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sábado, 11 de setembro de 2010

Honra e glória a Joe Strummer



Versão de Joe Strummer and The Mescaleros para Redemption Song" de Bob Marley.

"Mas minha mão foi feita forte
Pela mão do Todo-Poderoso

Nós avançamos nessa geração

Triunfantemente

Você não vai ajudar a cantar

Essas canções de liberdade?

Porque tudo que eu tenho sempre

canções de redenção

canções de redenção"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ZZ & De Maskers - Dracula (1964)



Dando prosseguimento a nossa arqueologia do punk rock voltamos aos anos 60, especificamente a Holanda no ano de 1964 e aos ZZ & De Maskers numa apresentação na TV. É nederbeat com espírito punk.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dennis Lyxzén e o novo hardcore suéco

Se no final dos anos 90 você gostava do Refused e curtia aquela mistura ideológica de Maio de 68 com a classe de 1977 e toda sorte de experimentalismos, levados a sério pelo grupo para expandir o punk rock, e se depois você se interessou ainda mais pela mistura de comunismo e garage rock do International Noise Conspiracy, o nome Dennis Lyxzén lhe diz alguma coisa. Nada mais do que a cabeça pensante por detrás dessas duas grandes bandas suecas. Agora o jovem Dennis volta as suas origens com o grupo AC4 e despeja toneladas do velho e bom hardcore nos moldes dos anos 80. O AC4 lançou um disco (s/t) em 2009 pelo selo sueco NY Vag e mais alguns compactos. Uma observação quanto ao selo. Ele é meio que um espelho de Umea, a cidade de onde saiu gente como Regulations, Masshysteri e The Vicious, lançando material de todas esses bandas. Fiquem agora com um vídeo contendo apresentação do AC4 executando a maravilhosa Let's go to war, entre outras. Nos próximos posts, mais bandas suecas. Longa vida a Umea!

quinta-feira, 25 de março de 2010

O retorno da garagem e da psicodelia em discos

Queria registrar aqui dois recentes lançamentos do selo português Groovie records. Estes lançamentos dizem respeito aos brasileiros, por se tratar do resgate de uma parte esquecida e por vezes menosprezada de nossa discografia, o rock de garagem e a psicodelia nacional. 

O primeiro é o lançamento da discografia do The Bubbles em Lp, contendo seu compacto de 1966 e temas inéditos. Raw and Unreleased traz, entre outras, uma versão para For your love do Yardbirds e a inédita Get of my land. Esse é também um duplo resgate, pois o Lp contém duas canções raras do compacto de 1971 de A Bolha, grupo que se originou do The Bubbles.

O outro lançamento diz respeito ao desenvolvimento posterior do rock de garagem, a psicodelia. Com o título de Brazilian guitar, fuzz bananas já fica indicado o direcionamento do disco, permeado pelo sincretismo moderno do tropicalismo, abrangendo o período de 1967 a 1976. 

Podemos classificar esse disco como um lançamento de luxo, pois além de ser um Lp duplo, acompanha um óculos 3D e um livro com fotos e biografia em inglês e português de todas as bandas. Na mesma linha do bom trabalho de garipagem da Groovie, o lançamento contem material raro e também inédito. Além de conter a participação de The Pops, do desbocado Sergei e do delirante Fábio, o disco resgata nomes esquecidos e raros como Loyce e os Gnomos, Banda de 7 Léguas e Marc Rybell.

Outra novidade do selo é que as compras agora poderão ser feitas através de depósito bancário pelo Banco do Brasil. Para mais informações de como adquirir seus discos, escreva para  contact@groovierecords.com.
 
 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Killed By Glam - 16 UK junk shop glam rarities from the 1970's

Séries como Killed By Death abriram um filão no punk que já existia a pelo menos uma década no garage rock, a saber, as coletâneas com gravações obscuras de grupos desconhecidos.

É nessa esteira de produção de documentos musicais que surge Killed By Glam - 16 UK junk shop glam rarities from the 1970's. O selo responsável por essa empreitada "glamourística" é o Moon Boot Records. A compilação se encontra em seu segundo volume, recentemente lançado,  que leva o subtítulo de Glamming across the Europe! Com bandas da França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suiça e Bélgica.

As relações do punk rock com o glam são no mínimo incestuosas. Os dois principais centros de ebulição do punk, Inglaterra e Estados Unidos, possuíram grupos glams que vieram a influenciar a geração seguinte de roqueiros. Nos EUA tivemos o New York Dolls, que foi referência para a maioria dos grupos que orbitaram em torno do CBGB's e na Inglaterra existiu o Hollywood Brats, que com o advento do punk inglês desembocou em 1976 no grupo The Boys, com dois remanescentes dos Brats Casino Steel e Mat Dangerfield.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

80's Spanish Punk


A Espanha é um país de grandes dimensões geográficas. E em seu porcesso de unificação violou vários limites culturais, unificando forçosamente povos de línguas (ou dialétos, dependende do seu ponto de vista) diferentes sobre a alcunha imperialista de Espanha. Regiões culturalmente distintas como a Galiza e o País Basco estão sobre o controle administrativo e político do Estado espanhol. O panorama do punk espanhol original é rico e deixou um legado que mesclava a influência do punk inglês de 1977 e Ramones com política de esquerda, sarcasmo, bom humor e muita polêmica. A pesar das bandas aqui apresentadas serem de regiões com línguas diferentes do espanhol, como o galego e o basco, os grupos sempre gravavam em espanhol, talvez como forma de divulgação. O punk feito na Espanha é um dos cenários nacionais que mais gosto, depois do inglês e norte-americano, por saberem plasmar para o castelhano o espírito punk sem parecerem anglófonos envergonhados de sua origem latina.


Siniestro Total (Galiza)




Siniestro Total é a minha banda favorita do punk espanhol dos anos 80. A banda é natural de Vigo, região da Galiza, onde se fala o galego, língua bem mais parecida com português do que com espanhol. A história da banda começa com a amizade colegial entre Julián Hernández e Alberto Torrado, quando no começo dos anos 70 compartilhavam o gosto por Beatles, Rolling Stones, Shadows e o glam rock da época, representado por Slade e o incrível T. Rex. No entanto, é somento nos anos 80 que o Siniestro Total irá ganhar os contornos que o fariam conhecido. Em 1981 ainda eram um trio formado por baixo, bateria e sintetizador, mas ainda nesse ano mudam para a formação clássica do punk, excluindo o sintetizador e incluiundo a guitarra. E é nessa forma que gravam um ep em 1982 pelo selo Discos Radioativos Organizados (DRO). O ep consegue uma vendagem que ficou entre quatro ou cinco mil cópias, uma cifra difícil de ser alcançada por um grupo independente na época. Com o dinheiro arrecadado com a venda do ep, custeiam a gravação de seu primeiro disco em novembro de 1982, com o título "Cuándo se Come Aquí?", retirado do quadrinho Lucky Luke. Em Madrid, gravam em três dias quinze canções para o LP e ainda uma música para uma coletânea de natal da DRO. O LP vende ainda mais que o ep e é até hoje um dos discos independentes que mais vendeu na Espanha. Com o sucesso alcançado pelo grupo são chamados para apresentação no canal Televisión Española, no prgrama Caja de Ritmos. Os apresentadores Carlos Tena e Diego Manrique pedem para a banda apresentar músicas inéditas e em cinco minutos Julián compõe "Mi Pica un Huevo" e Miguel cria "Sexo Chungo". Contudo não poderam apresentar as canções, pois no dia anterior Las Vulpes haviam tocado "Me gusta ser una zorra", causando uma grande polêmica nacional, que resultou na demissão do apresentador Carlos Tena. Posteriormente a banda reaproveitou as composições em outras gravações. "Cuándo se Come Aquí?" é uma obra prima do punk espanhol, viciante, combinando Ramones e sarcasmo em altos níveis, perpassada por política de  esquerda antimperialista em "Fuera las manos chinas del Vietnam socialista" e sexualidade adolescente patológica em "Las Tetas de mi Novia". O disco é um dos momentos altos do punk espanhol e mundial do anos 80, uma audição obrigatória para qualquer amante de música punk.

