sábado, 11 de setembro de 2010
Honra e glória a Joe Strummer
Versão de Joe Strummer and The Mescaleros para Redemption Song" de Bob Marley.
"Mas minha mão foi feita forte
Pela mão do Todo-Poderoso
Nós avançamos nessa geração
Triunfantemente
Você não vai ajudar a cantar
Essas canções de liberdade?
Porque tudo que eu tenho sempre
canções de redenção
canções de redenção"
sexta-feira, 30 de julho de 2010
ZZ & De Maskers - Dracula (1964)
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Dennis Lyxzén e o novo hardcore suéco
quinta-feira, 25 de março de 2010
O retorno da garagem e da psicodelia em discos
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Killed By Glam - 16 UK junk shop glam rarities from the 1970's
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
80's Spanish Punk
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Dr. Feelgood - She does it right (1975)
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Punk galego e Power pop britânico
Novedades Carminha é uma banda da região da Galiza, pertecente a administração do Estado espanhol, apesar da cultura e lingua diferenciada. O grupo lançou uma demo cassete no ano passado com o nome de "Grandes Éxitos". Participaram da compilação Matado por la Muerte e esse ano lançaram seu primeiro LP com o nome de "Te Vas con Cualquiera" pelo selo espanhol Bowery Records. Aqui você confere o clip de "Yo no Uso Codón", canção do recente LP.
The Fans é uma banda inglesa, de Briston, do final dos anos 70. A música que você confere aqui no vídeo é do seu primeiro single, lançado em 1979 pela Fried Egg Records. Power Pop dos bons.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
De Hoje Haele (2009)
Me deparei essa semana com esses jovens dinamarqueses. Eles são o De Hoje Haele. Por mais que esse nome lhe faça lembrar algo em nosso idioma, não esqueça que isso é dinamarquês. Tem gente que diz que soam como o Redd Kross de "Born Innocent" e resgatam o Kalemaris, "proto punks" da Dinamarca. Exageros a parte, se eu fosse dizer com o que se parece, diria que é um killed by death punk com direcionamento power pop e uma certa sensilidade garageira. Eles lançaram duas cassetes, um ep em 150 cópias e depois o reprenssaram em mais 300 unidades. Esse vídeo é de um show em Berlin em abril desse ano. A primeira música é Sige Hej, que não tenho a mínima idéia do que significa, mas é ótima, muito boa até. Adoro a sonoridade dessa guitarra. Nesse momento eles estão fazendo uma turnê pelos EUA. O som você confere no myspace da banda.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)

Garage Punk da Última Hora Com os Vigários
(Atendendo a pedidos vindos da Paraíba e abrindo o leque Lixo Jovem para os anos 2000, aqui vai o primeiro disco dos Vicars)
Os Vicars é formado por Mike Whittaker, Chris Langeland , Marcus Volkert e Will Pattenden. Na verdade eles são um bando de moleques com idade entre 17 e 19 anos, vindos de Bury St Edmunds em Suffolk, localizada no leste da Inglaterra. Possuem uma demo, dois singles e no final de 2008 lançaram seu primeiro álbum pela Dirty Water Records.
Com muitas apresentações ao vivo o grupo tocou em todos os meses do ano passado, inclusive abrindo no retorno dos Mummies em Valencia na Espanha.
Back On The Streets abre com uma introdução demoníaca e logo depois vem a faixa título que lembra Night of The Phantom de Larry and The Blue Notes. Daí você já tira todo o clima Back From The Grave no qual estão imersos esses rapazes. Os vocais em faixas como Don't Try to Tell Me também vão lhe fazer lembrar dos Mummies, os auto-intitulados reis do budget rock, aliás, uma das faixas do disco leva esse nome. Já em canções como You Better Watch Out e I Don't Wanna be Like You dá pra sentir um pouco do veneno de 1977 nos caras.
Esses meninos poderiam está idolatranto astros da Mtv ou escutando “emo” de supermercado, mas preferiram ficar com o Billy Childish, Mummies, punk, surf e garage rock. Coisas assim não acontecem todo dia. O futuro promete.
