Los Angeles foi um dos grandes centros urbanos gestores do punk, assim como Londres e arredores, Nova Iorque e São Paulo. Me lembro agora de uma cena do documentário Botinada. Nela o Clemente fala que se o Ramones não tivesse criado o punk na Big Apple, o pessoal da Carolina teria feito isso pelos americanos. Pois os paulistas também escutavam os discos dos Stooges e New York Dolls, andavam com camiseta listrada, jeans apertado e jaqueta preta. Guardada as devidas proporções do que o Clemente falou, parece que o punk era algo que estava no ar, só esperando alguém captar aquele espírito e jogá-lo numa canção de três acordes. Os Ramones com certeza foram os pioneiros, definindo o essêncial da linguagem punk. Mas parece que mesmo que se eles não tivessem dado o ponta pé inicial, alguém teria dado. Penso que foi uma questão de tempo para o punk se generalizar e virar a linguagem dos roqueiros mais jovens e rebeldes do meio dos anos 70. Nesse interím, lá em Los Angles surgia o The Zeros. Formado em 1976, com o nome incial de Main Street Brats, por Javier Escovedo (v,g), Robert Lopez (g), Hector Peñalosa (b) e Baba Chenelle (d). Os sobrenomes não escondem a ascendência chicana dos Zeros, por isso eram conhecidos como os "Ramones mexicanos". A banda tocou pela costa oeste com gente como Dils, Avengers, X, Plugz, Nerves, Wipers e Weirdos. E abriram o primeiro show do Germs em 1977. Em 1980 tocaram em Austin, Texas, junto com o Middle Class. Ainda fizeram apresentações em Nova Iorque em clubes como CBGB's, Max Kansas City, UK Club e Danceteria. Mas a vida do Zeros foi curta e o grupo se desfez em 1981. Nos anos noventa voltaram, com line up reformado, para alguns shows esporádicos e lançaram o álbum "Right Now!". Canções do grupo ganharam covers por diversas bandas do globo, como La Secta (Espanha) e Hoodoo Gurus (Austrália). Artistas de renome como Tom Waits, Patti Smith e o Damned adimiraram o trabalho dos Zeros. Eles foram um dos pioneiros da cena de Los Angeles e pavimentaram o caminho para Black Flag, Circle Jerks e X. Seus membros continuaram com outras bandas. O guitarrista Robert Lopez tocou no Catholic Discipline, que aparece na primeira parte do documentário The Decline of The West Civilization, e depois se tornou o El Vez, uma espécie de Elvis latino que fez um certo sucesso. Esse vídeo é uma apresentação de 1977 para um programa de tv de San Diego. Ele abre com o grupo tocando "Don't Push me Around" e encerra com uma rápida entrevista com a banda, onde perguntam se eles aceitam a definição de punk rock e o que significa punk rock. O disco "Don't Push me Around", lançado pela Bomp Records em 1992, é uma boa pedida para conhecer os primeiros trabalhos da banda, datados do final dos anos 70.
1. Don't Push Me Around 2. Wimp 3. Main Street Brat 4. Handgrenade Heart 5. Beat Your Heart Out 6. Wild Weekend 7. Comestic Couple 8. Rico Amour 9. Beat Your Heart Out 10. Getting Nowhere Fast 11. She's Just a Girl On the Block 12. They Say That (Everything's Alright) 13. Comestic Couple/Shannon Said/Talkin'/Out of Place/Wild Weekend
Comercial gringo da época do lançamento do Box set da Nuggets. Meio tosquinho, mas vale a pena ver e ouvir alguns trechos dos clássicos da garagem americana. A banda que aparece no vídeo é o Fee Foe 5, da Virgínia e que durou de 1998 à 2002. Engraçado é no final o Music Machine cantando Talk Talk e aparecendo o número do telefone para comprar os cds.
Desde a redescoberta das master tapes do Death que a banda vem despertando a curiosidade de muita gente. Viemos acompanhando aqui pelo blog desde o pré-lançamento do albúm até a sua disponibilização em mp3 para nossos leitores. E mais notícias vem por ai. Não bastasse a lançamento do Lp pela Drag City Records, contendo material inédito mais as músicas do compacto de 1974, um documentário sobre a banda está sendo produzido. É isso mesmo. Um documentário com os integrantes da banda, que sobreviveram, contando sua história. Ele se chama "Where Do We Go From Here". Depois de quase serem esquecidos pela História o Death parece que vem com tudo. Não bastassem o Lp e o documentário, eles ainda vão entrar em turnê. É isso mesmo uma turnê! Mas nada muito grande. Cerca de três shows entre 25 e 27 de setembro em Detroid, Illinois e Cleveland. Para matar a curiosidade, aqui vai um trecho do documentário. Para se manter atualizado sobre o processo de produção clique aqui. Enjoy!
