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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jessy from Mexico









Hoje no myspace me deparei com essa moça mexicana chamada Jessy Bulbo. Sua banda é da Cidade do México e seu som é um punk rock com doses de garagem e pop. Confiram o vídeo com uma estranha dança de punks mexicanos e o myspace de Jessy, assim como suas picantes fotos. Hasta la vista!

domingo, 1 de agosto de 2010

Transistors, FuzzFaces e Os Haxixins

Três momentos da recente garagem paulista, possivelmente o que melhor se produziu em termos de garage rock no Brasil nos últimos 10 anos.





quinta-feira, 25 de março de 2010

O retorno da garagem e da psicodelia em discos

Queria registrar aqui dois recentes lançamentos do selo português Groovie records. Estes lançamentos dizem respeito aos brasileiros, por se tratar do resgate de uma parte esquecida e por vezes menosprezada de nossa discografia, o rock de garagem e a psicodelia nacional. 

O primeiro é o lançamento da discografia do The Bubbles em Lp, contendo seu compacto de 1966 e temas inéditos. Raw and Unreleased traz, entre outras, uma versão para For your love do Yardbirds e a inédita Get of my land. Esse é também um duplo resgate, pois o Lp contém duas canções raras do compacto de 1971 de A Bolha, grupo que se originou do The Bubbles.

O outro lançamento diz respeito ao desenvolvimento posterior do rock de garagem, a psicodelia. Com o título de Brazilian guitar, fuzz bananas já fica indicado o direcionamento do disco, permeado pelo sincretismo moderno do tropicalismo, abrangendo o período de 1967 a 1976. 

Podemos classificar esse disco como um lançamento de luxo, pois além de ser um Lp duplo, acompanha um óculos 3D e um livro com fotos e biografia em inglês e português de todas as bandas. Na mesma linha do bom trabalho de garipagem da Groovie, o lançamento contem material raro e também inédito. Além de conter a participação de The Pops, do desbocado Sergei e do delirante Fábio, o disco resgata nomes esquecidos e raros como Loyce e os Gnomos, Banda de 7 Léguas e Marc Rybell.

Outra novidade do selo é que as compras agora poderão ser feitas através de depósito bancário pelo Banco do Brasil. Para mais informações de como adquirir seus discos, escreva para  contact@groovierecords.com.
 
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Los Monjo - Rock Basura

Guadalajara é a segunda maior cidade do México e capital do estado de Jalisco. Sua cena punk é marcada principalmente por bandas de crust, d-beat e hardcore propriamente dito. Em meio a tudo isso se destaca um grupo, formado por três irmãos (Tucho, Cesar e Rene) e um primo (Peter), que destoam da cena local por terem seu som calcado na energia de velhas bandas espanholas dos anos 80 como Eskorbuto, La Uvi e Comando 9mm. Eles se chamam Los Monjo, escrito assim mesmo sem a devida concordância gramatical.

O grupo começou a tocar no inverno de 2003, mas já era uma idéia antiga de Tucho montar um grupo punk desde 1998, quando se dá seus primeiros contatos com a música punk. Antes de optarem por seu nome atual, tentaram outros como Los Chicos de Barro, Los Explosivos e Los Eskalata, já demostrando um certo talento para nomes esquisitos.

Peter e Tucho integraram anteriormente o Basca Urbana, onde Cesar também tocou baixo por um tempo. Porém em 2003 se aproxima Rene e tem-se o nascimento de Los Monjo. Mantem-se até hoje seu line-up original, que assim vai fazendo seus shows em lugares pequenos por Guadalajara.

Em 2006 lançam sua demo com oito sons, entre eles Cerdos e Cobardes. Relançada em 2008, em 7", pelos selos No Options (EUA) e Todo Destruido (México). Levando assim o som dos Monjo para além das fronteiras de sua cidade natal.

O punk dos Monjo é baseado nos três ou quatro acordes característicos do rock simples e primitivo, com um baixo proeminente, guitarras simples e bateria reta. O vocal de Tucho é sufocado, desesperado e sombrio, com uma certa carga de originalidade. Quanto as canções, "Cerdos" é sobre a polícia, que traduzindo significa porcos. "La Peor Pesadilla" é sobre desespero, medo e o lado sombrio da vida. Em "Rebelion" Tucho profere que "Se quieres cambio, rebelion!".

Gravaram ainda um clip para Covardes, dirigido pelo amigo Alvaro M.N, que já tive a oportunidade de apresentar aqui no blog.

Um dos pontos altos na vida dos Monjo foi a turnê que fizeram em seu país com a banda californiana Born/Dead, quando tocaram por Matamoros, Salamanca, Leon, San Luis, DF, Queretaro, Aguascalientes e outras pequenas cidades mexicanas.

Para o futuro, Los Monjo pretendem lançar um Lp que conterá de dez a doze músicas e levará o nome de Rock Basura, que traduzindo seria o mesmo que Rock Lixo ou Trash Rock no inglês. Pretendem também fazer um turnê pelos EUA, algo que é complicado pela dificuldade de se conseguir os vistos para viajar para o país vizinho e ultrapassar a tão famigerada fronteira.