Las Vulpes (País Basco)




Las Vulpes foi uma banda polêmica em sua época e de curtíssima duração discográfica. Lançaram apenas um single em 1983 contendo duas músicas. Entre estas estava "Me Gusta Ser una Zorra", cantada em cima da base de "I Wanna Be Your Dog" dos Stooges. Foi essa múica a responsável pela polêmica que envolveu a banda, o canal Televisión Española, o jornal ABC e o Partido Democrata Popular (PDP). Em 23 de abril de 83 o grupo se apresentou no programa Caja de Ritmos, do canal sitado, e executou a canção do single. Pelo teor da letra, que traduzindo seu título seria Gosto de Ser uma Puta, o canal recebeu várias críticas, principalmente do jornal ABC e do PDP. Como desenlace da apresentação da banda no programa, que era exibido no horário infantil, o apresentador Carlos Tena foi demitido. Logo depois a banda acabou, deixando por vinte anos apenas um single como registro. Em 2005 voltaram e gravaram o disco chamado "Me Gusta Ser", logo em seguida se separando novamente. Assistam o vídeo da polêmica apresentação na TV e conheçam esse representante feminino do genuíno punk espanhol dos anos 80.

Eskorbuto (País Basco)




Eskorbuto, também do País Basco, são os responsáveis por um dos hinos máximos do punk espanhol, o clássico "Mucha Policia, Poca Diversión", contida em seu primeiro single de 1983. A história da banda atravessa polêmicas políticas, prisões e também morte de dois de seus membros originais por uso de heroína. Para quem pensa que lei anti-terrorismo é algo gestado na era Bush contra o povo árabe, precisa conhecer o Eskorbuto. Durante uma viagem para Madrid em 83 eles foram barrados pela polícia, que aplicou a lei anti-terrorismo pelo conteúdo da demo que levavam para divulgar. Temas como "ETA", referência a organização político-militar idependentista do País Basco e "Maldito País España" eram o suficiente para a polícia espanhola prender uma banda punk nos anos 80. Durante a prisão se sentiram abandonados pela esquerda basca, e como bons polêmistas que eram, deram a resposta no disco de 1984 "Zona Especial Norte" com a canção "A la mierda el País Vasco". Some a isso o não alinhamento ao chamado Rock Radical Basco da época e o roubo de uma guitarra do grupo também basco La Polla Records para se ter uma noção de como esse rapazes eram dóceis. Esse comportamento provocador trouxe problemas para a banda se apresentar em sua própria região. Seguiram lançado discos e splits e em 1992 a formação original encontra seu fim com a morte de Iosu Expósito (guitarra) e Juanma Suárez (baixo e voz). A banda nunca foi um grupo de músicos, mas com pouco souberam fazer muito e deixaram para a posterioridade canções como "Mucha Policia...", exemplo claro de que no punk rock mais vale uma boa pegada do que técnica musical.





Hasta la vista, baby!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dr. Feelgood - She does it right (1975)



Dr. Feelgood tocando She Does it Right na TV em 1975. Essa guitarrinha é muito gostosa de escutar, um exemplo do R&B duro e seco do pub rock inglês. Observando a platéia parece que em 75 as pessoas estavam deixando de se parecerem com hippies e ficando mais parecidas com atores de pornôchanchada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Punk galego e Power pop britânico



Novedades Carminha é uma banda da região da Galiza, pertecente a administração do Estado espanhol, apesar da cultura e lingua diferenciada. O grupo lançou uma demo cassete no ano passado com o nome de "Grandes Éxitos". Participaram da compilação Matado por la Muerte e esse ano lançaram seu primeiro LP com o nome de "Te Vas con Cualquiera" pelo selo espanhol Bowery Records. Aqui você confere o clip de "Yo no Uso Codón", canção do recente LP.




The Fans é uma banda inglesa, de Briston, do final dos anos 70. A música que você confere aqui no vídeo é do seu primeiro single, lançado em 1979 pela Fried Egg Records. Power Pop dos bons.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De Hoje Haele (2009)



Me deparei essa semana com esses jovens dinamarqueses. Eles são o De Hoje Haele. Por mais que esse nome lhe faça lembrar algo em nosso idioma, não esqueça que isso é dinamarquês. Tem gente que diz que soam como o Redd Kross de "Born Innocent" e resgatam o Kalemaris, "proto punks" da Dinamarca. Exageros a parte, se eu fosse dizer com o que se parece, diria que é um killed by death punk com direcionamento power pop e uma certa sensilidade garageira. Eles lançaram duas cassetes, um ep em 150 cópias e depois o reprenssaram em mais 300 unidades. Esse vídeo é de um show em Berlin em abril desse ano. A primeira música é Sige Hej, que não tenho a mínima idéia do que significa, mas é ótima, muito boa até. Adoro a sonoridade dessa guitarra. Nesse momento eles estão fazendo uma turnê pelos EUA. O som você confere no myspace da banda.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)




Garage Punk da Última Hora Com os Vigários

(Atendendo a pedidos vindos da Paraíba e abrindo o leque Lixo Jovem para os anos 2000, aqui vai o primeiro disco dos Vicars)

Os Vicars é formado por Mike Whittaker, Chris Langeland , Marcus Volkert e Will Pattenden. Na verdade eles são um bando de moleques com idade entre 17 e 19 anos, vindos de Bury St Edmunds em Suffolk, localizada no leste da Inglaterra. Possuem uma demo, dois singles e no final de 2008 lançaram seu primeiro álbum pela Dirty Water Records.

Com muitas apresentações ao vivo o grupo tocou em todos os meses do ano passado, inclusive abrindo no retorno dos Mummies em Valencia na Espanha.

Back On The Streets abre com uma introdução demoníaca e logo depois vem a faixa título que lembra Night of The Phantom de Larry and The Blue Notes. Daí você já tira todo o clima Back From The Grave no qual estão imersos esses rapazes. Os vocais em faixas como Don't Try to Tell Me também vão lhe fazer lembrar dos Mummies, os auto-intitulados reis do budget rock, aliás, uma das faixas do disco leva esse nome. Já em canções como You Better Watch Out e I Don't Wanna be Like You dá pra sentir um pouco do veneno de 1977 nos caras.

Esses meninos poderiam está idolatranto astros da Mtv ou escutando “emo” de supermercado, mas preferiram ficar com o Billy Childish, Mummies, punk, surf e garage rock. Coisas assim não acontecem todo dia. O futuro promete.
Teen Trash


tracklist

01. Introduction to Thee Vicars
02. Back on the Streets
03. Why Have You Changed?
04. Mindless Squares
05. Budget Rock
06. Small Town Blues
07. Don't Try to Tell Me
08. Tore My Heart
09. The Dreaded Day Job
10. Gonna Make You Mine
11. They Lied to You
12. You Better Watch Out
13. I'll Hunt You Down
14. I Don't Wanna be Like You
15. Leavin' Here
16. Straight Home*

*Falta a faixa 16


Thee Vicars – Back On The Streets (Dirty Water, 2008)


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Thee Vicars - Back On The Streets (2008)



Garage punk da última hora com Thee Vicars. A banda lançou um ótimo disco em 2008 pela Dirty Water Records. Destaque para a idade de seus integrantes, que possuem de 19 a 17 anos. Em breve disco para download aqui no blog.



sábado, 24 de janeiro de 2009

Soggy (Mémoire Neuve/Reims Punk'N'Roll, 2008)





As palavras que vieram a minha cabeça quando escutei Soggy pela primeiro vez foram: “Que porra é essa? Isso parece Stooges com Motorhead!”. O vocalista Beb é um show a parte, com seu corpo de Iggy Pop e cabelo de Rob Tyner do MC5. O restante da banda é composta por Eric Dars (guitarra), Olivier Hennegrave (bateria) e François Tailleur (baixo). O apocalipse estava formado.