Teen Trash
tracklist
01. Introduction to Thee Vicars
02. Back on the Streets
03. Why Have You Changed?
04. Mindless Squares
05. Budget Rock
06. Small Town Blues
07. Don't Try to Tell Me
08. Tore My Heart
09. The Dreaded Day Job
10. Gonna Make You Mine
11. They Lied to You
12. You Better Watch Out
13. I'll Hunt You Down
14. I Don't Wanna be Like You
15. Leavin' Here
16. Straight Home*
*Falta a faixa 16
Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Thee Vicars - Back On The Streets (2008)
Garage punk da última hora com Thee Vicars. A banda lançou um ótimo disco em 2008 pela Dirty Water Records. Destaque para a idade de seus integrantes, que possuem de 19 a 17 anos. Em breve disco para download aqui no blog.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Soggy (Mémoire Neuve/Reims Punk'N'Roll, 2008)
As palavras que vieram a minha cabeça quando escutei Soggy pela primeiro vez foram: “Que porra é essa? Isso parece Stooges com Motorhead!”. O vocalista Beb é um show a parte, com seu corpo de Iggy Pop e cabelo de Rob Tyner do MC5. O restante da banda é composta por Eric Dars (guitarra), Olivier Hennegrave (bateria) e François Tailleur (baixo). O apocalipse estava formado.

Soggy surgiu em 1978 na comuna de Reims, situada à leste de Paris, na região de Champagne-Ardenne (um conhecido centro comercial) e é resultado do fim de outros grupos da localidade como Woman Bleed, Antechrist e Hardfuckers. No começo tiravam covers de Alice Cooper, MC5, Black Sabbath e Stooges, o que nos diz muito sobre o som do grupo. Quando começaram a compor material próprio, principalmente sobre a influência de Stooges, o caldeirão Soggy estava formado e fervendo! Eles se rotulavam ironicamente de Hard Wave, em decorrência dos diversos rótulos que os jornalistas lhe colocavam como Hard Rock e New Wave. O grupo contava com um bom aparato técnico para promover suas próprias turnês pela região de Champagne-Ardenne e chegaram a viajar para Paris e outros países como Bélgica , Alemanha, Suíça e Holanda. Vale ressaltar que tuso isso sem o apoio de nenhuma gravadora.

O ponto alto da banda foi o lançamento de um single autopromovido no ano de 1981 e a gravação ao vivo de Wating for the War para o canal de Tv FR3 Reims. O single lançado de maneira do it yourself, contava com as canções Waiting for the War e 47 Chromosomes e trazia Beb fazendo pose de fisiculturista na capa. A banda recusou diversos contratos com grandes gravadoras, pois queriam que eles cantasem em francês, o que foi rebatido diverssas vezes pela banda. Depois de uma série de shows e de uma suposta abertura da turnê européia de 1982 do Judas Prist o grupo se dissolveu.
O único lançamento oficial do Soggy até hoje era o single já citado, porém em 2008 os selos franceses Mémoire Neuve e Reims Punk'N'Roll, lançaram um vinil, limitado em 500 cópias, que contém as gravações do Soggy do período de 1978-1982, resgatando da obscuridade essa pérola valiosa. Uma aula imperdível de Raw Power, de rock bruto feito de suor e sangue! Com 11 faixas o disco é uma primazia de originalidade e misturas até então impensadas, com momentos de punk alá Stooges com a energia dos motores MC5 e uma pegada mais heavy metal. Um disco que com certeza vai agradar os aficionados por garage, punk e heavy metal.Longa vida ao Raw Power!
Teen Trash
Soggy (Mémoire Neuve/Reims Punk'N'Roll, 2008)
tracklist
Lado A
1. 47 chromosomes
2. Lay down a lot
3. I feel top of the world
4. Cellulitis is the top of the shapeless body
5. Down the shops
6. I wanna be your dog
Lado B
1. Waiting for the war
2. Cursed boy
3. Slider
4. Let's go together
5. Lost my brain

terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Soggy - Wating For The War (1981)
Gravação nos estúdios FR3 na França em 1981
Em breve disco para download aqui no blog.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Portuguese Nuggets Vol. 1 - A Trip To 60's Portuguese Beat, Surf And Garage (Galo de Barcelos Records)

Nessa semana nossa bússola punk aponta para a península Ibérica, mais precisamente Portugal. Apesar de falarmos a mesma língua, não costumamos saber muito sobre a música feita lá, só conhecemos Roberto Leal, que é uma droga, e olhe lá. Some a ele Chutos e Ponta Pés mais a banda hardcore Time X e meus conhecimentos musicais sobre Portugal chegam ao fim.
