controladas. O que não é meu caso. Dei o que tinha nesse compacto dos Incríveis, até o dinheiro do ônibus. O resultado é que tive que voltar pra casa a pé. Mas valeu cada centavo. Só o prazer de escutar "Vai, Meu Bem" no orginal já é recompensador. A escutei pela primeira vez na coletânea virtual Brazilian Nuggets e já gostei de cara. Esse compacto duplo é de 1968 e está imerso no clima hippie da época, misturado ainda com o típico romantismo jovem guarda. No lada A temos "Mundo Louco", que é uma versão para "Even The Bad Times Are Good". E fala que é doce viver nesse mundo, apesar dele ser louco, com a humanidade se desentendendo a toda hora, provocando confusão e perdendo a razão. Adicione ai bombas e espiões. E você tem o típico coquetel Guerra Fria & James Bond. "Molambo" é sobre o cara que aceita a mulher voltar pra ele, apesar de tudo que ela fez anteirormente. E apesar da reprovação do outros com essa reconciliação. No final o cara gosta, porque assim ele não enloqueceria de saudade e não acabaria virando "um molambo qualquer". O lada B começa com "Se Nos Disserem", uma versão para "E Se Ci Diranno". Uma típica canção anti-guerra e anti-racista made in 68. Um bom lembrete de que nosso rock daquela época não era tão alienado, como nos querem fazer crer os apologistas da mpb. E um alerta para quem gosta de caracterizar binariamente a música brasileira dos anos 60 entre o "intelectualismo" da bossa nova e a "infantilidade juvenil" alienada da jovem guarda. Encerrando o compacto temos "Vai, Meu Bem", que começa massacrando com um riff fuzz. A canção é uma ode a descrança amorosa. Uma canção sobre disilusão só poderia ser assim mesmo, um acid punk para os corações quebrados. Esse compacto duplo de 33 rotações foi lançado pela RCA Victor com o código LCD-1197.

domingo, 2 de agosto de 2009

Trash News: Os Baobás relançados


A Groovie records relançou o único Lp dos lendários Baobás. O disco vem acrescido de todos os compactos da banda, com as incríveis Bye Bye My Darling e Down Down. E também reproduz a capa original de 1968. Essa gravadora portuguesa está fazendo um importante trabalho de resgate da garagem brasileira através de seus lançamentos, todos em vinil diga-se de passagem! Esse lançamento sucede a reedição do Lp dos Beat Boys nesse resgate da garagem brasileira. Edição limitada em 600 cópias.


Resenha da gravadora

OS BAOBÁS - LP - GROO0018LP - 600 COPIES

Finally the long waited reeisue of the most important band of garage 60's in Brazil. OS BAOBÁS. The original LP, together with The Beat Boys Lp, is today one of the most whanted records for the garage collectors. Unfortunely the original album have a problem in the sound. None of the pressed LP's have a good sound. Now we put together all the singles with the original album along with remastered sound. The singles included track like Bye Bye My Darling Goodbye, Down Down Down and the powerful cover of the Stones, Paint In Black (Pintada de Preto).

Os Baobás were one of the most important bands in São Paulo’s garage rock scene of the sixties, but they have remained in obscurity until now, despite their not so limited discography. The band is best remembered for having included Liminha (later on a Mutantes member and a producer) in its line-up and having played with Caetano Veloso, replacing the Beat Boys. But their most valuable treasure is the series of singles they recorded between 1966 and 1968.

The LP brings the complete discography, photos, singles covers and a bio in the back of the LP.

Exclusive Distro by Guerssen Records

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Selvagens Vol. 3 - Obscure Brazilian 60's Garage Beat and Punk Groups (Teen Trash, 2009)


Nesse terceiro volume vamos levar nossa viagem ao patamar da obscuridade beat e garageira brasileira.

Com exceção de um ou dois grupos, esses anônimos nunca lançaram mais que um mísero compacto. Tocaram apenas em domingueiras e bailinhos adolescentes, festas de aniversário e casamentos, quermesses e batizados. Nunca foram mais do que os roqueiros do bairro, ou os transviados da rua de trás. Se tinham algum sonho de se tornarem artistas e seguir o caminho de glória dos Beatles, isso logo foi quebrado em decorrência das demandas da vida real: emprego, para os mais pobres, universidade para os "mais bem de vida".