Nunca entre numa loja de discos quando você tiver pouco dinheiro. A menos que você seja uma daquelas pessoas controladas. O que não é meu caso. Dei o que tinha nesse compacto dos Incríveis, até o dinheiro do ônibus. O resultado é que tive que voltar pra casa a pé. Mas valeu cada centavo. Só o prazer de escutar "Vai, Meu Bem" no orginal já é recompensador. A escutei pela primeira vez na coletânea virtual Brazilian Nuggets e já gostei de cara. Esse compacto duplo é de 1968 e está imerso no clima hippie da época, misturado ainda com o típico romantismo jovem guarda. No lada A temos "Mundo Louco", que é uma versão para "Even The Bad Times Are Good". E fala que é doce viver nesse mundo, apesar dele ser louco, com a humanidade se desentendendo a toda hora, provocando confusão e perdendo a razão. Adicione ai bombas e espiões. E você tem o típico coquetel Guerra Fria & James Bond. "Molambo" é sobre o cara que aceita a mulher voltar pra ele, apesar de tudo que ela fez anteirormente. E apesar da reprovação do outros com essa reconciliação. No final o cara gosta, porque assim ele não enloqueceria de saudade e não acabaria virando "um molambo qualquer". O lada B começa com "Se Nos Disserem", uma versão para "E Se Ci Diranno". Uma típica canção anti-guerra e anti-racista made in 68. Um bom lembrete de que nosso rock daquela época não era tão alienado, como nos querem fazer crer os apologistas da mpb. E um alerta para quem gosta de caracterizar binariamente a música brasileira dos anos 60 entre o "intelectualismo" da bossa nova e a "infantilidade juvenil" alienada da jovem guarda. Encerrando o compacto temos "Vai, Meu Bem", que começa massacrando com um riff fuzz. A canção é uma ode a descrança amorosa. Uma canção sobre disilusão só poderia ser assim mesmo, um acid punk para os corações quebrados. Esse compacto duplo de 33 rotações foi lançado pela RCA Victor com o código LCD-1197.
Numa dessas noites boas de se jogar conversa fiada, depois de um dia de aula numa cidade distante, eu conversava com um amigo. A conversava sempre acabava em música. Nesse dia avaliávamos a nova geração. O que queria dizer que avaliávamos um pouco a nós mesmos. Mas como se fossemos mais velhos avaliando os novatos, o que era pura ilusão. Pois tendo nascido em 1984 ou 1994, somos todos, em diferentes níveis, parte da geração que experimentou o Lp, a fita cassete, mas acabamos todos nas garras do mp3, dos blogs e dos iPods made in Paraguai. Toda geração acha que é a última, ou pior ainda, acaha que pode avaliar a turma do cara que é cinco anos mais novo que você como se fosse um velho ancião dicernindo sobre o movimento da vida. Sendo eu um saudosista inveterado, tendo a passar meus dias escutando somente os clássicos de décadas passadas. O que não é ruim. Mas de certa forma me limita e me cega para o que está sendo feito hoje. Enquanto você baixa aquele disco bacana do Adverts de 1978 para seu mp3 player, milhares de bandas estão nascendo, gravando, e fazendo shows, as vezes nem tão distantes de sua casa. Naquela conversa com meu amigo, ele falou que toda geração devia escutar a música de seu tempo. O que foi algo brilhante de se falar, mesmo ele achando que não pertencia aos dias de hoje. Assim, dando prosseguimento à nosso MySpace Control, compartilho com vocês o que gosto de escutar da música de nossos dias, em especial o punk de nossos dias e suas variantes
Duas coisinhas para alegrar meu dia. Duas coisinhas japonesas.
Foda! A única coisa que consegui achar desses caras foi um vídeo no youtube. Impressionante! Eles são japoneses e o vídeo é de aproximadamente 1979. Fazem um som entre New York Dolls e Dead Boys. Inclusive, um trecho dessa música me lembra bastante "Ain't Nothin' To Do", do primeiro disco do Dead Boys. Boys I Love You é visceral, agressiva e provocadora. Amei! Se alguém conseguir achar algo desses caras, por favor me avise!