Soggy surgiu em 1978 na comuna de Reims, situada à leste de Paris, na região de Champagne-Ardenne (um conhecido centro comercial) e é resultado do fim de outros grupos da localidade como Woman Bleed, Antechrist e Hardfuckers. No começo tiravam covers de Alice Cooper, MC5, Black Sabbath e Stooges, o que nos diz muito sobre o som do grupo. Quando começaram a compor material próprio, principalmente sobre a influência de Stooges, o caldeirão Soggy estava formado e fervendo! Eles se rotulavam ironicamente de Hard Wave, em decorrência dos diversos rótulos que os jornalistas lhe colocavam como Hard Rock e New Wave. O grupo contava com um bom aparato técnico para promover suas próprias turnês pela região de Champagne-Ardenne e chegaram a viajar para Paris e outros países como Bélgica , Alemanha, Suíça e Holanda. Vale ressaltar que tuso isso sem o apoio de nenhuma gravadora.


O ponto alto da banda foi o lançamento de um single autopromovido no ano de 1981 e a gravação ao vivo de Wating for the War para o canal de Tv FR3 Reims. O single lançado de maneira do it yourself, contava com as canções Waiting for the War e 47 Chromosomes e trazia Beb fazendo pose de fisiculturista na capa. A banda recusou diversos contratos com grandes gravadoras, pois queriam que eles cantasem em francês, o que foi rebatido diverssas vezes pela banda. Depois de uma série de shows e de uma suposta abertura da turnê européia de 1982 do Judas Prist o grupo se dissolveu.

O único lançamento oficial do Soggy até hoje era o single já citado, porém em 2008 os selos franceses Mémoire Neuve e Reims Punk'N'Roll, lançaram um vinil, limitado em 500 cópias, que contém as gravações do Soggy do período de 1978-1982, resgatando da obscuridade essa pérola valiosa. Uma aula imperdível de Raw Power, de rock bruto feito de suor e sangue! Com 11 faixas o disco é uma primazia de originalidade e misturas até então impensadas, com momentos de punk alá Stooges com a energia dos motores MC5 e uma pegada mais heavy metal. Um disco que com certeza vai agradar os aficionados por garage, punk e heavy metal.

Longa vida ao Raw Power!
Teen Trash

Soggy (Mémoire Neuve/Reims Punk'N'Roll, 2008)


tracklist

Lado A
1. 47 chromosomes
2. Lay down a lot
3. I feel top of the world
4. Cellulitis is the top of the shapeless body
5. Down the shops
6. I wanna be your dog

Lado B
1. Waiting for the war
2. Cursed boy
3. Slider
4. Let's go together
5. Lost my brain




terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Soggy - Wating For The War (1981)


Gravação nos estúdios FR3 na França em 1981

Em breve disco para download aqui no blog.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Portuguese Nuggets Vol. 1 - A Trip To 60's Portuguese Beat, Surf And Garage (Galo de Barcelos Records)




Nessa semana nossa bússola punk aponta para a península Ibérica, mais precisamente Portugal. Apesar de falarmos a mesma língua, não costumamos saber muito sobre a música feita lá, só conhecemos Roberto Leal, que é uma droga, e olhe lá. Some a ele Chutos e Ponta Pés mais a banda hardcore Time X e meus conhecimentos musicais sobre Portugal chegam ao fim.

Foi uma surpresa quando me deparei com Portuguese Nuggets. Com um nome inspirado na mitológica compilação Nuggets, a série conta com três volumes, reunindo boa parte da produção do rock português dos anos 60. Nesse primeiro volume, que abrange o período de 1964-1969, o sutítulo já indica o que vamos encontrar: beat, surf e garage. E é isso o que temos pela mãos de gente como Os Tártaros, Os Morgans, Quinteto Acadêmico, Os Chinchilas, Paulo Machado, Conjunto Mistério, Os Titãs, Os Blusões Negros, entre outros.

A epidemia garageira ocorrida nos 60 foi algo realmente sem fronteiras e só se compara com o que aconteceu com o punk rock em 77, inspirando meio mundo de moleques a formarem seus próprios grupos. Mas não é de se estranhar, se a British Invision chegou até aqui ou na África, não era de se espantar que também tivesse plantado suas sementes em Portugal. Portuguese Nuggets documenta o que acorreu lá, resgatando essas pérolas portuguesas. Enjoy!
Teen Trash


Track List
01. (Intro:Pop Five Music Incorporated - Overture)
02. OS TARTATOS - Tartária
03. QUINTETO ACADEMICO - Train
04. DANIEL BACELAR - Tema Dos Gentlemen
05. POP FIVE MUSIC INCORPORATED - Fire
06. CONJUNTO ACADEMICO JOAO PAULO - Sue Lin A Minha Chinesa
07. VICTOR GOMES & SIDERIAIS - Mama
08. PAULA MACHADO - Hoje Mais Feliz Do Que Nunca
09. CONJUNTO RUY MANUEL - Fuga
10. CONJUNTO MISTERIO - Tired Of Waiting
11. OS MORGANS - Opus
12. CONJUNTO ACADEMICO JOAO PAULO - Hully Gully Do Montanhes
13. OS TITAS - Tema Para Titas
14. SHEIKS - Try To Understand
15. OS CHINCHILAS - I`m A Believer
16. QUARTETO 1111 - Bissaide
17. JETS - Let Me Live My Live
18. OS BLUSOES NEGROS - Tequilla
19. OS EKOS - Esquece

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

The Monks - Black Monk Time (Polydor, 1966)


Gravado no final de 1965, Black Monk Time é um sério concorrente ao título de “primeiro álbum punk”, e por mais vazia e fútil que essa distinção pareça (...) o grupo certamente soa mais normal hoje do que em sua época.


Embora os Monks nunca tenham tocado fora da Alemanha (...) o grupo de cinco ex-combatentes americanos, que se apresentavam vestidos como monges, de hábito e cabeça raspada, ganhou uma boa e merecida reputação em certos círculos, baseada quase inteiramente neste álbum excepcional (...).


No disco, o órgão e um banjo elétrico feito à mão se uniram aos tradicionais instrumentos do rock, tocados com precisão e raiva. Black Monk Time à vezes é hilariante, rouco, radical esfuziante. A faixa de abertura, “Monk Time”, é uma homenagem aos mutilados de guerra; “Hate you” não estaria deslocada no filme cult dos anos 60 O Diabo é Meu Sócio. Outras faixas, como “Boys are Boys and Girls are Gils” e “Druken Maria”, trazem referências de um folk teutônico bastardo – mas será uma lembrança emotiva, condenatória ou simplesmente algo que foi desbotando nesses pobres soldados desiludidos, tão longe de casa? A inscrição na capa, afinal, diz que os “Monks não acreditam em nada” (sic).
DN
1001Discos Para Ouvir Antes de Morrer

DOWNLOAD!




segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Introducción Al Mundo Garajero*