Esse é o ethos garageiro. Uma vida curta e musicalmente precária. Um sopro adolescente até a chegada da vida adulta.

Nesse volume, poderemos escutar a primeira banda na qual Reginaldo Rossi cantou, The Silver Jets, direto do Recife dos anos 60.

Para o ouvinte acostumado aos álbuns conceituais e com embasamentos filosóficos e elucubrações artísticas, essas canções possivelmente não tenham valor algum. Mas para o roqueiro inveterado, essas canções são um poço do mais sincero e ingênuo rock. Sem pretensões de soar inteligente, com o objetivo apenas de declarar seu amor juvenil às paixões mais platônicas e aos olhos mais bonitos do colégio. Algo que você jamais conseguirá repetir aos 30 ou 40 anos de idade. É ai que reside toda "originalidade repetitiva" desses grupos, ao captar um estado de espírito que só se vive uma vez na vida.

Nomear sua banda de os Pássaros e achar isso "um estouro" é algo que está distante anos-luz de toda a pretensão cult do rock atual. Milhares de grupos batizados como se fossem gangues: Os Fugitvos, Os Drmáticos, Os Inocentes, Os Enforcados, Os Tártaros, Os Falcões Negros, Os Paladinos, Os Quentes, Os Lordes, Os Reis, Os Abstratos. No final das contas, eram realmente gangues, violentando a sensibilidade artística dos mais velhos, dos quadrados.

Espero que vocês curtam os sons e se deixem levar por todo o desespero adolescente contido neles e que possam reconhecer toda a riqueza precária desses grupos. Um brinde aos tempos e os amores que não voltam mais.




Selvagens Vol. 3 - Obscure Brazilian 60's Garage Beat and Punk Groups

sábado, 18 de julho de 2009

The Sonics X Lixomania



Adoro essas duas capas. Punk rock em preto e branco. Monocromático como o som das bandas, mas nada entediante. Rock seco, duro, gritado e nada dissimulado.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Selvagens Vol. 2 - 60s Raw Surf and Wild Instro From Brazil


Devido a boa recepção que obteve o primeiro volume da série Selvagens, ultrapassando o recorde de downloads de Cazumbi e no intuito de dar prosseguimento a nossa viagem sem volta ao mundo da garagem brasileira, Lixo Jovem lança o segundo volume da série.

Agora vamos voltar a época onde as guitarras falavam. Se você pensou em surf e instrumental, você foi direto ao ponto! Isso mesmo, antes da beatlemania fazer despertar em cada adolescente do globo o desejo de montar uma banda, o mundo era dominado por uma porção de grupos que pouco ligavam para os microfones e faziam das guitarras e demais instrumentos os "porta-vozes" do rock and roll.

O rock instrumental surge no período entre o estouro inicial do rock and roll, capitaneado por Elvis, Little Richard, Chuck Berry e a febre que foi a British Invasion de Beatles, Stones, Animals e outros. Foi a época de Duane Eddy, Link Wray, Dick Dale, The Ventures e The Shadows.

No Brasil tivemos excelentes grupos como The Jordans e The Jet Blacks e uma porção de outros menos conhecidos como Red Snakes e The Bells que você escuta nesse segundo volume.

A seleção para a coletânea obedeceu o padrão Lixo Jivem de (des)qualidade, isso quer dizer o lado mais punk, agressivo e cru de nossas bandas instrumentais. Também foram incluídos números instrumentais de bandas de garagem como a cearence Brasa Seis e The Black Boys e de bandas que fizeram a ponte entre o Instrumental e o beat/garage como Os Incríveis e The Fevers.

No mais é isso, mas uma amostra do riquíssimo cenário sixtie brasileiro para o deleite das novas gerações. Enjoy!


Selvagens Vol. 2 - 60s Raw Surf and Wild Instro From Brazil

sábado, 20 de junho de 2009

O Lado Punk do Rei




Trecho do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura rodado em 1968 e dirigido por Roberto Farias com atuação do próprio Rei e participação de José Lewgoy, Reginaldo Farias e Rose Passine. Na película Roberto é perseguido por uma quadrilha internacional de bandidos.

No clip o rei tira granadas da própria boca e arremessa nos bandidos. Ainda dirige uma espécie de trator e foge da quadrilha pilotando um helicóptero. No mínimo peculiar!