Foda²! Mr. Twist do SS é ultra nervosa para ser algo de fins do anos 70. São apenas quarenta e oito segundos. É impossível não comparar à "Out of Vogue", de 1978, do Middle Class, considerada uma das primeiras canções hardcore. É nervoso! Batita 1/1, vocal hiper rápido e uma típica estrutura do hardcore primitivo e original dos anos 80. Não consigo parar de ver o vídeo. Me empolga demais! Esse vídeo é um trecho de um documentário japônes chamado "Rockers", que eu desconheço. Nesse blog há um link, porém quebrado, para o disco ao vivo deles de 1979 chamado "The SS - Live '79". O disco possue 36 faixas em 32 minutos. Definitivamente hardcore! Essa gravação ao vivo de 79 só seria lançada em 1985 pelo selo Alchemy Records e ganharia uma versão pirata em 2002. Leia aqui uma resenha do disco.
Para quem acordou desejando comer sushi, eu estou satisfeito.
Procura-se Speeds The SS - Live '79 Rockers (documentary)
O aniversário de 4 anos da Ultras Resistência Coral foi muito bom. A festa começou um pouco depois do horário, mas todas as bandas tocaram. Skate Pirata, Outubro e Ska Brothers mandaram bem. E entre uma banda e outra toquei algumas coisas. Aqui vai o setlist, playlist ou mixtape, como queiram, do que coloquei pra tocar. Enjoy.
Cover: Mirian Linna
01 The Damned - new rose 02 The Adverts - bored teenagers 03 Undertones - teenage kicks 04 Buzzcocks - breakdown 05 Teenage Head - picture my face 06 The Wipers - tragedy 07 Avengers - we are the one 08 Los Violadores - represion 09 Inocentes- pânico em SP 10 Polo Pepo - San Felipe es punk 11 Cheap Time - people talk 12 Nikki and The Corvettes - young & crazy 13 Clorox Gilrs - don't take your life 14 The Oppressed - all together now 15 Death - keep on knocking 16 Joy Division - warsaw 17 Angry Red Planet - curling 18 La Manada - punks de puta madre 19 The Cute Leppers - opening up 20 The Dickies - fan mail
Com Ska Brothers, Outubro, Skate Pirata Dia 08/Ago (Sábado) A partir das 21h No Mocó Stúdio(Rua José Avelino, no. 563 - Próximo ao Dragão do Mar) Ingresso R$10,00
Morreu nesta quinta-feira (06) o diretor, produtor e roteirista John Hughes (1950-2009). Qualquer criança ou pré-adolescente brasileiro que cresceu assistindo Sessão da Tarde já deve ter visto algum de seus filmes: Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, Gatinhas e Gatões e Mulher Nota 1000, só para ficar nos mais conhecidos. Esses dois últimos foram as minhas derradeiras aquisições em dvd. Imagino agora que não demorará para sair edições especiais de seus filmes e coisas paracidas como um Especial John Hughes no Tele Cine Cult. Os filmes de Hughes fazem parte do imaginário teen mundial e ficarão marcados pra sempre na cultura pop.
Saborei essa montagem dos filmes de Hughes, com trilha do Who, e sinta um pouco daquela nostalgia gostosa das tardes que não voltam mais.
The Wild World of Hasil "Haze" Adkins é o nome do documentário sobre a vida de Hasil Adkins. Adkins é uma daquelas preciosidades do rock and roll esquecidas no meio do caminho. Mas vou ficando por aqui, leiam o texto de Abonico seguido de uma entrevista com Marco, do finado Butchers Orchestra, publicado há uns anos atrás no site Mondo Bacana (http://www.mondobacana.com/) e saibam um pouco mais sobre essa lenda feita de fúria e rockabilly.
Carne, café e espírito selvagem Hasil “The Haze” Adkins viveu até o dia 28 de abril em um trailer ao lado da mesma casa que nasceu e nunca abriu mão de tocar uma música apaixonada, agressiva e verdadeira. A causa de sua morte permanece desconhecida, mas ele deixou órfãos grupos como os Cramps, Demolition Doll Rods e Jon Spencer Blues Explosion. George Araújo desvenda o universo demente e fascinante deste intrigante senhor que mal sabia a sua idade.
Adkins compunha desde a década de 50 mas gravou poucos discos.