Foi uma surpresa quando me deparei com Portuguese Nuggets. Com um nome inspirado na mitológica compilação Nuggets, a série conta com três volumes, reunindo boa parte da produção do rock português dos anos 60. Nesse primeiro volume, que abrange o período de 1964-1969, o sutítulo já indica o que vamos encontrar: beat, surf e garage. E é isso o que temos pela mãos de gente como Os Tártaros, Os Morgans, Quinteto Acadêmico, Os Chinchilas, Paulo Machado, Conjunto Mistério, Os Titãs, Os Blusões Negros, entre outros.
A epidemia garageira ocorrida nos 60 foi algo realmente sem fronteiras e só se compara com o que aconteceu com o punk rock em 77, inspirando meio mundo de moleques a formarem seus próprios grupos. Mas não é de se estranhar, se a British Invision chegou até aqui ou na África, não era de se espantar que também tivesse plantado suas sementes em Portugal. Portuguese Nuggets documenta o que acorreu lá, resgatando essas pérolas portuguesas. Enjoy!
Teen Trash
Track List
01. (Intro:Pop Five Music Incorporated - Overture)
02. OS TARTATOS - Tartária
03. QUINTETO ACADEMICO - Train
04. DANIEL BACELAR - Tema Dos Gentlemen
05. POP FIVE MUSIC INCORPORATED - Fire
06. CONJUNTO ACADEMICO JOAO PAULO - Sue Lin A Minha Chinesa
07. VICTOR GOMES & SIDERIAIS - Mama
08. PAULA MACHADO - Hoje Mais Feliz Do Que Nunca
09. CONJUNTO RUY MANUEL - Fuga
10. CONJUNTO MISTERIO - Tired Of Waiting
11. OS MORGANS - Opus
12. CONJUNTO ACADEMICO JOAO PAULO - Hully Gully Do Montanhes
13. OS TITAS - Tema Para Titas
14. SHEIKS - Try To Understand
15. OS CHINCHILAS - I`m A Believer
16. QUARTETO 1111 - Bissaide
17. JETS - Let Me Live My Live
18. OS BLUSOES NEGROS - Tequilla
19. OS EKOS - Esquece
Part 1
http://www.mediafire.com/?sfkzqjyjnnd
Part 2
http://www.mediafire.com/?1l227jnzmod
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
The Monks - Black Monk Time (Polydor, 1966)

Gravado no final de 1965, Black Monk Time é um sério concorrente ao título de “primeiro álbum punk”, e por mais vazia e fútil que essa distinção pareça (...) o grupo certamente soa mais normal hoje do que em sua época.

Embora os Monks nunca tenham tocado fora da Alemanha (...) o grupo de cinco ex-combatentes americanos, que se apresentavam vestidos como monges, de hábito e cabeça raspada, ganhou uma boa e merecida reputação em certos círculos, baseada quase inteiramente neste álbum excepcional (...).

No disco, o órgão e um banjo elétrico feito à mão se uniram aos tradicionais instrumentos do rock, tocados com precisão e raiva. Black Monk Time à vezes é hilariante, rouco, radical esfuziante. A faixa de abertura, “Monk Time”, é uma homenagem aos mutilados de guerra; “Hate you” não estaria deslocada no filme cult dos anos 60 O Diabo é Meu Sócio. Outras faixas, como “Boys are Boys and Girls are Gils” e “Druken Maria”, trazem referências de um folk teutônico bastardo – mas será uma lembrança emotiva, condenatória ou simplesmente algo que foi desbotando nesses pobres soldados desiludidos, tão longe de casa? A inscrição na capa, afinal, diz que os “Monks não acreditam em nada” (sic).
DN
1001Discos Para Ouvir Antes de Morrer
DOWNLOAD!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Introducción Al Mundo Garajero*

Garage-rock, garage-punk, r'n'b, soul-punk... todos estos nombres y más se pueden leer en cualquier revista especializada y la cuestión a plantear aquí es si todos estos nombres valen para algo o no. Obviamente es 1a manera de saber de qué coño estamos hablando cuando hablamos de música, pero a veces todas estas denominaciones sólo valen para que cuatro snobs de mierda parezca que saben de qué pelotas están hablando (cuando en realidad no tienen ni idea) y en vez de usarlas en beneficio de un mayor entendimiento, se usan para todo lo contrario: para que nadie sepa de qué narices están hablando. Así que, en este número de tu fanzine favorito, vamos a intentar aclarar algo de estos términos.