Não Serve Pra Mim é uma composição de Renato Barros do grupo Renato & Seus Blue Caps, que acompanham o Rei nesta música. A canção está presente no disco do rei de 1967 que leva o mesmo nome do filme. O destaque vai para o riff brutal da guitarra de Renato Barros, um som seco, duro, estourado e arrasador perfeitamente encaixado nos lamentos amorosos de Roberto Carlos. Destaque ainda para o órgão e toda atmosfera 60s e garageira da música.

domingo, 26 de abril de 2009

Selvagens - Brazilian 60's Punk Artyfacts (Teen Trash Records, 2009)


A década de 60 foi um período musicalmente rico para o rock mundial e no Brasil não foi diferente. Contudo a grande mídia e a imprensa musical costumam abordar o rock feito no país somente a partir dos anos 80, pelos grupos mainstream do eixo Rio-São Paulo ou de Brasília. Apesar dessa interpretação equivocada, o rock brasileiro possui uma história que nos remete aos anos 50 e sua consolidação nos anos 60 como uma expressão artística feita por jovens e para jovens.

Quando se fala de rock brasileiro dos anos 60, logo pensamos em Mutantes ou algum standart da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, Wanderléa ou Erasmo, mas a produção musical brasileira dos anos 60 é muito mais rica e diversificada do que a crítica musical míope pode imaginar.

Influenciados pela Invasão Britânica, emergiu da periferia do movimento Jovem Guarda um infindável número de grupos de garagem. A maioria deles, com muito esforço, ainda conseguia lançar um compacto. Os “mais bem sucedidos” ou com mais sorte mesmo, lançavam um Lp. Esse era o ethos das bandas de garagem dos anos 60, seja em São Paulo, Paris ou Texas. A curta e efêmera passagem desses grupos iria depois despertar um reinteresse obsessivo por suas histórias, primeiramente, resgatadas pelas pioneiras Nuggets e Pebbles.

A diferença desses grupos para seus colegas “mais pop”, se fazia no som, que era mais duro, cru, bruto e primitivo. Essa sonoridade era resultado de influências que iam para além de Beatles. O lado mais inconseqüente dos Stones foi absorvido por eles, assim como a sonoridade de bandas menos prováveis como Music Machine, cujos discos chagavam ao Brasil por algum parente ou amigo que viajava ao exterior.

Alguns grupos como The Brazilizan Bitles ou os Canibais, experimentaram um certo sucesso, aparecendo em filmes, programas de TV e lançando alguns Lps. Contudo eram exceção. A maioria deles viveu de compactos e domingueiras em clubes.

É um pouco dessa história que trazemos aqui com essa coletânea exclusiva do blog. Selvagens: Brazilian 60’s Punk Artyfacts, reúne o que batizei de jovem guarda linha-dura, o nosso rock de garagem dos anos 60 com forte acento punk. Grupos fantásticos, totalmente esquecidos com o passar do tempo. Uma das minhas paixões musicais que sempre que tive oportunidade compartilhava com um amigo ou discotecava em alguma festa.

Desde o começo dos anos 2000, houve um reinteresse pelo lado Nuggets do rock brasileiro. Uma das pessoas que mais contribuiu para isso foi Fernando Rosa, com seu antigo programa na Usina do Som, transmitido via Web e de sua revista virtual Senhor F, que sempre tratou de resgatar um pouco desse lado obscuro de nosso rock sessentista.

Outra iniciativa nesse mesmo sentido foi a série de coletâneas virtuais Brazilian Nuggets, espalhando para as novas gerações centenas de arquivos de mp3 com as pérolas desconhecidas de nossa psicodelia nacional.

Diferentemente da Brazilian Nuggets, nossa coletânea Selvagens não está direcionada para os aspectos mais psicodélicos desse período. O que nos interessa aqui é o beat cru, reto, simples e sem mais delongas ou viagens, em suma, a parte mais punk de nossa garagem. A sonoridade punk sessentista brasileira é uma realidade constatada nas canções dos Baobás, principalmente sua primeira fase contida nos compactos, e em outros grupos como Beatniks, Som Beat, Os Minos, Analfabitles, Os Metralhas e Os Aranhas.