A história é velha e todos já devem ter conhecido alguém na mesma situação: perdido em um quarto ou em um interior qualquer dos quintos dos infernos, está simplesmente uma pessoa genial e sem instrução alguma fazendo coisas inimagináveis a partir do nada. Essa pessoa improvisa, contorce e distorce o senso comum justamente por voltar ao básico da maneira mais boba possível. É aí que reside a sua genialidade.
Hasil Adkins foi essa pessoa. Nascido e criado nas colinas americanas de Madison, West Virginia, este senhor que mal sabia a própria idade [afirmava ter 67 anos, aproximadamente], condenou todas as almas que escutaram sua música à inquietação eterna. Compondo desde a década de 1950, sabia de cor mais de nove mil canções [apenas 25% eram covers!] e executava todas elas com fúria e paixão nunca vista antes no pretensioso showbiz americano.
Enquanto caçava galinhas e animais silvestres, Hasil se divertia em inventar as mais absurdas histórias envolvendo sexo, decapitação, danças esquisitas e órgãos governamentais. Todas essas histórias aliadas aos hormônios em fúria e rock’n’roll clássico transformaram-no em uma nervosa banda-de-um-homem-só – ele cantava, tocava violão, gaita e bateria simultaneamente.
Adkins traduziu sua realidade em música. Gemia e assobiava e rosnava até para quem não quisesse ouvir. Ele aparentemente não vivenciava as coisas com uma pessoa comum e conseguia partir da mais descabida alegria para um imenso mar azul e triste – isso gritava dentro dele. Seu grito foi tão forte que causou a metamorfose do manso rockabilly em um peçonhento e ultradivertido psychobilly, mas para isso foi necessário um tempo.
Foram quase duas décadas desde o lançamento de “My Baby Loves Me”, seu primeiro single, para conseguir algum reconhecimento. Nem mesmo Richard Nixon, presidente americano na época, escapou de receber algumas fitas. A obscuridade total durou até os Cramps gravarem uma versão para “She Said”. Essa música catapultou o adulto Hasil à condição de cult e fez com que um single feito em 1964 fosse confundido como uma produção do início dos anos 80. Na velha casa da colina, porém, nada mudou e Adkins ficava alheio ao que se passava. Foi preciso que dois fãs criassem um selo para gravar seu primeiro álbum.
Nasce um selvagem The Wild Man foi gravado em 1984 e lançado dois anos depois pela Norton Records. O álbum traz baladas sangrentas como “Turn Off a Memory” e nervos expostos do naipe de “Chicken Flop”. Provavelmente o maior problema desse disco para o grande público era a execução das músicas. Levando-se em consideração que sua carreira até então tinha sido marcada por singles mal gravados [além de viciado em café, vodca e carne crua, Hasil Adkins tinha o péssimo hábito de não cuidar de seus registros originais], comercialmente ele fora um fracasso. Mas a pedra-fundamental havia sido lançada. Partindo deste ponto, Billy Miller e Mirian Linna [primeira baterista dos Cramps e co-fundadora da Norton] selecionaram diversas músicas compostas pelo Selvagem entre 1961 e 1976 para transformar em bolachas.
Então a história mostrou mais uma vez que é cíclica. Tal qual um certo Velvet Underground, poucos compraram os discos de Hasil, mas todos que o fizeram montaram uma banda. Daí para frente, as coisas foram acontecendo de tal maneira que ele abriu um show do Public Image Limited em Nova York, ainda em 1986. Os dados sobre sua discografia divergem, mas são creditados a ele 15 álbuns, 23 singles e dois EPs.
Sua selvageria e tristeza singraram os mares e invadiram corpos de jovens espalhados por todo o globo. Na Europa, pessoas que figuram o selo übercool Voodoo Rhythm realizaram um festival apenas com bandas-de-um-integrante-só. Tal festival contou com a presença do próprio Hasil Adkins mais Margaret Doll Rod, Rev. Beatman e DM Bob, entre outros.
Açougueiro solitário Aqui no Brasil, encontramos no paulista Marco Butcher [frontman do Thee Butchers Orchestra], que tocou no festival citado acima] as sementes da música selvagem plantada por Hasil, o homem-selvagem. Marco lançará no segundo semestre um disco como one-man-band, chamado Skull Santa In All About Girls. Segue abaixo uma pequena entrevista com o açougueiro, sobre a condição de músico solitário.