Aqui vai a demo do grupo para download. Infelismente está faltando uma canção.

01. Cerdos
02. Solo neste pais
03. Rebelión
04. Cobardes
05. Contaminación
06. Esclavos
07. La pior pesadilla

Download

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os Incríveis me fizeram voltar a pé

Nunca entre numa loja de discos quando você tiver pouco dinheiro. A menos que você seja uma daquelas pessoas controladas. O que não é meu caso. Dei o que tinha nesse compacto dos Incríveis, até o dinheiro do ônibus. O resultado é que tive que voltar pra casa a pé. Mas valeu cada centavo. Só o prazer de escutar "Vai, Meu Bem" no orginal já é recompensador. A escutei pela primeira vez na coletânea virtual Brazilian Nuggets e já gostei de cara. Esse compacto duplo é de 1968 e está imerso no clima hippie da época, misturado ainda com o típico romantismo jovem guarda. No lada A temos "Mundo Louco", que é uma versão para "Even The Bad Times Are Good". E fala que é doce viver nesse mundo, apesar dele ser louco, com a humanidade se desentendendo a toda hora, provocando confusão e perdendo a razão. Adicione ai bombas e espiões. E você tem o típico coquetel Guerra Fria & James Bond. "Molambo" é sobre o cara que aceita a mulher voltar pra ele, apesar de tudo que ela fez anteirormente. E apesar da reprovação do outros com essa reconciliação. No final o cara gosta, porque assim ele não enloqueceria de saudade e não acabaria virando "um molambo qualquer". O lada B começa com "Se Nos Disserem", uma versão para "E Se Ci Diranno". Uma típica canção anti-guerra e anti-racista made in 68. Um bom lembrete de que nosso rock daquela época não era tão alienado, como nos querem fazer crer os apologistas da mpb. E um alerta para quem gosta de caracterizar binariamente a música brasileira dos anos 60 entre o "intelectualismo" da bossa nova e a "infantilidade juvenil" alienada da jovem guarda. Encerrando o compacto temos "Vai, Meu Bem", que começa massacrando com um riff fuzz. A canção é uma ode a descrança amorosa. Uma canção sobre disilusão só poderia ser assim mesmo, um acid punk para os corações quebrados. Esse compacto duplo de 33 rotações foi lançado pela RCA Victor com o código LCD-1197.

domingo, 2 de agosto de 2009

Trash News: Os Baobás relançados


A Groovie records relançou o único Lp dos lendários Baobás. O disco vem acrescido de todos os compactos da banda, com as incríveis Bye Bye My Darling e Down Down. E também reproduz a capa original de 1968. Essa gravadora portuguesa está fazendo um importante trabalho de resgate da garagem brasileira através de seus lançamentos, todos em vinil diga-se de passagem! Esse lançamento sucede a reedição do Lp dos Beat Boys nesse resgate da garagem brasileira. Edição limitada em 600 cópias.


Resenha da gravadora

OS BAOBÁS - LP - GROO0018LP - 600 COPIES

Finally the long waited reeisue of the most important band of garage 60's in Brazil. OS BAOBÁS. The original LP, together with The Beat Boys Lp, is today one of the most whanted records for the garage collectors. Unfortunely the original album have a problem in the sound. None of the pressed LP's have a good sound. Now we put together all the singles with the original album along with remastered sound. The singles included track like Bye Bye My Darling Goodbye, Down Down Down and the powerful cover of the Stones, Paint In Black (Pintada de Preto).

Os Baobás were one of the most important bands in São Paulo’s garage rock scene of the sixties, but they have remained in obscurity until now, despite their not so limited discography. The band is best remembered for having included Liminha (later on a Mutantes member and a producer) in its line-up and having played with Caetano Veloso, replacing the Beat Boys. But their most valuable treasure is the series of singles they recorded between 1966 and 1968.

The LP brings the complete discography, photos, singles covers and a bio in the back of the LP.

Exclusive Distro by Guerssen Records

sábado, 1 de agosto de 2009

Los Bestias (1967)



Apresentação datada de 1967 do obscuro grupo argentino Los Bestias no programa La Escala Musical. Nota para o exagerado mop top do vocalista que mais parece um capacete, para o ar blase do baterista e para o logo da banda na bateria imitando o dos Beatles.Ao que parece não chegaram a gravar nenhum disco. Então, aproveitem esses excelentes temas.

Mais alguns vídeos dos Bestias







quinta-feira, 16 de julho de 2009

Los Corvets - Pushin too Hard



Mais um cover dos Seeds. Esse é feito pela banda equatoriana Los Corvets. Possui um toque bem diferente com a adição daquela musiquinha, que sempre toca na tv, quando aparece um encantador de cobras. Você encontra mais informações sobre a banda no zine Sótano Beat, com link na coluna esquerda do blog.

domingo, 1 de março de 2009

Os Minos - Singles (1967-1968)




Quem procura por garage rock certamente não está atrás de “obras musicais” com requinte, virtuosismo e ares de arte (no sentido mais intelectualizado que essa palavra possa ter). Quem procura por garage, já dizia o zine espanhol Poodle Bites, está atrás de uma atitude, uma espécie de essência rock and roll. E por mais místico que isso possa parecer, ainda faz muito sentido.