Então aproveite, baixe esse disco, escute e sinta o cheiro da garagem brasileira e de seus primitivos acordes.
Teen Trash

Tracklist

01. Beat Boys - Shake me Wake me
02. The Beatniks - Alligator Hat
03. Os Jovens - Coração de Pedra
04. Os Minos - Febre de Minos
05. The Bubbles - Não Vou Cortar o Cabelo
06. The Jungle Cats - Vai
07. The Brazilian Bitles - Deixe em Paz Meu Coração
08. Os Santos - Três Garotas
09. The Sunshines - Quando Eu Precisei
10. Altafini - Xaropão
11. Os Canibais - Quase Fico Nú
12. The Brazilian Bitles - É Onda
13. Som Beat - My Generation
14. Os Baobás - Down Down
15. The Outcasts - Weird Ties Wide Belts And...
16. Luizinho & Seus Dinamites - Choque Que Queima
17. Dirceu - Pura Asneira
18. Os Abutres - Fora da Onda
19. Os Brasas - Vivo a Sofrer
20. Analfabitles - Shake
21. The Galaxies - I'm Not Talking
22. Os Metralhas - Nobody But Me
23. Os Incríveis - Hold Tight
24. Os Aranhas - Gloria

Selvagens - Brazilian 60's Punk Artyfacts



domingo, 1 de março de 2009

Os Minos - Singles (1967-1968)




Quem procura por garage rock certamente não está atrás de “obras musicais” com requinte, virtuosismo e ares de arte (no sentido mais intelectualizado que essa palavra possa ter). Quem procura por garage, já dizia o zine espanhol Poodle Bites, está atrás de uma atitude, uma espécie de essência rock and roll. E por mais místico que isso possa parecer, ainda faz muito sentido.

Lixo Jovem resume a parada pra você e diz: quem procura por sons de garagem, não está atrás de um obscuro Sargent Peppers ou do próximo Zappa experimental. Aquela atitude, falada antes, diz respeito a um rock mais instintivo do que intelectual, uma música primitiva, amadora, crua e nem por isso menos impressionante e cheia de fascínio. No final das contas é apenas o punk rock original dos anos sessenta.

Formada em 1966 em Salvador, o grupo Os Minos é um exemplo autêntico de rock garageiro primal e amador. A sua formação contava com os irmãos Jorge, na bateria, e Pepeu Gomes, no baixo e outra dupla de irmãos; Luciano e Ricardo Souza nas guitarras.
A banda lançou dois compactos pelo selo Copacabana um de 1967 e outro de 1968, este contendo a gema beat punk Febre de Minos. O grupo chegou a viajar para São Paulo, onde se apresentaram no programa O Bom de Eduardo Araújo, na Tv Excelcior. Passaram dois anos na capital paulista e depois regressaram a sua terra natal.

Pedro Anibal de Oliveria Gomes, mais conhecido como Pepeu Gomes, vem de um longo passado rockeiro. Ainda nos anos sessenta formou seu primeiro grupo aos 11 anos, a banda Los Gatos, que precedeu Os Minos. O futuro Novos Baianos seria depois considerado pela revista norte-americana Guitar World um dos dez melhores guitarristas do mundo e o melhor da América Latina.

A crueza punk de Os Minos está anos-luz do virtuosismo que depois faria conhecido mundialmente Pepeu Gomes. Aqui temos os primeiros passos de um grande guitarrista em verdadeiros artefatos da garagem brasileira.

Quem não sentir a febre de Minos, não vai chegar a ser avô, essa febre dar na juventude, se você não sentir é porque já passou.”
Teen Trash


Os Minos - Single (Copacabana, 1967)
Lado A
Vem Meu Bem (Luciano-Pepeu)
Lado B
Aprenda A Amar (Ricardo-Jorginho)

Os Minos - Single (Copacabana, 1968)
Lado A
Febre de Minos
LadoB
Fingindo Me Amar

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Lixo Jovem Podcast # 1






LIXO JOVEM PODCAST - GARAGEM BRASILEIRA (Parte 1) - SUDESTE: SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO e MINAS GERAIS

TEEN TRASH PODCAST - BRAZILIAN 60'S GARAGE AND PUNK BEAT (Part 1): SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO e MINAS GERAIS
Abertura


EMBARQUE NUMA VIAGEM SEM VOLTA RUMO A GARAGEM BRASILEIRA DOS ANOS 60, PASSANDO PELO SUDESTE, SUL, NORDESTE E CENTRO-OESTE DO PAÍS. COM A PARTICIPAÇÃO DOS MAIS DESTEMIDOS, ATREVIDOS, OBSCUROS E RADICAIS GRUPOS BRASILEIROS. ARROGÂNCIA ADOLESCENTE E LIXO JOVEM DO MELHOR CALIBRE PARA OS CORAÇÕES DE PEDRA!!!