Você lembra ou imagina o que passou pela sua cabeça na hora que ouviu pela primeira vez uma música do falecido Hasil? E como foi tocar nesse festival em que ele participou? Bom, ganhei um disco dele de presente do Danny Doll Rod, que sempre foi muito fã dele. Me lembro de ter achado tudo aquilo muito primitivo e cru, assim como a maioria das coisas que sempre achei legal ouvir. Afinal, a música feita por ele sempre foi supersimples e bem calcada no blues. Tocar nesse festival foi bem legal. Primeiro porque tive a chance de ver muita gente boa tocando ao vivo, depois porque é uma forma de manter a tradição do blues viva e mostrar que a musica blues não é aquela coisa chata feita por BB King ou outros que se deixaram urbanizar e perderam seu link com o primal.
Hasil Adkins teve efetivamente alguma influência na sua performance de palco ou mesmo nas composições?Não saberia dizer se tive ou não, de forma direta, alguma influência de Adkins em minha música. Acho que isso acabou acontecendo de uma forma mais ligada à atitude de estar no palco totalmente só. Ou seja, sem uma banda.
O que lhe motivou a se "tornar" uma banda-de-um-homem-só?Acho que o principal motivo é a possibilidade de estar fazendo free music. Self-expression fulltime, entende? Digo, sem uma forma ou uma ordem. Às vezes mudo a música e os refrões no ultimo segundo, de acordo com meu humor. Isso traz para minha música uma liberdade única.
Você disse em outro momento que era uma questão de atitude. Que atitude seria essa? Bom, quando falo de atitude, eu me refiro ao lance de estar só em cima do palco. A maioria das pessoas fica em casa reclamando que não consegue montar a banda perfeita ou que ainda não encontrou aquele baixista. Eu não espero ninguém. Se tenho algo a dizer, digo. E isso é que faz o lance de ser uma one-man band. Você não depende da vontade dos outros de estar em uma banda. Acho que isso, sim, seria a coisa mais punk, saca? Tipo, você fazendo seu lance e dando a cara para bater. Sem desculpas, sem maquiagem, sem tecnologia. Só você, sua guitarra, seu bumbo e Deus: o espírito do gospel yeah yeah sound.
Como se sente em gravar um disco com essa proposta mais intimista sabendo que o Brasil não tem essa cultura de respeitar a música pela música? Não acho que meu disco seja mais intimista do que qualquer outro que já gravei com os Butchers. Afinal, não se trata de um disco acústico, nem nada. Ele é supersujo e barulhento como os outros. Só que todo esse poder é provido por uma pessoa só e isso faz a diferença. É claro que o fato de eu estar mais voltado para o swamp blues traz climas mais escuros pra minha música, mas não chega a ser mais intimista. Todo o swing e soul necessários para um bom boogie são encontrados nesse disco. [GA]
A Groovie records relançou o único Lp dos lendários Baobás. O disco vem acrescido de todos os compactos da banda, com as incríveis Bye Bye My Darling e Down Down. E também reproduz a capa original de 1968. Essa gravadora portuguesa está fazendo um importante trabalho de resgate da garagem brasileira através de seus lançamentos, todos em vinil diga-se de passagem! Esse lançamento sucede a reedição do Lp dos Beat Boys nesse resgate da garagem brasileira. Edição limitada em 600 cópias.
Resenha da gravadora
OS BAOBÁS - LP - GROO0018LP - 600 COPIES
Finally the long waited reeisue of the most important band of garage 60's in Brazil. OS BAOBÁS. The original LP, together with The Beat Boys Lp, is today one of the most whanted records for the garage collectors. Unfortunely the original album have a problem in the sound. None of the pressed LP's have a good sound. Now we put together all the singles with the original album along with remastered sound. The singles included track like Bye Bye My Darling Goodbye, Down Down Down and the powerful cover of the Stones, Paint In Black (Pintada de Preto).
Os Baobás were one of the most important bands in São Paulo’s garage rock scene of the sixties, but they have remained in obscurity until now, despite their not so limited discography. The band is best remembered for having included Liminha (later on a Mutantes member and a producer) in its line-up and having played with Caetano Veloso, replacing the Beat Boys. But their most valuable treasure is the series of singles they recorded between 1966 and 1968.
The LP brings the complete discography, photos, singles covers and a bio in the back of the LP.
Apresentação datada de 1967 do obscuro grupo argentino Los Bestias no programa La Escala Musical. Nota para o exagerado mop top do vocalista que mais parece um capacete, para o ar blase do baterista e para o logo da banda na bateria imitando o dos Beatles.Ao que parece não chegaram a gravar nenhum disco. Então, aproveitem esses excelentes temas.