Lixo Jovem resume a parada pra você e diz: quem procura por sons de garagem, não está atrás de um obscuro Sargent Peppers ou do próximo Zappa experimental. Aquela atitude, falada antes, diz respeito a um rock mais instintivo do que intelectual, uma música primitiva, amadora, crua e nem por isso menos impressionante e cheia de fascínio. No final das contas é apenas o punk rock original dos anos sessenta.

Formada em 1966 em Salvador, o grupo Os Minos é um exemplo autêntico de rock garageiro primal e amador. A sua formação contava com os irmãos Jorge, na bateria, e Pepeu Gomes, no baixo e outra dupla de irmãos; Luciano e Ricardo Souza nas guitarras.
A banda lançou dois compactos pelo selo Copacabana um de 1967 e outro de 1968, este contendo a gema beat punk Febre de Minos. O grupo chegou a viajar para São Paulo, onde se apresentaram no programa O Bom de Eduardo Araújo, na Tv Excelcior. Passaram dois anos na capital paulista e depois regressaram a sua terra natal.

Pedro Anibal de Oliveria Gomes, mais conhecido como Pepeu Gomes, vem de um longo passado rockeiro. Ainda nos anos sessenta formou seu primeiro grupo aos 11 anos, a banda Los Gatos, que precedeu Os Minos. O futuro Novos Baianos seria depois considerado pela revista norte-americana Guitar World um dos dez melhores guitarristas do mundo e o melhor da América Latina.

A crueza punk de Os Minos está anos-luz do virtuosismo que depois faria conhecido mundialmente Pepeu Gomes. Aqui temos os primeiros passos de um grande guitarrista em verdadeiros artefatos da garagem brasileira.

“Quem não sentir a febre de Minos, não vai chegar a ser avô, essa febre dar na juventude, se você não sentir é porque já passou.”
Teen Trash


Os Minos - Single (Copacabana, 1967)
Lado A
Vem Meu Bem (Luciano-Pepeu)
Lado B
Aprenda A Amar (Ricardo-Jorginho)

Os Minos - Single (Copacabana, 1968)
Lado A
Febre de Minos
LadoB
Fingindo Me Amar

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Saicomania Trailer (2009)



Mais um trailer do tão aguardo documentário sobre a besta-punk Los Saicos.
Obs: contribuição do camarada Sauron da Paraíba, valeu!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Los Monjo - Cobardes (2007)



Los Monjo é uma banda recente de Guadalajara no México. A sua primeira gravação se chama Rock Basura e contém 8 sons. Algumas músicas desse primeiro material estão sendo relançadas por selos gringos nos EUA. Aqui vai o vídeo de Cobardes e uma amostra do punk rock basura (sujeira em espanhol)dos mexicanos. Em breve disco para download aqui no blog.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Lixo Jovem Podcast # 1






LIXO JOVEM PODCAST - GARAGEM BRASILEIRA (Parte 1) - SUDESTE: SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO e MINAS GERAIS

TEEN TRASH PODCAST - BRAZILIAN 60'S GARAGE AND PUNK BEAT (Part 1): SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO e MINAS GERAIS
Abertura


EMBARQUE NUMA VIAGEM SEM VOLTA RUMO A GARAGEM BRASILEIRA DOS ANOS 60, PASSANDO PELO SUDESTE, SUL, NORDESTE E CENTRO-OESTE DO PAÍS. COM A PARTICIPAÇÃO DOS MAIS DESTEMIDOS, ATREVIDOS, OBSCUROS E RADICAIS GRUPOS BRASILEIROS. ARROGÂNCIA ADOLESCENTE E LIXO JOVEM DO MELHOR CALIBRE PARA OS CORAÇÕES DE PEDRA!!!

PODE VIR QUENTE QUE EU ESTOU FERVENDO!

FUZZ RAW BEAT GARAGE PUNK JOVEM GUARDA LINHA-DURA WILD CRUDE GROOVES!!!



1º Bloco: Garagem Paulista
Locução (música de fundo: The Gruesomes - Cave In!)

Beatniks - Alligator Hat
Os Baobás- Down Down
The Galaxies- Hey
Os Megatons- Só Penso em Meu Bem
Beat Boys - Wake me, Shake me


2º Bloco : Garagem Carioca
Locução (Música de fundo: Os Incríveis - Don Pepe Legal)

Analfabitles - Shake
The Brazilian Bitles - É Onda
Os Jovens - Coração de Pedra
Os Canibais - Quase Fico Nú (Everything You Do)
The Out Casts - Weird Ties Wide Belts And...