PODE VIR QUENTE QUE EU ESTOU FERVENDO!

FUZZ RAW BEAT GARAGE PUNK JOVEM GUARDA LINHA-DURA WILD CRUDE GROOVES!!!



1º Bloco: Garagem Paulista
Locução (música de fundo: The Gruesomes - Cave In!)

Beatniks - Alligator Hat
Os Baobás- Down Down
The Galaxies- Hey
Os Megatons- Só Penso em Meu Bem
Beat Boys - Wake me, Shake me


2º Bloco : Garagem Carioca
Locução (Música de fundo: Os Incríveis - Don Pepe Legal)

Analfabitles - Shake
The Brazilian Bitles - É Onda
Os Jovens - Coração de Pedra
Os Canibais - Quase Fico Nú (Everything You Do)
The Out Casts - Weird Ties Wide Belts And...


3º Bloco Minas Gerais
Locução (Música de fundo: Brasa Seis - Como é Que é?)

The Black Boys - Satisfaction
Os Tremendões - Vem Quente que Eu Estou Fervendo
The Jungle Cats - Vai
Analfabitles - When Summer Is Gone
Os Apaches - 11º Mandamento

Encerramento
Locução (King Dave & The Rebels: King Creole)
Bônus: FuzzFaces - Só Neste Caixão



Lixo Jovem Podcast # 1

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Analfabitles - Single (RCA, 1968)





Mais uma vez os Analfabitles fazem uma aparição aqui no blog, desta vez com seu primeiro compacto, datado de 1968. O single abre com Sunnyside Up, cover da obscura banda de Boston Teddy and The Pandas, mostrando que a banda sabia onde catar as coisas. E a letra da canção diz "Well it's seven in the morning and I'm lying in bed/My wife's waking in my door/ She's got pralines on the table and they're waiting for me/ and I'm raring to go/ cause I'm havin'/ sunnyside up/ I'd like my eggs now..." Em seguida temos outro cover, essa mais calmo, chamado She's My Girl, original do grupo The Coastliners. Então é isso, saiba mais sobre os incríveis Analfabitles, no informativo texto de Nélio Rodrigues. Esse post é didicado ao camarada Junior, de Belém do Pará, que acompanha nosso blog e havia solicitado mais coisas do Analfabitles. Um abraço!
Teen Trash


tracklist:
side A Sunnyside Up
side B She's My Girl


Analfabitles - Single (RCA, 1968)







Analfabitles
por Nélio Rodrigues

Os Analfabitles contabilizavam três anos de existência em 1968. No início eram um quarteto e atendiam pelo nome de The New Kings. Uma fase curta, movida por uma aparelhagem incipiente e muita disposição. Logo, o pretensioso nome foi abolido, substituído pelo trocadilho com o qual a banda viria a se tornar uma legenda no Rio de Janeiro.

Mimetizando os grupos ingleses e norte-americanos, dos quais sugavam o repertório, os Analfabitles seguiam rota divergente do estilo predominantemente brega da jovem guarda. De fato, compartilhavam com outras bandas beat e de garagem, como The Outcasts, The Bubbles, The Trolls, The Divers e The Crows, entre outras, um nicho distinto e exclusivo, porém sem muita atenção das TVs e dos jornais e revistas, como recebiam os artistas daquela vertente.

No entanto, em 1968, já como um sexteto, a banda atravessava um momento efervescente. Seus bailes sempre concorridos mantinham o grupo em permanente circulação pelos clubes da Zona Sul, com esticadas a Tijuca, ao Grajaú e a Niterói, do outro lado da baía. Mas foi no Caiçaras, um clube de elite às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas - na verdade, situado numa ilha - que a coisa começou a esquentar. Ali, suas domingueiras foram se tornando tão disputadas durante o segundo semestre do ano que os bailes tiveram que ser transferidos do salão para o ginásio do clube. Com a fama se espalhando rapidamente entre os jovens antenados da cidade, não foi preciso muito tempo para Danilo, Léo, Maran, Luiz Carlos, Fernando e Daniel desfrutarem da reputação de pertencerem da melhor banda da região, ao lado de The Bubbles.