.A
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
História do Northern Soul
Você mora numa cidade perdida em algum lugar do norte da Inglaterra. Centenas de fábricas ocupam o horizonte com chaminés, poluindo o céu com um vômito de fumaça cinzenta e escura. Durante a semana, em uma dessas fábricas, você trabalha numa escravidão das nove às cinco: manejando na linha de produção, varrendo o curral, removendo merda. O trabalho é ingrato, mas ele te paga o suficiente para você viver. Mais importante, ele te paga o suficiente para você sair e dançar. Porque embora a fábrica talvez seja seu trabalho, isso certamente não é a sua vida. Todos os finais de semana, você viaja para outras cidades perdidas do norte, se veste legal, se entope de drogas e dança pra valer músicas obscuras de soul music, sonhando o tempo todo com cantores de impossíveis lugares glamourosos como Detroit, Chicago e Philadelphia. Sua vestimenta é fora de moda, mas bastante prática. Das suas polos brancas da Fred Perry descendo para seus sapatos de sola de couro Ravel, tudo que você veste é para conforto e agilidade. As drogas que você toma também são práticas: um exército de anfetaminas, engolidas para o único propósito de deixar você na pista de dança até o amanhecer. Você dança discos de artistas desconhecidos, de gravadoras que ninguém conhece, cantando canções que pouquíssimas pessoas escutaram até hoje. Porém são esses discos que são seus únicos tesouros, os únicos que você gasta dezenas de pounds - as vezes até milhares - do seu magro salário para adquiri-los. Seus amigos, ainda no rock progressivo ou então descobrindo os moldes pop-glitter do glam rock e Bowie, riem de você. Eles não entendem o mundo secreto que você habita. Eles não entendem as roupas, a música e os rituais da sua existência underground. Na sua cabeça, você faz parte de um grupo fechado, você pertence a um dos mais puros e descontaminados movimentos musicais de todos os tempos. Você é um “Northern Soul boy”.
Exatos quinze anos antes da cultura rave chamar atenção para sua existência, Northern Soul apareceu com quase um plano total. Aqui havia uma cena onde garotos da classe trabalhadora saiam juntos em grande número, vindos de vários lugares e distâncias, para lugares obscuros, para tomar drogas e dançar músicas que ninguém mais se importava. Foi uma cena em que união era tudo. Foi bastante ignorada ou tratada sem respeito pelos sofisticados jornalistas musicais ou pelos clubs de Londres, permitindo que ela se desenvolvesse vastamente, sem perturbação ou observação. E, como no movimento rave (em que a “essência do movimento” divergiu do lado mais mainstream da cena na tentativa de preservar o espírito original da música), Northern Soul acabou num dramático final, assim como os DJs progresivos encontraram sua política/mente musical mais aberta, com forte oposição dos tradicionalistas, a “essência do movimento”. Northern Soul tem sido amplamente descrito como um não-influente movimento musical, mas de fato ele foi um passo muito importante para a criação da atual cultura club e também para a evolução dos DJs. Muitos dos primeiros discos que atingiram as paradas na Inglaterra decorrentes dos clubs vieram dos clubs de Northern Soul. E foram os DJs de Northern Soul que introduziram muitas das inovadoras artes ‘estilosas’ de discotecar e certamente não foi coincidência que o primeiro DJ com aptidão suficiente para tocar House veio de um passado Northern Soul. De fato, até a Disco-Music emergir em New York, graças ao Northern Soul e clubs como Catacombs e Twisted Wheel, a cultura britânica de DJ estava muito mais avançada do que na América. O que o Northern Soul trouxe ao DJ foi obsessão. Pois isso cravou uma incrível recompensa na cultura da raridade musical, fez dele um obsessivo e compulsivo colecionador de vinil. Isso ensinou à ele o valor de discotecar discos que ninguém tinha, de gastar meses, anos e milhares de pounds na procura daquela canção inédita que poderia trazer o público, a audiência sob seu domínio. Mandou o DJ atravessar oceanos para caçar em empoeirados e miúdos armazéns de discos por clássicos desconhecidos, que sua concorrência não tinha e não poderia tocar. Northern Soul mostrou ao DJ como transformar o vinil em pó de ouro.