Garage-rock, garage-punk, r'n'b, soul-punk... todos estos nombres y más se pueden leer en cualquier revista especializada y la cuestión a plantear aquí es si todos estos nombres valen para algo o no. Obviamente es 1a manera de saber de qué coño estamos hablando cuando hablamos de música, pero a veces todas estas denominaciones sólo valen para que cuatro snobs de mierda parezca que saben de qué pelotas están hablando (cuando en realidad no tienen ni idea) y en vez de usarlas en beneficio de un mayor entendimiento, se usan para todo lo contrario: para que nadie sepa de qué narices están hablando. Así que, en este número de tu fanzine favorito, vamos a intentar aclarar algo de estos términos.
Está claro lo que significa garage, en el sentido de sonido latoso de grupos que intentan imitar a sus ídolos con medios bastante escasos, que ensayan en el garaje de su casa, de ahí el nombre en cuestión. Pero hay que diferenciar entre garage-punk y garage-rock. El garage rock es un fenómeno que ocurrió antes en el tiempo, y evoluciona desde los grupos de frat-rock que surgieron a principios de los sesenta empujados por su amor a los sonidos negros que triunfaban en las listas de r'n 'b, a lo que añaden un ferviente amor por los sonidos de la primera invasión británica, con los Beatles a la cabeza. Frat-rock bands son los grupos de muy principios de los sesenta y finales de los cincuenta que se dedican a imitar a los ídolos negros del momento, como Fats Domino, Ray Charles etc, y también se dedican a hacer imitaciones del otro estilo de moda por aquel entonces, los instrumentales, con formaciones clásicas de guitarra bajo y batería (y órgano algunas veces) aumentada con vientos la mayoría de veces (saxofones aullando a dolor). Formaciones clásicas de este estilo son, claramente las bandas de finales de los cincuenta del Northwest americano con los míticos Wailers la cabeza. Los Wailers son el arquetípico ejemplo de frat-rock band que evoluciona y cambia su sonido hacia el garage-rack, influidos por esas primeras bandas inglesas que vuelven loca a la juventud americana.
Así, uniendo estos dos factores obtendremos la razón de la existencia de los miles de grupos americanos que inundaron todos los rincones del país, grabando un single o un par a lo sumo, con relativo o escaso éxito en las listas de hits locales, probando suerte a ver si podían triunfar a nivel nacional como lo hacían sus ídolos, si bien decir esto es repetir lo que todo el mundo sabe y además yo creo que a pesar de que siempre se piensa en triunfar con tu grupo, el verdadero motivo de que surjan todas estas bandas es el ligar como un animal, reírse y emborracharse todo lo que se pueda. Lo demás ya vendrá. Así pues, diversión y sexo son los motivo principales de que estos chicos se junten en los garajes de sus padres para crear el último hit del momento. Y sucesivamente en el tiempo hace su aparición en escena el garage punk. Personalmente es el tipo de garage que más me interesa. La diferencia con respecto al garage-rack son las influencias y la época en que surgió esta segunda oleada de descerebrados juerguistas. Los grupos de garage-rack surgen pues tras la primera oleada de invasión británica encabezada por los Beatles. Ahora la segunda invasión viene de manos de los chicos malos del rock británico, los Rolling Stones y toda una legión de fieles seguidores del r'n 'b, Kinks, Who, Pretty Things... Se diferencia principalmente por un sonido más sucio si cabe y el calificativo punk se añade ya que sus intenciones suelen ser más "violentas" y provocadoras: los pelos serán más largos, los componentes de los grupos peor parecidos y la actitud en general más nihilista. No olvidemos tampoco que éstos no fueron pioneros, sino una versión "ampliada y mejorada" de los primeros grupos de frat rock a los que nos referíamos antes.
Así pues, los grupos dejan de basarse en el merseybeat de los BeatIes, Scarehers, Dave Clark Five o Jerry and de Paeemakers y su principal influencia ahora es el r'n'b, es decir, blues tocado con la urgencia de un adolescente en celo. Menuda contradicción, o menuda estupidez. Era como vender a los americanos su propia música, sus propias raíces, pero envasada en un bonito tarro de fabricación inglesa. Peor para ellos. Muy bien. Si hasta aquí está todo claro, es porque sólo hemos teorizado. En la práctica esto no es tan fácil. Pongamos un ejemplo: los Sonics. Grupo del northwest americano, de principios de los sesenta, surgidos en el tiempo antes de la llegada de la segunda invasión británica, al menos en sus dos primeros discos, pero el que diga que los Sonics no son un grupo de garagepunk, que venga dios y lo vea. i i j ¡No he oído algo tan salvaje y saturado en mi vida!!!! Los Sonics son la banda de garage por excelencia. Si no tienes sus discos, no se que haces ahí sentado leyendo todo esto. Vete inmediatamente a tu tienda de discos y píllate al menos los dos primeros discos de las bestias pardas del garage mundial. A raíz de todo este movimiento de bandas, el resto de denominaciones son puras subclasificaciones de clasificaciones. Por ejemplo, ya que hablábamos de soul-punk al principio de este articulo, es fácil deducir que la subcorriente que engloba este término es la de las bandas influenciadas por el soul negro de mediados de los sesenta, pasado por la turmix de las bandas de garage, con lo que nos da un soul ultramongolo, tocado por energúmenos sin ningún tipo de idea de cómo tocar un instrumento. Así pues, en estas subdivisiones o divisiones surgidas de la unión de otras varias subdivisiones, las características comunes siguen presentes, la única diferencia es que algunas bandas dan más relevancia a alguna de esas influencias sobre las demás y de ahí el nombre que pongamos tras la palabra garage.
Y, ¿qué tienen todos estos grupos (si, como he dicho antes, sólo son copias cutres del original) para llamar tanto la atención (o al menos a cierto tipo de gente insana y de costumbres mas que dudosas. Bueno, pues que tampoco todo es como se presenta en la teoría (como también dije antes). Estas bandas, si bien se inspiraban en todos esos grupos e influencias antes comentados, no los copiaban al pie de la letra, simplemente se basaban en ellos, les influenciaron, pero nada más. Todo grupo, todo compositor tiene una influencia, así pues, esto no es algo que se puede reprochar a nadie. Lo que busca el garagero al comprar esas recopilaciones de singles sacados de las catacumbas, o al menos lo que a mi me interesa, es encontrar una actitud y un sonido. Actitud y sonido en los que viene envuelta una melodía más o menos buena. En resumidas cuentas, lo que se busca es una buena canción, tocada con dos pelotas y con un sonido que refleje el barullo mental y emocional que transpiraban los cientos de adolescentes en celo que poblaban los suburbios de las más sucias y tristes poblaciones de los Estados Unidos, lo más cercano posible al ruido que debían producir todos estos adolescentes en celo encerrados en el garage de la casa de sus padres y tocando con los instrumentos más baratos que encontraron en la tienda de música de su pueblo. Desde luego que hay grupos que calcaban a los RoIling Stones o a los BeatIes, pero eso ya entra en tu parcela, amigo. Tú eres el que tiene que diferenciar entre copias y originales, entre buenos y malos y si necesitas que te lo digan, no seré yo el que lo haga. Lo realmente interesante de todo esto, al menos para mí, no es la originalidad de estas bandas o la calidad de los músicos (si quieres "calidad" tira este fanzine a la basura y cómprate todos los discos de Yes o Emerson Lake and Palmer) sino el espíritu con que tocan las canciones, la rabia, la alegría, la velocidad y la impericia. El espíritu de la mayoría de estas bandas está capturado en un pedazo de vinilo que ciertos descerebrados se preocupan en buscar y restaurar para que tu, triste comprador, te dejes los cuartos comprando la última colección de garage que sale al mercado.
No se puede tocar garage con más de 23 años, si no, mira a los tipos que hoy día actúan por el mundo bajo el nombre de RoIling Stones. Si queda algo del espíritu con que esos cinco (bueno, ahora "Stones originales" sólo quedan tres) chavales empezaron a tocar, que venga dios y lo vea. Cualquier banda de admiradores de los Stones tendrá más espíritu garagepunk que todos los garage punkers de los sesenta que siguen viviendo de las rentas. Los grupos cabeceros de esta historia no editaban discos tal y como les gustaría a ellos que fueran. Tenían que endulzar su sonido, hacerla agradable a los oídos de miles de jóvenes que van a comprar el siguiente disco de los Stones, y eso, a la larga será una pesada losa para ellos.
En cambio todo este movimiento subterráneo y anárquico que hoy en día un número reducido de retrasados se empeña en buscar comprar y degustar, esta gente no piensa de esa manera, y si bien sus medios son generalmente escasos, sus grabaciones son más fieles al espíritu original que los maquillados discos de los ídolos ingleses del momento. La gente está harta de escuchar mierda prefabricada orientada al consumidor, sonidos amables, fáciles de digerir. Estos chavales tocaban rock'n'roll, ni más ni menos y no perdían el tiempo adornando ni adecentando el sonido. Escupían las canciones tal y como les salía porque así era como las sentían yeso es lo que diferencia a los Rolling Stones de 1963 de los tipos que actúan bajo ese nombre en el año 2002.
Eso y unos cuantos millones más en la cuenta corriente y es que, por muchas historias que me cuenten, no se puede pensar actuar ni vivir igual con 18 años que con cuarenta, y mucho menos si a los dieciocho eres más pobre que una rata y a los cuarenta tienes tanto dinero que no lo puedes ni contar. Y ya que este artículo empezó con la idea de ser una clase magistral de garage, teoría y práctica y se ha convertido en un pequeño panfleto en contra de los músicos de cartón piedra, de los músicos que, como decía Zappa, están en esto por la pasta, (que los hay) y de ancianetes que creen que todavía les queda parte del pastel por comer se resisten a desaparecer. Y que conste que no tengo nada en contra de los viejos músicos que sí han sabido envejecer, Es, yo creo, una cuestión de "necesidades" y la diferencia está en si hacen música por necesidad, porque les sale, o si hacen música por necesidad, porque tienen que comer y no saben hacer otra cosa. Joder, algo habrá que sepan hacer. Pero de todas formas, por favor, que dejen de editarles discos. Aunque si lo miras fríamente la culpa es tanto suya como de los ingenuos compradores que creen que porque un disco lleve un determinado nombre ya es garantía de calidad, La música es música y el intérprete su portador, así que un hermoso portador también puede llevar un zurullo de mierda en su bandeja de plata. Hasta la próxima,
.A