3º Bloco Minas Gerais
Locução (Música de fundo: Brasa Seis - Como é Que é?)

The Black Boys - Satisfaction
Os Tremendões - Vem Quente que Eu Estou Fervendo
The Jungle Cats - Vai
Analfabitles - When Summer Is Gone
Os Apaches - 11º Mandamento

Encerramento
Locução (King Dave & The Rebels: King Creole)
Bônus: FuzzFaces - Só Neste Caixão



Lixo Jovem Podcast # 1

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Analfabitles - Single (RCA, 1968)





Mais uma vez os Analfabitles fazem uma aparição aqui no blog, desta vez com seu primeiro compacto, datado de 1968. O single abre com Sunnyside Up, cover da obscura banda de Boston Teddy and The Pandas, mostrando que a banda sabia onde catar as coisas. E a letra da canção diz "Well it's seven in the morning and I'm lying in bed/My wife's waking in my door/ She's got pralines on the table and they're waiting for me/ and I'm raring to go/ cause I'm havin'/ sunnyside up/ I'd like my eggs now..." Em seguida temos outro cover, essa mais calmo, chamado She's My Girl, original do grupo The Coastliners. Então é isso, saiba mais sobre os incríveis Analfabitles, no informativo texto de Nélio Rodrigues. Esse post é didicado ao camarada Junior, de Belém do Pará, que acompanha nosso blog e havia solicitado mais coisas do Analfabitles. Um abraço!
Teen Trash


tracklist:
side A Sunnyside Up
side B She's My Girl


Analfabitles - Single (RCA, 1968)







Analfabitles
por Nélio Rodrigues

Os Analfabitles contabilizavam três anos de existência em 1968. No início eram um quarteto e atendiam pelo nome de The New Kings. Uma fase curta, movida por uma aparelhagem incipiente e muita disposição. Logo, o pretensioso nome foi abolido, substituído pelo trocadilho com o qual a banda viria a se tornar uma legenda no Rio de Janeiro.

Mimetizando os grupos ingleses e norte-americanos, dos quais sugavam o repertório, os Analfabitles seguiam rota divergente do estilo predominantemente brega da jovem guarda. De fato, compartilhavam com outras bandas beat e de garagem, como The Outcasts, The Bubbles, The Trolls, The Divers e The Crows, entre outras, um nicho distinto e exclusivo, porém sem muita atenção das TVs e dos jornais e revistas, como recebiam os artistas daquela vertente.

No entanto, em 1968, já como um sexteto, a banda atravessava um momento efervescente. Seus bailes sempre concorridos mantinham o grupo em permanente circulação pelos clubes da Zona Sul, com esticadas a Tijuca, ao Grajaú e a Niterói, do outro lado da baía. Mas foi no Caiçaras, um clube de elite às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas - na verdade, situado numa ilha - que a coisa começou a esquentar. Ali, suas domingueiras foram se tornando tão disputadas durante o segundo semestre do ano que os bailes tiveram que ser transferidos do salão para o ginásio do clube. Com a fama se espalhando rapidamente entre os jovens antenados da cidade, não foi preciso muito tempo para Danilo, Léo, Maran, Luiz Carlos, Fernando e Daniel desfrutarem da reputação de pertencerem da melhor banda da região, ao lado de The Bubbles.

Pois foi em meio a esse panorama que os Analfabitles tiveram a chance de gravar um compacto simples para a RCA Victor. Chance essa proporcionada pelo gaitista e violonista Rildo Hora que, naquele momento, iniciava-se como produtor musical da gravadora. Reunidos no estúdio da CBS, no Rio, o grupo registrou os dois temas para o compacto numa curta sessão de gravação. Ao final de uma tarde de trabalho, depois de gravadas as bases, seguidas dos vocais em overdub, Rildo Hora dava por encerrada a sessão.

A escolha dos Analfabitles recaiu sobre dois números absolutamente obscuros, conhecidos apenas pelos freqüentadores mais assíduos dos bailes da banda. Foram eles "Sunnyside Up" e "She's My Girl". O primeiro, de uma banda de garagem de Boston (EUA) de pouca expressão fora de sua região de origem, chamada Teddy and The Pandas. A segunda, dos Coastliners, outro grupo norte-americano cujo legado discográfico limita-se a alguns compactos.

De certa forma, uma escolha surpreendente, pois contrariava a tendência da maioria dos artistas (e de bandas de sua época) de copiar os sucessos mais óbvios ou refazer temas de artistas já consagrados internacionalmente, quando da gravação de covers. Com inteligência, os Analfabitles evitaram comparações com as gravações originais que, no caso, ninguém conhecia, e tornaram "seus" os temas gravados. Portanto, se sucesso fizessem, seriam conhecidos como uma assinatura exclusiva da banda e de ninguém mais.