Um gênero construído do fracasso
Quando Eddie Holland, Lamont Dozier and Brian Holland ouviram o novo hit dos The Four Tops em 1965 pela Motown chamado “I Can`t Help Myself” (o primeiro havia sido “Ask The Lonely”, do ano anterior), perceberam que ele poderia ser bastante influente para uma estranha turma de DJs obcecados por soul-music no norte da Inglaterra. Da abertura com salva de bateria, baixo e piano até os grandiosos arranjos de cordas, e ressonantes e rítmicos vibrafones que serviam de base para a voz de Levi Stubbs, isso rendeu um padrão, uma forma para o Northern Soul. “I Can`t Help Myself” tinha exatamente o tipo de sonoridade que eles queriam no Twisted Wheel. Neste club simples com clima de porão, perto do centro de Manchester, por volta de 600 garotos se espremiam todos os sábados à noite e dançavam os sons mais raros do país. Dançavam até 7h30 da manhã de domingo. O Twisted Wheel abriu em novembro de 1963, localizada em 26 Brasenose Street, como um lugar que varava a madrugada, tocando um mix de blues, early-soul, bluebeat e jazz (no dia 18 de setembro de 1965 ele se mudou para uma segunda localidade, em 6 Whitworth Street). A novidade das festas que varavam a madrugada rolou por um tempo e foi sem dúvida o primeiro a alimentar esses garotos. Mas em dois anos, como o costume nos clubes mudou significantemente, o Wheel poderia se tornar um raro oásis para tal música. Em Londres e no sul, o rock underground começou a dominar. Mas nos clubs do norte, essa tendência não virou moda, não pegou. Talvez por causa que o norte, predominado pela firme classe trabalhadora, se prendeu numa tendência de sessões de soul que se estendia madrugada adentro. Talvez isso rolava simplesmente porque a cultura pop se espalhava mais devagar do que agora. As comunicações entre Londres e o resto do país eram certamente mais limitadas e as únicas revistas relevantes de música se especializaram em rock e pop. Então os “wheelites” (freqüentadores do Twisted Wheel), cheios de felicidades, não estavam cientes de que estavam se tornando um anacronismo, continuando a dançar os contagiantes discos de soul que eles tanto amavam. Havia uma boa razão para o clima rápida das músicas tocadas no Wheel. Sua clientela era presa à velocidade. Eles consumiam pastilhas inteiras de comprimidos de tarja preta, como os prellies e dexys (drinamyl, preludine e dexedrine), tanto comprados dos traficantes dentro do club ou roubados das farmácias. Não era raro freqüentadores que estavam indo para o club pararem no meio do caminho para entrar numa farmácia e roubar essas drogas, e assim conseguir seus sustento para mais uma noitada. “Esses caras ‘bad boys’ tinham que patrulhar de vários jeitos em Wigan,” lembra Ian Dewhirst, “e olhar para as lojas farmacêuticas que não tinham uma boa segurança. E não importava por onde eles entravam, você poderia quase apostar sua vida que alguma farmácia seria assaltada.” Abastecidos por essas anfetaminas, eles dançavam de várias maneiras um específico tipo de música. O tempo rítmico era tudo. Para rolar isso no Wheel, uma música tinha que ser energética o suficiente para deixar agitado os “speed-freak-dancers” - impulsionada por uma urgente e pesada batida Motown, com trompetes e instrumentos de cordas e com um melodramático vocal negro. Essa música não era funkeada, mas era rápida. As letras não falavam de sexo, mas sim sobre amor; melodias sentimentais que provia a trilha sonora da libertação da mente dos trabalhos monótonos das fábricas. “O Twisted Wheel era um lugar incomum, pequeno, com cinco ambientes e pisos de pedra”, lembra Dave Evison, que mais tarde discotecou no Casino, em Wigan. “Bicicletas estacionadas em todos os lugares que você olhava. Levei quatro semanas pra descobrir onde o DJ ficava: ele ficava escondido atrás de uma pilastra velha de metal! Como parte da dança, os garotos costumavam correr e dar pulos, e ver quão alto eles conseguiam pular. Foi