*Extraído del fanzine Poodle Bites # 1

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

História do Northern Soul

História do Northern Soul

Você mora numa cidade perdida em algum lugar do norte da Inglaterra. Centenas de fábricas ocupam o horizonte com chaminés, poluindo o céu com um vômito de fumaça cinzenta e escura. Durante a semana, em uma dessas fábricas, você trabalha numa escravidão das nove às cinco: manejando na linha de produção, varrendo o curral, removendo merda. O trabalho é ingrato, mas ele te paga o suficiente para você viver. Mais importante, ele te paga o suficiente para você sair e dançar. Porque embora a fábrica talvez seja seu trabalho, isso certamente não é a sua vida. Todos os finais de semana, você viaja para outras cidades perdidas do norte, se veste legal, se entope de drogas e dança pra valer músicas obscuras de soul music, sonhando o tempo todo com cantores de impossíveis lugares glamourosos como Detroit, Chicago e Philadelphia. Sua vestimenta é fora de moda, mas bastante prática. Das suas polos brancas da Fred Perry descendo para seus sapatos de sola de couro Ravel, tudo que você veste é para conforto e agilidade. As drogas que você toma também são práticas: um exército de anfetaminas, engolidas para o único propósito de deixar você na pista de dança até o amanhecer. Você dança discos de artistas desconhecidos, de gravadoras que ninguém conhece, cantando canções que pouquíssimas pessoas escutaram até hoje. Porém são esses discos que são seus únicos tesouros, os únicos que você gasta dezenas de pounds - as vezes até milhares - do seu magro salário para adquiri-los. Seus amigos, ainda no rock progressivo ou então descobrindo os moldes pop-glitter do glam rock e Bowie, riem de você. Eles não entendem o mundo secreto que você habita. Eles não entendem as roupas, a música e os rituais da sua existência underground. Na sua cabeça, você faz parte de um grupo fechado, você pertence a um dos mais puros e descontaminados movimentos musicais de todos os tempos. Você é um “Northern Soul boy”.

A primeira cultura rave

Exatos quinze anos antes da cultura rave chamar atenção para sua existência, Northern Soul apareceu com quase um plano total. Aqui havia uma cena onde garotos da classe trabalhadora saiam juntos em grande número, vindos de vários lugares e distâncias, para lugares obscuros, para tomar drogas e dançar músicas que ninguém mais se importava. Foi uma cena em que união era tudo. Foi bastante ignorada ou tratada sem respeito pelos sofisticados jornalistas musicais ou pelos clubs de Londres, permitindo que ela se desenvolvesse vastamente, sem perturbação ou observação. E, como no movimento rave (em que a “essência do movimento” divergiu do lado mais mainstream da cena na tentativa de preservar o espírito original da música), Northern Soul acabou num dramático final, assim como os DJs progresivos encontraram sua política/mente musical mais aberta, com forte oposição dos tradicionalistas, a “essência do movimento”. Northern Soul tem sido amplamente descrito como um não-influente movimento musical, mas de fato ele foi um passo muito importante para a criação da atual cultura club e também para a evolução dos DJs. Muitos dos primeiros discos que atingiram as paradas na Inglaterra decorrentes dos clubs vieram dos clubs de Northern Soul. E foram os DJs de Northern Soul que introduziram muitas das inovadoras artes ‘estilosas’ de discotecar e certamente não foi coincidência que o primeiro DJ com aptidão suficiente para tocar House veio de um passado Northern Soul. De fato, até a Disco-Music emergir em New York, graças ao Northern Soul e clubs como Catacombs e Twisted Wheel, a cultura britânica de DJ estava muito mais avançada do que na América. O que o Northern Soul trouxe ao DJ foi obsessão. Pois isso cravou uma incrível recompensa na cultura da raridade musical, fez dele um obsessivo e compulsivo colecionador de vinil. Isso ensinou à ele o valor de discotecar discos que ninguém tinha, de gastar meses, anos e milhares de pounds na procura daquela canção inédita que poderia trazer o público, a audiência sob seu domínio. Mandou o DJ atravessar oceanos para caçar em empoeirados e miúdos armazéns de discos por clássicos desconhecidos, que sua concorrência não tinha e não poderia tocar. Northern Soul mostrou ao DJ como transformar o vinil em pó de ouro.