"Sunnyside Up" é um número em mid-tempo, com destaque para o caprichado vocal do grupo, em arranjo diferente, melhor e de efeito superior ao registrado por Teddy and The Pandas. Outro carimbo da banda presente na gravação é o atrevido solo de Maran ao órgão Hammond. Já "She's My Girl", escolhida para ocupar o lado 2 do compacto, é uma balada delicada, cantada em falsete por Fernando tal qual a gravação original dos Coastliners, lançada nos Estados Unidos em 1966 através do selo Back Beat.

O disco, cujo lançamento foi celebrado com uma festa no Teatro Casa Grande em 13 de outubro de 1968, chegou às rádios através do legendário DJ Big Boy, que incluiu os dois números na programação da Rádio Mundial. Mas foi "She's My Girl" que caiu no agrado dos ouvintes. O sucesso foi tanto que a música acabou invadindo o dial de outras estações cariocas, garantindo a RCA uma vendagem de dez mil cópias do compacto. Um enorme alento para um grupo sem presença alguma na televisão e cuja fama ainda atingiria o ápice no ano seguinte.

Enquanto os Analfabitles seguiriam construindo a sua história, a do compacto já estava sedimentada. Duas grandes pequenas músicas, executadas com brilho e bom gosto, só poderiam resultar num dos melhores discos de beat music gravados no Brasil.


publicado originalmente na revista virtual Senhor F
http://www.senhorf.com.br/agencia/main.jsp

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Os Abstratos - Single (Mocambo, 1968)





Começando a semana com uma PRECIOSIDADE! Os Abstratos, obscuro grupo da garagem paulista dos anos 60. Toda sua discografia se resume a esse compacto lançado em 1968 pelo selo pernambucano Mocambo, pertecente a gravadora Rosemblit. Aqui basicamente versões, sendo uma a versão para Every Little Thing dos Beatles, batizada de Achei o Amor. A outra uma versão de Fred Jorge para uma música italiana, onde o grupo fala sobre guerra e revolução, quebrando assim um pouco daquele estereótipo de alienado do rock brasileiro dos anos 60. Compacto cru da melhor espécie!
Teen Trash


tracklist
A Revolução
Achei Meu Amor (Every Little Thing - Beatles)


Os Abstratos
por Fernando Rosa
Os Abstratos, da garagem à psicodelia paulistana, nos anos sessenta Grupo de rock paulista que gravou o compacto 'A Revolução'/'Achei Meu Amor', pelo selo Mocambo/Rozemblit, em 1968 - a primeira versão de Fred Jorge para um clássico da música italiana, e a segunda também versão para 'Every Little Thing', dos Beatles. Com o fim do grupo, seus integrantes somaram-se ao ex-Beatniks Bogô para formar o 'Sinc Sunt Res', um dos principais grupos psicodélicos paulistas, que realizou memoráveis shows, sem deixar nada gravado. (Fernando Rosa)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Os Selvagens - s/t (Caravelle, 1968)



Essse é nosso primeiro disco de 2009 e esperamos que esse ano nos reserve mais grupos trazidos de volta da tumba e muito farfisa, hammond, fuzz, e demais usos primitivos da guitarra elétrica para nossos corações de pedra. Então vamos lá!

Os Selvagens gravaram 5 Lps e alguns compactos entre 1968 e 1976. Esse aqui é o primeiro disco do grupo que saiu pele selo Caravelle em 1968, destaco aqui a versão ultra punk de We Gotta Get out of This Place, gravada originalmente pelos Animals em 1965. Esse disco como um todo é uma boa pedida, com várias músicas autorais e alternando momentos garageiros mais radicais com jovem guarda. O grupo foi formado em 1965 na cidade do Rio de Janeiro pelos irmãos Leonardo e Mário Carion, junto com Hilton Ribeiro e Edgard Borges e tocaram em vários bailes por toda a cidade. Em 1970 gravaram Coração de Pedra, original dOs Jovens, com muito fuzz e o acompanhamento de percussão. Os Selvagens também saíram em coletâneas gringas dedicadas ao garage internacional como Basementville! Brazil #2 - 16 Obscure Brazilian Mid & Up-tempo Teen Cuts 1965/'68 (Misty Lane, 2000) e What Do I Say? #1 - Juddy In The Sky With Nazis (Reep, 2004).
Teen Trash

Obs: Mais informações sobre os grupos aqui postados são sempre bem vindas!


Tracklist
01. Te quero Bem
02. Vivo prá você
03. O Gavião
04. Vem , Amor
05. A praça
06. O Segredo
07. Temas do Nosso Amor
08. Tenho Que Esperar
09. We Got to Get Out of This Place
10. Tudo na Vida
11. Lamento de Amor
12. Você Foi Pra Longe

Os Selvagens - s/t (Caravelle, 1968)


Thanks For The Coments!



Os Selvagens
Por RSTONE (Comunidade Música Cafona e Jovem Guarda)


Banda carioca formada em 1965 pelos irmãos Leonardo e Mário Carion (guitarras) e mais Hilton Ribeiro(baixo) e Edgard Borges(bateria). Inicialmente, tocavam em todo o circuito de bailes do Rio.