Nesse terceiro volume vamos levar nossa viagem ao patamar da obscuridade beat e garageira brasileira.
Com exceção de um ou dois grupos, esses anônimos nunca lançaram mais que um mísero compacto. Tocaram apenas em domingueiras e bailinhos adolescentes, festas de aniversário e casamentos, quermesses e batizados. Nunca foram mais do que os roqueiros do bairro, ou os transviados da rua de trás. Se tinham algum sonho de se tornarem artistas e seguir o caminho de glória dos Beatles, isso logo foi quebrado em decorrência das demandas da vida real: emprego, para os mais pobres, universidade para os "mais bem de vida".
Esse é o ethos garageiro. Uma vida curta e musicalmente precária. Um sopro adolescente até a chegada da vida adulta.
Nesse volume, poderemos escutar a primeira banda na qual Reginaldo Rossi cantou, The Silver Jets, direto do Recife dos anos 60.
Para o ouvinte acostumado aos álbuns conceituais e com embasamentos filosóficos e elucubrações artísticas, essas canções possivelmente não tenham valor algum. Mas para o roqueiro inveterado, essas canções são um poço do mais sincero e ingênuo rock. Sem pretensões de soar inteligente, com o objetivo apenas de declarar seu amor juvenil às paixões mais platônicas e aos olhos mais bonitos do colégio. Algo que você jamais conseguirá repetir aos 30 ou 40 anos de idade. É ai que reside toda "originalidade repetitiva" desses grupos, ao captar um estado de espírito que só se vive uma vez na vida.
Nomear sua banda de os Pássaros e achar isso "um estouro" é algo que está distante anos-luz de toda a pretensão cult do rock atual. Milhares de grupos batizados como se fossem gangues: Os Fugitvos, Os Drmáticos, Os Inocentes, Os Enforcados, Os Tártaros, Os Falcões Negros, Os Paladinos, Os Quentes, Os Lordes, Os Reis, Os Abstratos. No final das contas, eram realmente gangues, violentando a sensibilidade artística dos mais velhos, dos quadrados.
Espero que vocês curtam os sons e se deixem levar por todo o desespero adolescente contido neles e que possam reconhecer toda a riqueza precária desses grupos. Um brinde aos tempos e os amores que não voltam mais.
Adoro essas duas capas. Punk rock em preto e branco. Monocromático como o som das bandas, mas nada entediante. Rock seco, duro, gritado e nada dissimulado.
Havia "upado" esse disco há um tempo, mas devido a alguns contratempos só agora postarei com o link para download. o texto que se segue foi publicado em 3 de fevereiro de 2009, pouco tempo antes do lançamento oficial do disco. Enjoy!
Um pouco sobre o Death
Formada pelos irmãos Hackney (David, Bobby e Dannis), no início tocavam funk e R&B influenciados pelas canções da Motown, mas tudo mudou em 1973.
Nessa data os irmãos vão ao Michigan Palace e assistem a um show de Iggy e os Stooges. A música dos Patetas marcou tanto os caras que eles mudam o direcionamento da banda para o rock and roll.
Dave então começa a fazer músicas e Bobby as letras. As canções se tornam mais políticas e então nasce o Death.
Não é nenhum detalhe dizer que esses caras eram negros, mas sim um traço marcante, pois no mundo anglo-saxônico do rock and roll, ser branco é a regra.
Os caras acabam encontrando Don Davis da Groovesville Productions, que impressionado com a banda, leva sua demo até Clives Davis da Columbia Records. É assinado um contrato com a major para um disco com 12 canções, mas durante as gravações, mas precisamente depois de terem gravado 7 músicas, Clive insiste para que a banda mude seu nome.
Não satisfeitos com as exigências da Columbia a banda abandona a gravadora antes do término das gravações.
Em 1976 o Death saca duas músicas da gravação para o Lp de 1974 e lançam um single de 500 cópias contendo as faixas “Politicians In My Eyes” e “Keep on Knocking”. O single é lançado pelo selo do grupo, o Tryangle Records, sendo distribuído de maneira gratuita durante os shows realizados pela banda.
Até o ano de 2002 não se ouviu mais falar da banda, até que eles apareceram na compilação No One Left To Blame, que reúne punk nort-americano obscuro de 1976 a 1982 e que trazia a canção “Keep on Knocking”.
34 anos depois de gravadas aquelas músicas, Bobby Hackney entrega as master tapes para seu filho escutar e eis que em 2009 teremos um disco completo do Death.