uma coisa jovem, ansiosa. Havia um respeito pelos disc jockeys; havia um respeito pelo que ele tocava. Foi uma boa cena”. O que era extraordinário era a mobilidade dos ‘clubbers’ que começaram a ir lá. Aficionados por soul viajavam vários quilômetros para chegar no Twisted Wheel. Se você achava que ninguém tinha sido capaz de deixar sua cidade e ir dançar em outra cidade até a época das raves, pense novamente: esses garotos estavam fazendo isso não em 1989, mas em 1969. “Uma das partes da diversão era de fato viajar até lá”, relembra Carl Woodroffe, que como Farmer Carl Dene iria se tornar um dos DJs pioneiros da cena. “E as rodovias não existiam como elas são agora. A M6, por exemplo, não iniciava até que você fosse no norte de Cannock para ir para Manchester”. Cobertos por roupas normais, ‘wheelites’ como Dene faziam uma jornada até Manchester antes de se ‘transformar’ com ternos bem passados, camisas justas e gravatinhas estreitas. Este estilo, que predominava no Wheel, veio para esses clubbers oriundo dos mods do começo dos anos 60. E, sem dizer respeito ao calor do club, esse era o jeito que você tinha que ficar até voltar pra casa. “Você ficava encharcado de suor, mas tinha que ficar com o terno até sair do club” ri Dene. “Mas com o terno sempre era uma boa forma de você chegar nas garotas. Era ótimo aquilo”. O primeiro Twisted Wheel na Brasenose Street foi onde originou a sonoridade do Northern Soul. O DJ residente Roger Eagle tinha um gosto eclético pela black-music, tocando o blues do Little Walter, o jazz moderno e pesado do Art Blakey, mixando isso com Solomon Burke e o som da Motown do começo. Embora importações fossem escassas no começo dos anos 60 na Inglaterra, ele foi fazendo dinheiro importando discos em xadrez da América, e tocando esses discos desde o começo do Wheel. Entretanto, Eagle viu os ‘speed-dancers’ ditar cada vez mais o clima de seu set. Eventualmente ele ficava frustrado com a cena de anfetaminas que rolava no Wheel, forçando seu eclético playlist em direção a um único e forte clima e tempo rítmico. “Eu comecei o northern soul, mas de fato achei a música muito limitada”, ele conta, “porque nos primeiros dias eu tocava uma música da Charlie Mingus, depois mandava um hit, seguido por uma canção do Booker T., depois uma do Muddy Waters ou do Bo Diddley. Gradualmente, havia essa adoração por uma espécie de som. Quando comecei a discotecar, podia tocar o que queria. Mas depois de três ano, tinha que me limitar a um único tempo rítmico, o que é o que o northern soul é”. Claramente, na época que o Wheel se mudou para a Whitworth Street, essa música tinha se encolhido consideravelmente. Os últimos DJs residentes - Phil Saxe, Les Cokell, Rob Bellars, Brian Phillips e Paul Davies - se concentraram em ritmos mais agitados e rápidos. Naquele tempo, o Wheel era o lugar para se tocar. “Oh, era um lance meio cult no Wheel se você discotecasse lá”, conta Bellars, rindo. “Haviam pessoas implorando para fazer isso!” Embora havia uma considerável variação de estilos e rítmos, os DJs tocavam um soul muito restrito e limitado. “Nós estávamos tocando algo a mais do que era chamado de rhythm and blues, mas depois tocávamos novos lançamentos como Incredibles, Sandy Sheldon e todos os bons discos do EUA. Discotecávamos coisas importadas como “Agent Double-O Soul”, do Edwin Starr. Tocávamos coisas do Revilot e Ric-Tic. Tudo na OKeh veio do Wheel. Eles não eram necessariamente freneticamente rápidos, mas foram os precursores do que ficou conhecido como Northern Soul”. Bellars está preparado para desmentir os falsos boatos que foram espalhados sobre a música do club. “As pessoas diziam que o Wheel só tocava lançamentos britânicos”, ele diz, “mas isso era besteira”. Na verdade, ele e seus amigos caçavam por discos em todos os lugares: da influente loja Corner em Londres, de alguns lugares de Midlands e de lojas americanas, como a Randy, no Tennessee.