Em 1968 lançaram o seu primeiro LP "Os Selvagens", pela gravadora Caravelle, sob o Nº LP-NF-6007. Neste álbum consta a curiosa gravação que fizeram da música "A Praça", de Carlos Imperial e grande sucesso com Ronnie Von um ano antes.

Em 1969, entrou para o grupo o compositor e versionista Rossini Pinto, que os levou para a CBS para gravarem pelo selo Epic. A banda é reformulada, e além de Rossini pinto, entram também para o grupo dois futuros grandes nomes da músicabrasileira, Hildon Souza e Michael Sullivan.

Em 1970, lançaram pelo selo CBS/EPIC, o seu segundo álbum contendo várias versões de Rossini Pinto e mais composições de Dom (da dupla Dom & Ravel), Álvaro Menezes, Pedro Paulo e outros.

O terceiro LP, intitulado "Don't Leave Me Now", é lançado em 1971, e mais uma vez, traz várias versões de Rossini Pinto para sucessos internacionais da época.

O grupo seguiu carreira até 1976, quando lançou o seu último LP, ainda pelo selo CBS/EPIC. Entre os sucessosradiofônicos do grupo Os Selvagens, estão as canções "O Jornalista", '"Eu E Você" e a mais conhecida de todas, "O Enviado Especial", que levou a banda para as paradas de sucesso de todo o Brasil em 1974. (RSTONE)

NOTA:
Fazendo uma correção ao texto acima: As canções "O Jornalista" e "O Enviado Especial" são, na verdade, uma música só, cujo título correto é "O Jornalista (O Enviado Especial)", composição de Rossini Pinto, foi lançada em compacto pela CBS/EPIC em 1972 - e não em 1974, conforme escrito acima -, se tornando o maior sucesso da carreira do grupo OS SELVAGENS. (RSTONE)


sábado, 20 de dezembro de 2008

Os Megatons - Single (Mocambo, 1967)



Os Megatons começaram como uma banda de rock instrumental e surf, gravando seu primeiro registro em 1964, o Lp Os Megatons lançado pela Philips. Sua formação contava com Joe Primo Mareschi (guitarra e ex-Jet Blacks), Renato (guitarra), Luiz (guitarra), Carlão (baixo) e Edgar (bateria).

Posteriormente com a entrada de Wagner Benatti e influenciados por Byrds e pela Britsh Invasion, gravam o sucesso O Tijolinho com o cantor Bobby de Carlo e também mais três compactos.

Parece que tinha-se o plano de lançar um Lp, coisa que não foi concretizada.Nas décadas seguintes seus integrantes passaram por bandas como Os Pholhas e Cokeluxe.

As duas canções são carregadas de atmosfera garageira e fuzz, uma delícia!
Teen Trash



Tracklist
Lado A - Cuidado
Lado B - Só penso Em Meu Bem

DOWNLOAD!





História da Banda

Banda paulista formada no inicio dos anos 1960 pelo baixista Joe Primo (ex Jet Blacks). Nos primordios era uma banda exclusivamente instrumental, alias era o que predominava na epoca. Com a entrada de Bitão (Wagner Benatti) em 1966 a banda passou por uma mudança radical e as musicas vocais passaram a dominar o repertorio. Nessa ocasião a formação era: Bitão – guitarra/vocal; Joe Primo (PrimoMoreschi) - baixo/vocal; Renato – guitarra; Luiz Moreschi (irmão do Primo) – guitarra de 12 cordas/vocal e Edgar – bateria. Posteriormente houve a saida de Renato e a entrada de Sodinha (Antonio Carlos Cortez) grande amigo de Bitão com o qual já tinha tocado numa efêmera banda por volta de 1964 chamada “4 Sem e Um Com Óculos”.



Influenciados principalmente pelos Beatles e Byrds, a sonoridade dos Megatons tornou-se um diferencial entre outras bandas da época pelo uso das guitarras de 12 cordas, raridade naqueles dias...Foi assim que o produtor Serginho de Freitas os escolheu para gravar o compacto de reestréia de Bobby De Carlo que já tinha feito grande sucesso no final dos anos 50 com a musica “OH ELIANA”, as musicas escolhidas foram “TIJOLINHO” e “MINHA TRISTEZA” as 2 de autoria de Bitão. O sucesso foi avassalador e logo os rapazes foram identificados com aquele som diferente e metalico das guitarras de 12 cordas que todos admiravam; logo outros artistas do então iniciante movimento “Jovem Guarda” quiseram ter Os Megatons para acompanha-los nas gravações, como por exemplo Marcos Roberto e Antonio Marcos. Com todo este sucesso o caminho natural era que a banda fosse convidada a gravar seu proprio disco o que aconteceu através da gravadora Mocambo/Rozenblit com as músicas “MEU MACHUCADINHO” e “NELMA” as 2 de autoria de Wagner Bitão e PrimoMoreschi. O 2° compacto - tambem pela Mocambo/Rozenblit - tinha as músicas: “CUIDADO” (Marcos Roberto & Dori Edson) e “SÓ PENSO EM MEU BEM” (Henrique Adriani). O 3° e ultimo compacto saiu pela Odeon e tinha as musicas: “TARZAN (Wagner Bitão - PrimoMoreschi) e “VIAJANDO” (Wagner Bitão - Antonio Sodinha).