Um gênero construído do fracasso
Falando de um modo geral, Northern Soul foi a música feita por milhares de cantores e bandas que copiavam o som de Detroit da Motown nos anos 60. A maioria deles foi um tremendo fiasco em sua época e cidade - foi a música de artistas sem sucesso, de miúdas gravadoras e pequenas cidades, todas perdidas na vasta expansão da industria do entretenimento nos EUA - mas no norte a Inglaterra do final dos anos 60 até o auge no meio dos anos 70, isso era apreciado e exaltado. Northern Soul foi rotulado assim por causa do lugar onde ela era tocada e curtida, e não onde foi criada. A palavra “northern” dentro do Northern Soul refere não à Detroit, mas Wigam. Não à Chicago, mas Manchester, Blackpool and Cleethorpes. Fundar um gênero em volta do amor à uma música que o resto do mundo tinha esquecido era mais ou menos como se encontrar com uma porção de amigos e falar Latim, mas nos clubs baseados no parque industrial do norte britânico, era exatamente isso que acontecia. Isso poderia ter sido por que seus hábitos de tomar drogas demandavam um certo estilo de música, por causa desse rápido e libertador estilo - originado de Detroit, a cidade “motor” - de certo modo gerou essa existência mecanizada. Também poderia ter sido simplesmente por que eles eram resistentes em ver seu estilo de música preferido morrer do nada e ver que o resto do mundo estava cansado disso. Seja lá qual for a razão, esses jovens da classe trabalhadora (quase todos brancos), do norte inglês começaram a celebrar uma série de discos que foram completos fracassos dentro do seu contexto original. O culto por algumas músicas tornou a cena de clubs underground bastante próspera. Por muitos anos, por ser tão independente, a cena também era muito pura. Northern Soul era inteiramente uma cena de clubs, por isso não precisava ser aprovada pelas paradas, não precisava dos hits universais. E porque era um movimento retrô, não tinha a necessidade de ter novas bandas, jovens novas estrelas. Na verdade, pelo fato dos discos terem sidos feitos e lançados anos atrás, não precisava absolutamente de nada da indústria da música. O que era preciso, entretanto, era um exército de dedicados e inteligentes colecionadores determinados a descobrir discos suficientes para dar continuidade à cena. Sem novos discos sendo descobertos e tocados, isso poderia rapidamente resultar em nada mais do que uma sociedade de apreciadores das mesmas velharias de sempre. Com sorte, haviam muitos incentivos para viagens de descobertas de novos discos. Northern Soul tinha um apelo particular para colecionadores, já que era uma cena construída quase que inteiramente por raridades. Um disco não poderia ser somente bom, tinha que ser raro também. Se uma faixa soasse como se ela tivesse sido gravada em algum lugar de Detroit, era muito melhor (embora algumas músicas fossem realmente gravadas em um lugar de Detroit). Acima de tudo, havia um fato atrativo que uma coleção de discos de Northern Soul era - na teoria, pelo menos - ‘completável’: afinal já que apenas discos feitos com um certo estilo em uma certa época em um certo lugar eram aceitos, havia um estritamente finito número de bons discos a serem descobertos e possuídos. Trabalhe obsessivamente e você poderia um dia ter um set absolutamente completo de uma discotecagem Northern Soul. Ainda, dado esse fetiche por vinil, o prestigio que existia ao encontrar novos discos era enorme. Nesse mundo fechado, o homem que descobriu uma música como “There`s a Ghost In My House” de R. Dean Taylor ou “Tainted Love” da Gloria Jones poderia se banhar de admiração dos outros e ser bastante adorado pelo público. Um DJ com uma música exclusiva poderia ver seu público aumentar rapidamente e seu status se elevar. O valor dos discos subia por conseqüência. “Quando você encontra um disco desconhecido, é como ver um bebê nascer”, reflete Ian Dewhirst, um importante DJ de Northern Soul. “Você ouve ela em casa e se maravilha que essa faixa funcionará. E logo você vê sua visão confirmada. Imediatamente a música se torna “quente”. Ver um disco desconhecido ir do valor zero a ser bastante valorizado, era quase que uma carta na manga”. Nos clubs, os jovens dançavam e se guiavam dentro de uma grande excitação e êxtase com os últimos tesouros da América. Pôsteres para o público indicavam não apenas o DJ que estava lá, mas também os discos raros que ele poderia tocar. Dado essa atração doentia sem precedentes por discos, a caça pelos sons mais raros foi comicamente uma longa tortura. Apesar da recompensa financeira ser desproporcional, não havia carência de corajosos exploradores com uma passagem na mão para o ‘novo mundo’, confiantes de que eles poderiam retornar, não com uma caixa de empoeirados e esquecidos singles 7” polegadas, mas com uma caixa cheia de jóias e pérolas.`


The Twisted Wheel e as raízes do Northern Soul

Quando Eddie Holland, Lamont Dozier and Brian Holland ouviram o novo hit dos The Four Tops em 1965 pela Motown chamado “I Can`t Help Myself” (o primeiro havia sido “Ask The Lonely”, do ano anterior), perceberam que ele poderia ser bastante influente para uma estranha turma de DJs obcecados por soul-music no norte da Inglaterra. Da abertura com salva de bateria, baixo e piano até os grandiosos arranjos de cordas, e ressonantes e rítmicos vibrafones que serviam de base para a voz de Levi Stubbs, isso rendeu um padrão, uma forma para o Northern Soul. “I Can`t Help Myself” tinha exatamente o tipo de sonoridade que eles queriam no Twisted Wheel. Neste club simples com clima de porão, perto do centro de Manchester, por volta de 600 garotos se espremiam todos os sábados à noite e dançavam os sons mais raros do país. Dançavam até 7h30 da manhã de domingo. O Twisted Wheel abriu em novembro de 1963, localizada em 26 Brasenose Street, como um lugar que varava a madrugada, tocando um mix de blues, early-soul, bluebeat e jazz (no dia 18 de setembro de 1965 ele se mudou para uma segunda localidade, em 6 Whitworth Street). A novidade das festas que varavam a madrugada rolou por um tempo e foi sem dúvida o primeiro a alimentar esses garotos. Mas em dois anos, como o costume nos clubes mudou significantemente, o Wheel poderia se tornar um raro oásis para tal música. Em Londres e no sul, o rock underground começou a dominar. Mas nos clubs do norte, essa tendência não virou moda, não pegou. Talvez por causa que o norte, predominado pela firme classe trabalhadora, se prendeu numa tendência de sessões de soul que se estendia madrugada adentro. Talvez isso rolava simplesmente porque a cultura pop se espalhava mais devagar do que agora. As comunicações entre Londres e o resto do país eram certamente mais limitadas e as únicas revistas relevantes de música se especializaram em rock e pop. Então os “wheelites” (freqüentadores do Twisted Wheel), cheios de felicidades, não estavam cientes de que estavam se tornando um anacronismo, continuando a dançar os contagiantes discos de soul que eles tanto amavam. Havia uma boa razão para o clima rápida das músicas tocadas no Wheel. Sua clientela era presa à velocidade. Eles consumiam pastilhas inteiras de comprimidos de tarja preta, como os prellies e dexys (drinamyl, preludine e dexedrine), tanto comprados dos traficantes dentro do club ou roubados das farmácias. Não era raro freqüentadores que estavam indo para o club pararem no meio do caminho para entrar numa farmácia e roubar essas drogas, e assim conseguir seus sustento para mais uma noitada. “Esses caras ‘bad boys’ tinham que patrulhar de vários jeitos em Wigan,” lembra Ian Dewhirst, “e olhar para as lojas farmacêuticas que não tinham uma boa segurança. E não importava por onde eles entravam, você poderia quase apostar sua vida que alguma farmácia seria assaltada.” Abastecidos por essas anfetaminas, eles dançavam de várias maneiras um específico tipo de música. O tempo rítmico era tudo. Para rolar isso no Wheel, uma música tinha que ser energética o suficiente para deixar agitado os “speed-freak-dancers” - impulsionada por uma urgente e pesada batida Motown, com trompetes e instrumentos de cordas e com um melodramático vocal negro. Essa música não era funkeada, mas era rápida. As letras não falavam de sexo, mas sim sobre amor; melodias sentimentais que provia a trilha sonora da libertação da mente dos trabalhos monótonos das fábricas. “O Twisted Wheel era um lugar incomum, pequeno, com cinco ambientes e pisos de pedra”, lembra Dave Evison, que mais tarde discotecou no Casino, em Wigan. “Bicicletas estacionadas em todos os lugares que você olhava. Levei quatro semanas pra descobrir onde o DJ ficava: ele ficava escondido atrás de uma pilastra velha de metal! Como parte da dança, os garotos costumavam correr e dar pulos, e ver quão alto eles conseguiam pular. Foi uma coisa jovem, ansiosa. Havia um respeito pelos disc jockeys; havia um respeito pelo que ele tocava. Foi uma boa cena”. O que era extraordinário era a mobilidade dos ‘clubbers’ que começaram a ir lá. Aficionados por soul viajavam vários quilômetros para chegar no Twisted Wheel. Se você achava que ninguém tinha sido capaz de deixar sua cidade e ir dançar em outra cidade até a época das raves, pense novamente: esses garotos estavam fazendo isso não em 1989, mas em 1969. “Uma das partes da diversão era de fato viajar até lá”, relembra Carl Woodroffe, que como Farmer Carl Dene iria se tornar um dos DJs pioneiros da cena. “E as rodovias não existiam como elas são agora. A M6, por exemplo, não iniciava até que você fosse no norte de Cannock para ir para Manchester”. Cobertos por roupas normais, ‘wheelites’ como Dene faziam uma jornada até Manchester antes de se ‘transformar’ com ternos bem passados, camisas justas e gravatinhas estreitas. Este estilo, que predominava no Wheel, veio para esses clubbers oriundo dos mods do começo dos anos 60. E, sem dizer respeito ao calor do club, esse era o jeito que você tinha que ficar até voltar pra casa. “Você ficava encharcado de suor, mas tinha que ficar com o terno até sair do club” ri Dene. “Mas com o terno sempre era uma boa forma de você chegar nas garotas. Era ótimo aquilo”. O primeiro Twisted Wheel na Brasenose Street foi onde originou a sonoridade do Northern Soul. O DJ residente Roger Eagle tinha um gosto eclético pela black-music, tocando o blues do Little Walter, o jazz moderno e pesado do Art Blakey, mixando isso com Solomon Burke e o som da Motown do começo. Embora importações fossem escassas no começo dos anos 60 na Inglaterra, ele foi fazendo dinheiro importando discos em xadrez da América, e tocando esses discos desde o começo do Wheel. Entretanto, Eagle viu os ‘speed-dancers’ ditar cada vez mais o clima de seu set. Eventualmente ele ficava frustrado com a cena de anfetaminas que rolava no Wheel, forçando seu eclético playlist em direção a um único e forte clima e tempo rítmico. “Eu comecei o northern soul, mas de fato achei a música muito limitada”, ele conta, “porque nos primeiros dias eu tocava uma música da Charlie Mingus, depois mandava um hit, seguido por uma canção do Booker T., depois uma do Muddy Waters ou do Bo Diddley. Gradualmente, havia essa adoração por uma espécie de som. Quando comecei a discotecar, podia tocar o que queria. Mas depois de três ano, tinha que me limitar a um único tempo rítmico, o que é o que o northern soul é”. Claramente, na época que o Wheel se mudou para a Whitworth Street, essa música tinha se encolhido consideravelmente. Os últimos DJs residentes - Phil Saxe, Les Cokell, Rob Bellars, Brian Phillips e Paul Davies - se concentraram em ritmos mais agitados e rápidos. Naquele tempo, o Wheel era o lugar para se tocar. “Oh, era um lance meio cult no Wheel se você discotecasse lá”, conta Bellars, rindo. “Haviam pessoas implorando para fazer isso!” Embora havia uma considerável variação de estilos e rítmos, os DJs tocavam um soul muito restrito e limitado. “Nós estávamos tocando algo a mais do que era chamado de rhythm and blues, mas depois tocávamos novos lançamentos como Incredibles, Sandy Sheldon e todos os bons discos do EUA. Discotecávamos coisas importadas como “Agent Double-O Soul”, do Edwin Starr. Tocávamos coisas do Revilot e Ric-Tic. Tudo na OKeh veio do Wheel. Eles não eram necessariamente freneticamente rápidos, mas foram os precursores do que ficou conhecido como Northern Soul”. Bellars está preparado para desmentir os falsos boatos que foram espalhados sobre a música do club. “As pessoas diziam que o Wheel só tocava lançamentos britânicos”, ele diz, “mas isso era besteira”. Na verdade, ele e seus amigos caçavam por discos em todos os lugares: da influente loja Corner em Londres, de alguns lugares de Midlands e de lojas americanas, como a Randy, no Tennessee.