Pois foi em meio a esse panorama que os Analfabitles tiveram a chance de gravar um compacto simples para a RCA Victor. Chance essa proporcionada pelo gaitista e violonista Rildo Hora que, naquele momento, iniciava-se como produtor musical da gravadora. Reunidos no estúdio da CBS, no Rio, o grupo registrou os dois temas para o compacto numa curta sessão de gravação. Ao final de uma tarde de trabalho, depois de gravadas as bases, seguidas dos vocais em overdub, Rildo Hora dava por encerrada a sessão.

A escolha dos Analfabitles recaiu sobre dois números absolutamente obscuros, conhecidos apenas pelos freqüentadores mais assíduos dos bailes da banda. Foram eles "Sunnyside Up" e "She's My Girl". O primeiro, de uma banda de garagem de Boston (EUA) de pouca expressão fora de sua região de origem, chamada Teddy and The Pandas. A segunda, dos Coastliners, outro grupo norte-americano cujo legado discográfico limita-se a alguns compactos.

De certa forma, uma escolha surpreendente, pois contrariava a tendência da maioria dos artistas (e de bandas de sua época) de copiar os sucessos mais óbvios ou refazer temas de artistas já consagrados internacionalmente, quando da gravação de covers. Com inteligência, os Analfabitles evitaram comparações com as gravações originais que, no caso, ninguém conhecia, e tornaram "seus" os temas gravados. Portanto, se sucesso fizessem, seriam conhecidos como uma assinatura exclusiva da banda e de ninguém mais.

"Sunnyside Up" é um número em mid-tempo, com destaque para o caprichado vocal do grupo, em arranjo diferente, melhor e de efeito superior ao registrado por Teddy and The Pandas. Outro carimbo da banda presente na gravação é o atrevido solo de Maran ao órgão Hammond. Já "She's My Girl", escolhida para ocupar o lado 2 do compacto, é uma balada delicada, cantada em falsete por Fernando tal qual a gravação original dos Coastliners, lançada nos Estados Unidos em 1966 através do selo Back Beat.

O disco, cujo lançamento foi celebrado com uma festa no Teatro Casa Grande em 13 de outubro de 1968, chegou às rádios através do legendário DJ Big Boy, que incluiu os dois números na programação da Rádio Mundial. Mas foi "She's My Girl" que caiu no agrado dos ouvintes. O sucesso foi tanto que a música acabou invadindo o dial de outras estações cariocas, garantindo a RCA uma vendagem de dez mil cópias do compacto. Um enorme alento para um grupo sem presença alguma na televisão e cuja fama ainda atingiria o ápice no ano seguinte.

Enquanto os Analfabitles seguiriam construindo a sua história, a do compacto já estava sedimentada. Duas grandes pequenas músicas, executadas com brilho e bom gosto, só poderiam resultar num dos melhores discos de beat music gravados no Brasil.


publicado originalmente na revista virtual Senhor F
http://www.senhorf.com.br/agencia/main.jsp

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Os Abstratos - Single (Mocambo, 1968)





Começando a semana com uma PRECIOSIDADE! Os Abstratos, obscuro grupo da garagem paulista dos anos 60. Toda sua discografia se resume a esse compacto lançado em 1968 pelo selo pernambucano Mocambo, pertecente a gravadora Rosemblit. Aqui basicamente versões, sendo uma a versão para Every Little Thing dos Beatles, batizada de Achei o Amor. A outra uma versão de Fred Jorge para uma música italiana, onde o grupo fala sobre guerra e revolução, quebrando assim um pouco daquele estereótipo de alienado do rock brasileiro dos anos 60. Compacto cru da melhor espécie!
Teen Trash


tracklist
A Revolução
Achei Meu Amor (Every Little Thing - Beatles)


Os Abstratos
por Fernando Rosa
Os Abstratos, da garagem à psicodelia paulistana, nos anos sessenta Grupo de rock paulista que gravou o compacto 'A Revolução'/'Achei Meu Amor', pelo selo Mocambo/Rozemblit, em 1968 - a primeira versão de Fred Jorge para um clássico da música italiana, e a segunda também versão para 'Every Little Thing', dos Beatles. Com o fim do grupo, seus integrantes somaram-se ao ex-Beatniks Bogô para formar o 'Sinc Sunt Res', um dos principais grupos psicodélicos paulistas, que realizou memoráveis shows, sem deixar nada gravado. (Fernando Rosa)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Os Selvagens - s/t (Caravelle, 1968)



Essse é nosso primeiro disco de 2009 e esperamos que esse ano nos reserve mais grupos trazidos de volta da tumba e muito farfisa, hammond, fuzz, e demais usos primitivos da guitarra elétrica para nossos corações de pedra. Então vamos lá!