No 2° semestre de 1967 foram convidados a participar do inovador programa "Quadrado e Redondo" dirigido à juventude e apresentado pela dupla Serginho Galvão-Debora Duarte na então recem inaugurada TV Bandeirantes e que foi um grande sucesso na época; chegaram ainda a participar no final daquele ano da gravação do único LP de Bobby de Carlo e no inicio de 1968 Os Megatons estavam preparando a gravação do seu 1° LP mas infelizmente não chegou a ser concretizado pois houve a prematura dissolução da banda.


Fonte

Altafini - Single (Pauta, 1968)




Altafini é outra obscuridade, gravou esse compacto pelo pequeno selo "Pauta Gravações e Propaganda Limitada" em 1968. No single ele canta e é acompanhado pela também obscura banda We Four.

Altafini chegou a se apresentar na TV no programa de Flávio Cavalcante, cantando Eu Lutarei Pela Paz. A música fala sobre a infância e pacifismo e em certo trecho fala sobre quebrar coisas e jogar pedras. Foi criticado pela letra por um dos jurados e teve seu compacto quebrado no ar pelo apresentador do programa. O cantor e seu empresário alemão ainda tentaram divulgar o trabalho, mas sem êxito. Ao que parece, em 1969 Altafini já tinha encerrado a carreira de músico.

Duas coisas devem ser destacadas nesse single, as composições, que são próprias do cantor, mostrando bastante personalidade e originalidade nas letras. E o outro é o acompanhamento arrasador do We Four, com muita guitarra fuzz e barulho, bem sujo e diferente.

As duas canções do compacto circulam pela Web, já faz um tempo, através da compilação virtual Brazilian Nuggets, dedicada a psicodelia brasileira.

Celso Fagundes Altafini, nasceu em São Paulo e em 1982 se casou, mudando-se para Fortaleza (Ceará). Se alguém de Fortaleza que conhece o cara estiver lendo isso daqui, seria de grande interesse meu entrar em contato com o artista para uma entrevista.

Todas as informações aqui contidas foram retiradas do programa de Washington Morais dedicado a Jovem Guarda, que em sua edição de número 21 foi sobre Altafini.



Tracklist
Lado A - Eu Lutarei Pela Paz
Lado B - Xaropão


DOWNLOAD!





Jovem Guarda - Programa 21 - Altafini

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

The Maskers - Single (Continental, 1965)





Não existe quase nenhuma informação sobre o The Maskers. Eles foram capa do volume 1 da coletânea gringa Hearts of Stone, dedicada as obscuridades garageiras do Brasil. Ao que parece, gravaram somente dois compactos, este lançado pela Continental em 1965 e outro pela Chantecler, que continha a música Veja Só. No compacto aqui postado temos basicamente versões. Vem é uma versão para Help dos Beatles e reflete os efeitos da British Invasion aqui no Brasil. É Difícil Esquecer é uma versão para You're My Baby, Don't You Forget It. O compacto é de sonoridade é mais beat do que garage, com letras em português. Destaque para a capa do compacto com os integrantes fazendo jus ao nome da banda. Boa pedida para quem gosta de obscuridades, covers e versões.


Obs: Mais informações sobre a banda serão bem vindas.

Tracklist
Vem (Help!)
É Difícil Esquecer (You're My Baby, Don't You Forget It.)

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Os Incríveis - Neste Mundo Louco (Continental, 1967)




Algumas pessoas tendem a torcer o nariz quando o assunto é Jovem Guarda e acabam menosprezando o estilo, resumindo ele aos hits que ouviram por acaso na tv ou coisa parecida. A verdade é que a jovem guarda é a expressão autêntica de nosso rock sixtie, com tudo de bom ou brega que essa década teve. Nela, como em qualquer outro estilo, há espaço para coisas boas, ruins e fenomenais. Todo mundo "conhece" Roberto, Erasmo e Wanderléa, as pontas de lança do movimento, porém muitos outros fizeram parte dela. Gosto de brincar e chamar os grupos mais obscuros e de tendência mais garageira (Os Baobás, The Brazilian Bitles) de "Jovem Guarda linha-dura", em contraponto as melodias mais açucaradas do estilo. E esse disco postado aqui dos Incríveis de certa forma reúne esses elementos.

Os Incíveis nasceram no ano de 1962 em São Paulo com o nome de The Clevers e já começaram a gravar em 1963 em plena moda do Twist. Dois anos depois, por motivos legais, mudam o nome para Os Incríveis, iniciando a fase de maior sucesso do grupo que se estende do final dos anos 60 até o início da década seguinte, contando com sucessos como Era um Garoto que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones e Eu Te Amo, Meu Brasil, composição de Dom e Ravel identificada com o regime militar e que acabou por trazer desprestígio para o grupo. Em seguida o grupo se separou e alguns de seus integrantes ainda gravaram nos anos 70 como Risonho, Mingo e Nenê, passando por grupos como Som Nosso de Cada Dia e Casa das Máquinas. Nas décadas seguintes o grupo se reúne em decorrência de comemorações e aniversários da Jovem Guarda.