Quanto mais obscuro melhor

A razão pela qual os DJs de northern soul eram forçados a ficar ligados nas raridades era simples: no começo dos anos 70, os EUA tinham parado de produzir os discos adequados. A música negra americana mudou do veloz soul-pop da Motown, e seus produtores - ao lado da imensa influencia de James Brown e Sly & The Family Stone - começaram a experimentar outros tipos de ritmos e sonoridade. O soul se tornou funk, e o acento foi para ritmos pesados, ao invés da saudosa melodia. Em Manchester, isso não aconteceu muito. Claro, ainda era uma black music bacana, mas muito funkeada e muito devagar para um público com a mente cheia de pílulas e anfetaminas. Eles precisavam de uma coisa com um pouco mais de urgência do que “say it loud, i`m black and i`m proud” (“diga bem alto, sou negro e com orgulho”). Então os DJs começaram a caçar profundamente e ir atrás de discos antigos que tinham o ritmo requisitado e o charme dos instrumentos de corda. Ian Levine, que mais tarde se tornou o disc jockey mais influente do Northern Soul, visitou pela primeira vez o Wheel no final de seu período de oito anos de existência. Ele recorda a mudança como a procura por obscuras velharias começou. “As pessoas estavam cansadas das mesmas músicas velhas - como “You`re Ready Now” de Frankie Valli e “Six By Six” de Earl Van Dyke - que tinham sido tocadas por anos no Wheel. Havia um público, uma audiência faminta nas noites, loucas de pílulas e anfetaminas, que queriam dançar aquele estilo dos discos da Motown”, diz Lavine. “Rob Bellars descobriu que se descobríssemos esses discos difíceis de achar, a cena sobreviveria”. Essa caça desvendaria um vasto universo de discos de soul negro (e, eventualmente, alguns execráveis brancos, também), até então desconhecidos. Ligeiros o suficiente para a diversão da juventude de ficar louco de pílula, e alguma vezes legais o suficiente para se destacarem e virarem hits pop. E conforme eles iam penando nas procuras pelo tipo certo de disco para suas pistas de dança, esses DJs estavam também aprendendo a trabalhar com o público - representando um tipo de sofisticação ao que emergiria em New York anos mais tarde. Não havia falas entre as músicas, apenas uma seqüência pura de soul com picos para deixar os “speed-freak-dancers” felizes. “Muitos DJs tocavam músicas numa certa ordem, por causa do jeito que as pessoas dançavam” lembra Bellars, descrevendo como ele tocava uma seqüência de três músicas do Bobby Freeman, “The Duck”, C`mon And Swin” e “The Swim”, nessa ordem, porque elas construíam um tempo rítmico. “Você construía isso gradualmente, e em seguida tocava cinco músicas rápidas na seqüência. Depois você desacelerava um pouco, senão a coisa ficava maníaca”. Os visitantes do Wheel ficavam impressionados com o que viam. “A dança é sem dúvida a mais legal que eu já vi fora dos EUA”, escreveu Dave Godin, um colunista de black-music no Blues & Soul e o homem que começou a operação Tamla Motown na Inglaterra. Todo mundo lá era um experto nas ‘palminhas soul’. Nos lugares certos, e com uma selecionada e penetrante qualidade que adicionava algo a mais na apreciação da soul-music. Não havia uma influência oculta de tensão e agressão, como às vezes encontrávamos nos clubs de Londres, mas sim um benevolente e bondoso espírito de amizade e camaradagem. Notando a força da cena do soul no norte, Godin, que morava em Londres, foi a pessoa que criou o rótulo “Northern Soul”. Em 1970, inspirado pela sua primeira visita ao Twisted Wheel, Godin empregou o termo “Northern Soul” (soul do norte) em sua coluna no Blues & Soul. Godin abriu uma loja de discos chamada Soul City em Londres, na Monmouth Street, no bairro de Soho. Ele primeiro percebeu as diferenças de gosto entre o norte e o sul quando o pessoal do norte, vindo de viajens de jogos de futebol, procuravam por um som específico. “O que eu notei foi que as pessoas que vinham do norte não estavam comprando o que subseqüentemente foi chamado de funk”, diz Godin. “Aí eu comecei a usar o termo ‘northern soul’, que era pra quando tivessemos a loja cheia de sujeitos do norte, tocaríamos só northern soul para eles. Foi assim que o termo pegou”. O Twisted Wheel de Manchester concedeu muito da parte essencial do que ainda viria. Ajudou a inspirar o nome da cena, começou com a caça obsessiva dos DJs por discos raros e desconhecidos, deu a ele um mar de contatos de devotados (e musicalmente entendidos) ‘clubbers’, e lançou o começo de uma intensa afeição entre a jovem (e branca) classe trabalhadora do norte e a black-soul-music americana. E também se consolidou como o principal club da Inglaterra. No mesmo período, New York tinha os clubs mais luxuosos, a clientela mais bonita e um sistema de som que dava vergonha se comparado com o do Twisted Wheel. Mas isso não era importante. Culturalmente e musicalmente, o que estava rolando no norte da Inglaterra era anos luz a frente do que em qualquer outro lugar. Inspirados pelo Wheel, uma porção de clubs apareceram, enriquecendo ainda mais o contato entre DJs, fãs e colecionadores. Leicester tinha o Oodly Boodly (depois o Noght Owl), havia o Mojo em Sheffield (onde o DJ era o jovem Peter Springfellow), o Dungeon em Nottingham, o Lantern em Market Harborough e o Blue Orchid em Derby. Em Birminghan, tinha o Whiskey-A-Go-Go, que varava a madrugada e era informalmente conhecido como Laura Dixon Dance Studios. Entretanto, nenhum desses foi tão influente como o Twisted Wheel. Foi aqui que, em um porão em Manchester, uma geração de colecionadores, ‘clubbers’ e DJs se apaixonavam pela soul music. Fatalmente, a reputação do Wheel como paraíso de drogas extrapolou, culminando com o seu fechamento pela polícia de Manchester no começo de 1971. Ele só poderia ser reaberto se houvesse uma cooperação com a polícia, para que os tiras ficassem dentro do club durante toda a madrugada. Houve cenas emocionantes na última noite. “Sabíamos que ia fechar”, diz Rob Bellars, “e as pessoas choravam”. Vendo o legado do Twisted Wheel em junho de 1974, um ‘soul-boy’ disse para a Black Music: “algo mudou quando o Wheel fechou. Você sabe, nunca mais haveria essa mesma cena musical “tudo-pela-boa-música”.