Os Selvagens gravaram 5 Lps e alguns compactos entre 1968 e 1976. Esse aqui é o primeiro disco do grupo que saiu pele selo Caravelle em 1968, destaco aqui a versão ultra punk de We Gotta Get out of This Place, gravada originalmente pelos Animals em 1965. Esse disco como um todo é uma boa pedida, com várias músicas autorais e alternando momentos garageiros mais radicais com jovem guarda. O grupo foi formado em 1965 na cidade do Rio de Janeiro pelos irmãos Leonardo e Mário Carion, junto com Hilton Ribeiro e Edgard Borges e tocaram em vários bailes por toda a cidade. Em 1970 gravaram Coração de Pedra, original dOs Jovens, com muito fuzz e o acompanhamento de percussão. Os Selvagens também saíram em coletâneas gringas dedicadas ao garage internacional como Basementville! Brazil #2 - 16 Obscure Brazilian Mid & Up-tempo Teen Cuts 1965/'68 (Misty Lane, 2000) e What Do I Say? #1 - Juddy In The Sky With Nazis (Reep, 2004).
Teen Trash

Obs: Mais informações sobre os grupos aqui postados são sempre bem vindas!


Tracklist
01. Te quero Bem
02. Vivo prá você
03. O Gavião
04. Vem , Amor
05. A praça
06. O Segredo
07. Temas do Nosso Amor
08. Tenho Que Esperar
09. We Got to Get Out of This Place
10. Tudo na Vida
11. Lamento de Amor
12. Você Foi Pra Longe

Os Selvagens - s/t (Caravelle, 1968)


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Os Selvagens
Por RSTONE (Comunidade Música Cafona e Jovem Guarda)


Banda carioca formada em 1965 pelos irmãos Leonardo e Mário Carion (guitarras) e mais Hilton Ribeiro(baixo) e Edgard Borges(bateria). Inicialmente, tocavam em todo o circuito de bailes do Rio.

Em 1968 lançaram o seu primeiro LP "Os Selvagens", pela gravadora Caravelle, sob o Nº LP-NF-6007. Neste álbum consta a curiosa gravação que fizeram da música "A Praça", de Carlos Imperial e grande sucesso com Ronnie Von um ano antes.

Em 1969, entrou para o grupo o compositor e versionista Rossini Pinto, que os levou para a CBS para gravarem pelo selo Epic. A banda é reformulada, e além de Rossini pinto, entram também para o grupo dois futuros grandes nomes da músicabrasileira, Hildon Souza e Michael Sullivan.

Em 1970, lançaram pelo selo CBS/EPIC, o seu segundo álbum contendo várias versões de Rossini Pinto e mais composições de Dom (da dupla Dom & Ravel), Álvaro Menezes, Pedro Paulo e outros.

O terceiro LP, intitulado "Don't Leave Me Now", é lançado em 1971, e mais uma vez, traz várias versões de Rossini Pinto para sucessos internacionais da época.

O grupo seguiu carreira até 1976, quando lançou o seu último LP, ainda pelo selo CBS/EPIC. Entre os sucessosradiofônicos do grupo Os Selvagens, estão as canções "O Jornalista", '"Eu E Você" e a mais conhecida de todas, "O Enviado Especial", que levou a banda para as paradas de sucesso de todo o Brasil em 1974. (RSTONE)

NOTA:
Fazendo uma correção ao texto acima: As canções "O Jornalista" e "O Enviado Especial" são, na verdade, uma música só, cujo título correto é "O Jornalista (O Enviado Especial)", composição de Rossini Pinto, foi lançada em compacto pela CBS/EPIC em 1972 - e não em 1974, conforme escrito acima -, se tornando o maior sucesso da carreira do grupo OS SELVAGENS. (RSTONE)