Em 1967 eles gravaram Os Icríveis Neste Mundo Louco, nome também do filme que foi rodado com eles ma Europa. Aqui há desde músicas mais animadinhas como Feliz Foi Adão, passando pelo pop italiano romântico de La Fisarmonica, pelas canções carregadas de distorção fuzz e cheiro de garagem como Hold Tight e Giulieta e a pertubadora Don Pepe Legal, de autoria do guitarrista e vocalista Mingo, que passeia pelo jazz, rock instrumental e guitarra fuzz garageira. Neste disco a fromação era Netinho (bateria), Mingo (guitarra base e vocal), Risonho (guitarra solo), Nene (baixo), que foi integrante do The Rebels e Manito (sax), que posteriormente chegou a gravar com os Mutantes.

Se você ainda tem preconceito com a Jovem Guarda, me desculpe a indelicadeza, mas o problema é todo seu, pois estará perdendo oportunidade única de saborear um rock tipicamente brasileiro, sem ser regionalista, que nada tem haver com aquele excremento pop feito aqui nos 80. E se você é um aficionado em sons de garagem, não deixe de dá uma olhadinha no próprio quintal, antes de procurar coisas no do seu vizinho anglo-saxão.

Teen Trash


1 The girl like you
(D.R.)

2 Renascerá
(Los Brincos - Mingo)

3 Hi-Lili Hi-lo
(Deustche - Kaper)

4 Hold tight
(Blaikley)

5 La fisarmonica
(Enriquez - Zambrini - Migliacci)

6 My mummy put sugar on me (Mamãe passou açúcar em mim)
(Carlos Imperial - Mingo)

7 Piangi com me
(Mogol - Schapiro)

8 Giulieta
(Los Brincos)

9 Feliz foi Adão
(Carlos Imperial - Eduardo Araújo)

10 Don Pepe Legal
(Mingo)

11 Que será será (Whatever will be, will be)
(Livingston - Evans)

12 Um sorriso champagne
(D.R.)


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Trecho do filme Os Incríveis Neste Mundo Louco


Os Incríveis num visual meio Billy Childish

sábado, 22 de novembro de 2008

Psicofasicos De Bolívia – Go-Gó a 4000 Metros! (Discos del Condor, 2003)


De volta a América Latina camaradas, mas especialmente "La Bolivia del Fuzz y del Groovie". Tendo seu foco no país dos camponeses cocaleros, a coletânea Psicofasicos De Bolívia – Go-Gó a 4000 Metros! (Discos del Condor, 2003) , nos brindam com 14 pérolas obcuras, com forte acento punk, gravadas entre 1967-1969.
Psicofásico era o nome de um selo da gravadora Discos Mendes, de onde saiu alguns dos compactos contidos nesta coletânea, assim também como do selo Lyra. Diferente de outros países latinos como o Brasil ou Argentina, nos quais o rock and roll chegou e também começou a ser feito ainda nos anos 50, na Bolívia ele chega apenas nos anos 60 através de programas de rádio. Com a chegada da beatlemania e de grupos do Uruguai (Los Shakers e Los Iracundos) e do vizinho Brasil (The Clevers, posteriormente rebatizado de Os Incríveis) que se apresentavam a céu aberto em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, desencadeia-se uma onda de novas bandas. Os cabelos crescem, as guitarras fazem barulho e os chefes de polícia começam a se incomodar. É criado o “operativo tijeras” que consistia de pegar qualquer jovem cabeludo e raspa-lhe a cabeça. Muitos jovens ainda foram presos por suas atitudes rebeldes se assemelharem à dos guerrilheiros revolucionários. É esse o cenário de gestação do rock boliviano e que Psicofasicos nos trás com fuzz e cheiro de garagem, através de nomes como Los Burros, The Dagh Dagh’s, The Lovin Darks, The Blackstones e Los Ecos com uma menina de 11 anos na bateria e seus gritos infernais.
Teen Trash
tracklist
Side 1
1. Los Daltons - Alto Y Seco
2. The Dhag Dhags - Trata De Comprender
3. Los Ecos - La Gran Pelea
4. The Blackstones - Pena
5. Los Tennyson - Un Mundo Para Mi
6. Grupo 606 - Rompe, Cruza O Ayudame
7. The Dhag Dhags - Tipo Sicodelico
Side 2
1. Grupo 606 - Busco Un Camino
2. The Donkeys - El Pobre
3. Los Burros - You'd Better Run
4. Los Bonny Boy's Hot's - Virgenes Del Sol
5. The Loving Darks - Complicado
6. Los Grillos - La Tarara
7. The Dhag Dhags - Bohemio


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