O Catacombs e Farmer Carl

Um club inextricavelmente linkado com o Twisted Wheel era o Catacombs em Temple Street, Wolverhampton. Apesar do seu horário de fechamento cedo (fechava à meia-noite) ter limitado uma influência direta, foi aqui que muito do menu iniciante do Northern Soul foi traçado. Seu DJ, Farmer Carl Dene, fez mais do que talvez qualquer outro em construir sólidas fundações para o Northern Soul. Ele foi provavelmente o primeiro DJ na cena a se empenhar em descobrir discos raros, e um dos primeiros em sacar que ter mais raridades do que sua concorrência poderia ser de fato uma parte criativa da discotecagem. E por introduzir e emprestar discos aos DJs no segundo Twisted Wheel, ele foi responsável pela explosão de muitos hinos no começo do Northern Soul. Farmer Carl Dene (“farmer” veio de um chapéu que ele vestia; Dene ele achou um belo nome artístico), nasceu como Carl Woodrofle. Ele descobriu a soul music como primeiramente um freqüentador do Whiskey-A-Go-Go em sua cidade natal Birmingham. Depois no Mojo, em Sheffield, e no próprio Twisted Wheel. “Acho que foi por causa que você não podia ouvir isso em lugar nenhum”, ele diz, “Era único. Você não ouvia nas rádios. Você não ouvia isso em um club normal. Você tinha que ir e escolher um lugar; e havia apenas alguns desses lugares”. Um colecionador fervido, ele começou a discotecar no La Metro em Birmingham, depois no Chateau Impney em Droitwich e depois, no mais conhecido, Catacombs. Farmer Carl não apenas tinha bons discos, como raros também. Discos que ninguém tinha. Ao invés de tocar a versão mais famosa de uma música, ele ia atrás da cover mais crua, menos familiar e fazia dela famosa. Um exemplo é a fantástica “I`m Not Going To Work Today”, pelo Boot Hog Pefferley And The Loafers. Essa faixa tinha sido um hit não muito importante da Clyde McPhatter, mas Carl preferia a versão mais obscura. Ele comprou sua cópia no Roger Eagle. “Aquilo realmente me impressionou”, ele lembra. “Então eu comprei por 110 pounds, o que é uma puta grana!” “Ele foi o único que descobria discos que eram tocados no Wheel”, diz Ian Lavine, o único dos DJs que vê Farmer Carl como um mentor da cena. “Ele achou o álbum do Richard Temple chamado “That Beating Rhythm” pelo selo Mirwood Records. Ninguém acreditava que isso existia. Você tinha que ir ao Catacombs para ouvir”. Dene também introduziu o Sharpee com “Tired Of Being Lonely”, Gene Chandler And Bárbara Acklin’s com “From The Teacher To The Preacher” e o clássico northern soul Doris Troy com “I’ll Do Anything” (Troy depois fez os backing vocals para “Dark Side Of The Moon” do Pink Floyd). “Farmer Carl era o único que eles ‘endeusavam’”, declara Levine. Haviam outros DJs influentes, incluindo um renomado colecionador de Gloucester, conhecido como Docker. Ele fazia a alegria dos fãs de soul no Wheel, por carregar uma maleta de discos com tranca. Uma das gemas dentro dessa mala super segura era a única cópia no país do Leon Haywood de “Baby Reconsider”, agora respeitado como um clássico do Wheel. Embora a cena ainda estivesse em seus anos de formação, ela já tinha uma influência na ampla indústria da música - foi esse embrionário movimento do norte que semeou os primeiros “chart-hits” que vieram dos clubs ao invés das rádios. Quando a música “Just A Little Misunderstanding” de Contours 45 (originalmente gravada em 1965 e re-escrita por Stevie Wonder), alcançou as paradas de sucesso em janeiro de 1970, isso proclamou uma nova era na dance music na Inglaterra. Tami Lynn com “I’m Gonna Run From You”, do selo Polydor de John Abbey, distribuído pela Mojo Records, que alcançou a quarta posição nas paradas em maio de 1971, breve se sucedeu. Abbey, como o fundador e dono do Blues & Soul, estava em posição privilegiada em ver possibilidades para essa música. A confirmação desse novo fenômeno veio quando a música “Hey Girl Don’t Bother Me” de Tam, uma canção que Farmer Carl Dene fazia breaks no instrumental dela, chegou a n. 1 em Julho de 1971 na Inglaterra. “Todo mundo, particulamente as garotas, ficou louco com isso”, ele diz. “A companhia re-editou a música e Peter Powell, que era da Stourbridge, perto do Chateau em Droitwich, ouviu e a trouxe para a rádio. Ele se ligou no clamor da música”.

Outras fontes de Informação sobre o assunto:www.northern-soul.comwww.6ts.info/www.northernsoul.co.uk/ns/
*Este texto foi retirado do livro que conta a história dos DJ's e que tem um capítulo exclusivo sobre a cena Northern Soul. (vou achar o nome do livro e passo para quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre djs e suas fases na história da música. Se não me engano o livro é todo em inglês. Este texto foi traduzido por Marcio Custódio*
RETIRADO DE